quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

'Cabeça aberta', 18 e outras histórias

Acabei de ler o livro "Mind Wide Open" de Steven Johnson (lançado em portugues pela editora Jorge Zahar com o titulo "De cabeça Aberta").
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O livro busca explicar para o público leigo, em linhas gerais, o que sabemos sobre o funcionamento do cérebro, e como isso pode ser útil em nos auxiliar a lidarmos melhor com nossa 'cabeça'. O autor faz questão de maneirar nos nomes complicados de partes do cérebro e neurotransmissores (e ele faz um excelente trabalho. É claro, é inevitavel mencionar o 'sistema limbico' ou o neurotransmissor 'oxitocina', mas eu apenas imagino o tipo de nomenclatura que pessoas que se especializam nessa área tem que aturar).
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O livro é excelente! MUITO BOM mesmo! No entanto, em vez de escrever uma 'review' do livro (leia uma AQUI), vou tecer uns breves comentários sobre o que o livro me fez pensar. E ele com certeza me fez pensar!
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A primeira coisa que me veio a cabeça é que sem dúvida os avanços da neurologia moderna podem (e o livro mostra isso) ajudar muito a entender nosso próprio comportamento em muitas situações. Como minha cabeça funciona? Eu sou autista? Talvez eu devesse tomar uns bloqueadores beta antes de falar em público? [ok, isso é um exagero... Ah, e eu também NÃO sou autista].
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Não só isso, mas também surgem diversas questões excitantes e desafiadoras para quem tem fé e crê que a mente (alma??) de um ser humano transcende de alguma forma a organização sinaptica da sua rede neuronal moldada por seus genes e sua história de vida: Onde fica a alma? O amor é apenas uma liberação de oxitocina em regiões especificas do nosso cérebro? Um abraço, uma mãe amamentando, correr todas as manhãs, são apenas formas de naturalmente alimentar com opióides nosso cérebro viciado?
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Questões pulularam no meu cérebro
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Uma das questões das quais quero falar brevemente é em relação ao autismo.
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Pra muita gente autismo é sinonimo de retardamento mental, ou coisa assim. O negócio é, na verdade, um pouco diferente. Autismo é uma 'cegueira' em nossos níveis de comunicação social!
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O livro explica que o ser humano possui, no cérebro, um sistema que 'já vem instalado', que possibilita o reconhecimento de outras pessoas e a identificação de que estas possuem sensações, sentimentos e recebem estimulos ambientais. Um bom exemplo é constatar que bebes de apenas 6 meses são capazes de seguir o olhar de uma pessoa que calha de estar olhando para o canto da sala. Pode parecer trivial, certo? Isso justamente por ser uma habilidade inata. Na verdade o simples reconhecimento por parte do bebe que a coisa que esta olhando para ele é uma pessoa, que essa pessoa recebe estimulos externos, que as 'bolas' na cara dessa pessoa são orgãos particulares de recepção de estimulos e 'apontam' para a região de onde vem o estimulo a ser recebido, nada disso é trivial e precisariamos aprender isso se já não nascecemos sabendo. Essa comunicação não verbal toda é importantissima para animais que exibem comportamento social e, principalmente, uma boa dose de cuidado parental.
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E isso é só um exemplo. Reconhecimento de sorriso, cara de tristeza, cara de preocupação, cara de invejoso cara de orgulhoso etc etc. São todos reconhecimentos e a maioria de nós consegue (bem ou mal) ler de forma inata e não completamente consciente esses sinais nos outros seres humanos com os quais nos relacionamos. Alguns fazem isso bem (imagino que bons jogadores de poquer) e alguns nem tanto (imagino que seja o caso de alguns biologos corinthianos), e alguns simplesmente não são capazes de fazê-lo. Uma pessoa autista é uma pessoa com graves deficiencias nesta área de 'leitura social'. Por algum motivo o modulo não 'vem instalado'. Existem varios níveis de autismo nos quais a pessoa tem um nivel maior ou menor de 'distanciamento social' (não estou usando a terminologia correta aqui! Imagino que se alguem que realmente entenda do assunto ler isso aqui vou receber um longo email me corrigindo). E junto com essa falta de um 'módulo' no cerebro, outros módulos compensam. Autistas geralmente tem facilidade com padrões, números puros entre outras coisas (penso que o filme Rain Man caracterize bem a coisa toda).
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Hoje acredita-se que muitos dos fisicos e matematicos mais geniais possuiam, de fato, algum nível de autismo. Tratam-se de pessoas com surpreendentes habilidades matematicas porem com uma certa falta de tato social.
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Bem, curioