quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Os 10 PERIGOS do evolucionismo teísta

Li outro dia, neste site, uma listagem dos 10 perigos e heresias que podem ser trazidos por uma abordagem teísta à evolução darwiniana. Acho muito importante analisar criticamente toda a forma de pensamento Cristão e confronta-lo sempre com A Palavra de Deus e, ao iniciar a minha leitura, de fato um frio me desceu a espinha com medo dos perigos trazidos por essa abordagem (estaria eu errado?) (estaria eu brincando com fogo?).
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Alguns minutos depois respirei aliviado. A lista dos 10 perigos do evolucionismo teísta, no final das contas, é tão assustadora quanto a lista dos 10 perígos de se tomar leite e chupar manga ao mesmo tempo.
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Os problemas começam antes mesmo do inicio da lista: “No sistema de evolucionismo teísta, Deus não é o Senhor Onipotente de todas as coisas, cuja palavra foi levada com seriedade por todos os homens”. Sinceramente, a melhor resposta que consigo pensar é: “Quem disse?”. Com Darwin ou sem Darwin o Cristianismo é o mesmo, o Evangelho é o mesmo e Deus é o mesmo! O SENHOR Onipotente de todas as coisas (Proverbios 16:4, para citar 1 exemplo). Não tenho a pretensão de apontar as formas que Deus pode e não pode escolher para iniciar e manter a sua Criação de forma a parecer mais ou menos “Onipoptente” (particularmente acho que Deus, em sua Onipotência, não se preocupa muito em parecer Onipotente, Ele não tem nada para provar pra ninguém). De qualquer forma, o “evolucionismo teísta”, não é uma coisa nova ou diferente, é o mesmo velho Teísmo. Da mesma forma, um Cristão que aceite a teoria sintética da evolução não esta aceitando algo novo ou diferente. É o mesmo vinho! Nenhum odre precisa se romper! Mas acho que chegamos lá.
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Segundo ponto. O artigo menciona a evolução atéia e a evolução teísta. A evolução é uma só, quer você seja hindu, Cristão, ateu ou muçulmano. E ela é tão "ateia" quanto uma barra de tofú ou o processo de combustão.
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1)”Interpretação errônea da natureza de Deus”
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Comentário: Esse argumento é bastante comum tanto entre criacionistas quanto entre ateus. Ele vai requerer um espaço de reflexão um pouco maior e esta comentado em um post a parte, AQUI
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2) “Deus se torna um deus das lacunas”
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Comentário: Charles A. Coulson foi o cara que cunhou o termo "deus das lacunas".
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deus das lacunas é precisamente o deus que se mostra através do abracadabra, através do não explicado que é sempre tido como inexplicável. Onde entra a ciência o deus das lacunas foge e luta contra o avanço inexorável do nosso conhecimento.
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Um Cristianismo com uma abordagem evolucionista não cai nesse erro! Ele parte justamente do principio contrário, de que podemos ver o dedo de Deus em suas obras. Deus não está escondido nas sombras de nosso conhecimento, suas obras podem ser vistas hoje e agora(já discuti isso aqui). A constante gravitacional, a matéria, cada átomo e sua organização foi Deus quem fez, cada processo biológico (incluindo os processos evolutivos), sua dinâmica e mutabilidade, a minha vida, a sua vida, a Vida! Tudo ISSO foi DEUS quem fez, e todo mundo pode ver e constatar isso (Romanos 1:20, certo?). A assinatura de Deus na criação está na maravilha e na beleza que podemos ver, não nas coisas incompreensiveis que não podemos tanger.
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3)Negação de ensinamentos Bíblicos centrais
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Comentário: Esse é o velho argumento do “isso não esta de acordo com a Bíblia”, o que geralmente quer dizer: “isso não está de acordo com a MINHA interpretação da Bíblia”, nesse caso não é diferente. Muito antes de Darwin, Agostinho já dava uma interpretação alegórica ao Livro de Gênesis e ,antes desse, Orígenes. Não sou teólogo, ainda assim, uma interpretação literal dos primeiros capítulos do livro de Gênesis me parece indevida, com ou sem Charles Darwin. Para ser curto e grosso, o autor não estava querendo dar um relato cientifico e uma descrição literal dos primeiros acontecimentos. O fato de que o capítulo 1 e 2 de Gênesis ambos relatam de formas distintas a criação de Deus deixa claro, pelo menos, que uma interpretação 100% literal é impossivel.
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O livro de Gênesis esta lá para nos falar da Criação de Deus, para nos falar que em algum momento as coisas deram errado o ser humano pecou ao se afastar de Deus e ao buscar para si um cantinho onde Deus não intervisse (o que para mim parece um pecado beeeem mais terrível do que comer uma fruta). Você pode até não concordar com a minha interpretação, nem com Agostinho, nem Orígenes, nem C. S. Lewis (nenhum desses era “evolucionista teísta”, mas todos não tinham problema nenhum em aceitar uma interpretação não literal do relato da Criação em Gênesis), mas você não pode dizer que isso nega ensinamentos Bíblicos centrais (eu pelo menos nunca fiquei sabendo de nenhum ensinamento bíblico central ferido pela abordagem não literal do relato da Criação...)
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4) Perda do caminho para se encontrar Deus
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Comentário: O argumento é basicamente o seguinte: “Se o Gênesis é uma alegoria, então a queda do homem também é uma alegoria, então o pecado também é uma alegoria. E dessa forma do que, afinal de contas, Jesus veio nos salvar ao morrer na Cruz por todos nos? O sacrifício da crucificação de Cristo perde todo o sentido pois o pecado do homem passa a ser apenas uma alegoria” .Me sinto até constrangido de ter que apontar isso para pessoas formadas em teologia e craques em hermenêutica e toda a sorte de interpretação de texto, mas o negócio é que o fato de uma história ser uma alegoria, não significa que o que ela representa seja também alegórico! Isso é meio óbvio...
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Se lembra quando Jesus Contou a parábola do filho pródigo? Bem nunca conheci um Cristão que me dissesse que o fato de os Cristãos acreditarem que a história do filho pródigo é uma parábola, ou uma alegoria, minasse doutrinas centrais do Cristianismo! De fato, nunca conheci um Cristão que achasse que Jesus estava se referindo, ao contar a parábola do filho pródigo, a acontecimentos literais. Agora, se usarmos a mesma lógica do argumento a cima, vamos chegar a conclusão de que: “Jesus, ao contar a parabola não literal e alegórica do filho pródico, estava fazendo uma alegoria sobre o Amor e o Perdão de Deus e portanto o Amor e o Perdão de Deus também são alegóricos.” Fez sentido? Não né!
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O relato da Criação é uma alegoria sobre a criação de Deus, o pecado e o afastamento de Deus por parte do homem. No entanto, tanto o fato de que Deus criou quanto o pecado e o afastamento de Deus por parte do homem continuam sendo BASTANTE literais. Uma oração e o Espirito de Deus fica feliz em nos mostrar precisamente o que Jesus veio fazer nesse mundo caído. Com Darwin ou sem Darwin.
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5)A doutrina da encarnação de Deus é comprometida
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Comentário: Sinceramente não sei o que comentar... A única resposta sensata que posso dar é: NÃO. O site não apresenta qualquer argumento a respeito desse “perigo”, então não me sinto comprometido a ir além em minha contra-argumentação: A doutrina da encarnação não é comprometida pela evolução darwiniana de forma alguma.
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6) A reedenção dos pecados através de Jesus Cristo é apresentada como um mito
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Comentário: Já vimos isso no ponto (4). Mais uma vez, creio que o relato da queda do homem é um dos mais verdadeiros e ricos de toda a Bíblia! Fico absolutamente pasmo com o fato de que um relato tribal escrito a mais de 10000 anos seja a resposta mais satisfatória que encontrei para a pergunta: “por que a humanidade é assim?”. E o fato de eu não acreditar que a passagem descreva eventos literais não altera isso. O homem pecou e se afastou de Deus, Jesus Cristo, filho unigênito de Deus, bem como Deus encarnado (viram só, nenhum problema aqui), veio consertar isso. Poderíamos ficar discutindo o resto do dia sobre o umbigo de Adão, não mudaria nada.
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7)Perda da cronologia Bíblica
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Comentário: Mais uma vez o argumento do “não está de acordo com a Bíblia”, que na verdade quer dizer: “Não está de acordo com a MINHA interpretação da Bíblia”. Eu poderia dizer que “Para Deus 1 dia é como 1000 anos” (Salmos 90:4), mas também acho que isso tiraria o versículo do contexto. A verdade é que Deus está na eternidade, fora do tempo (fique 10 minutos tentando entender isso e depois mais 10 minutos tentando entender a trindade, é loucura meu).
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Deus cria o tempo, cria o novo em mantém absolutamente tudo. Tudo teve um começo e vai ter um fim (é legal observar que hoje os físicos que estudam o big bang dizem precisamente isso, que antes do inicio do universo não havia tempo!). Para maiores comentários e brisas sobre tempo e eternidade eu recomendo “Confissões” de Agostinho.
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8)Perda dos conceitos de criação
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Comentário: Os perigos (8) e (9) estão aqui listados, creio eu, devido a um dos grandes perigos à que estão sujeitos os pensadores criacionistas, o de fazer da Bíblia um livro de ciências. De fato ela não é, e não deve ser interpretada como tal. Sendo assim uma interpretação não literal dos primeiros capítulos do livro de Gênesis não fere de forma alguma a Doutrina da Criação. De fato, Creio em Deus Todo Poderoso, Criador dos Céus e da Terra.
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9)Interpretação errônea da realidade
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Comentário: Hey, a culpa não é minha! São essas malditas EVIDÊNCIAS que ficam zoando com a minha cabeça!
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10) Não "sacar" o propósito
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Comentário: Que salada... Queridos, é bem verdade que a evolução não é um processo direcionado. Agora isso de forma alguma nega o proposito de Deus para a Vida humana (e mesmo para o resto da criação). A ciência não nos mostra o proposito para a existência humana, ela simplesmente não tem essa função. Para isso o homem busca o Transcendente e o espiritual em sua vida. O evolucionismo teísta é uma tentativa de realizar um dialogo produtivo entre o conhecimento espiritual e o científico, ela não nega a existência de um propósito.
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Conclusão
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De coração, fico muito chateado com essa rixa de "evolucionistas e criacionistas". Não quero fazer a cabeça de ninguém, apenas mostrar que a evolução não é um monstro de sete cabeças (como alguns pintam), e, como todo o conhecimento científico, ela é muito mais amigável ao pensamento Cristão do que muitos crentes e ateus gostariam que ela fosse.
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é isso aí amiguinhos, amo vocês

Paz de Cristo


Algumas leituras recomendadas:
-Finding Darwins God - Kenneth Miller
-Linguagem de Deus - Francis Collins
-Deus Após Darwin - John F. Haught
-Criação e Evolução 3 pontos de vista - J. P. Moreland e John Mark Reynolds
-O Delírio de Dawkins - Alister McGrath & Joanna McGrath
-O Problema do Sofrimento - C. S. Lewis
-Confissões - Agostinho
-Fundamentos do dialogo entre Ciência e Religião - Alister E. Mcgrath
-E (cosidero este importante) a Bíblia

3 comentários:

Amauri disse...

Cara, gostei muito do texto que você escreveu, principalmente no que diz respeito à não-literalidade do Gênesis.

O pessoal esquece que Deus é Deus, ainda que todos digam que ele não é, a despeito de qualquer acontecimento ou circunstância, filosofia ou ensinamento. Ele é Deus.

Aquele abraço,

Amauri

Marie Curie disse...

Uau, ó, é uma da manhça mas queria psar por aqui e falar que embora vc tenha achado o blog alienígena, eu adorei a visita! E já estou mandando o pessoal passear por aqui, hehehe!
Confesso que o post tá grande, mas amanhã eu leio e dou o meu pitaco por aqui, sabe, é legal pra caramba que vc está envolvido assim como blog e com Deus, conseguindo versar muito bem sobre a fé e transitando muito bem pela ciência e a fé. POr que embora eu não tenha lido esse post, eu já li tooodos os seus outros, hehee!

Beijos para a sua pequena!

Marie Curie disse...

te linkei no divã! é só procurar no "Recomendamos.." hehehe!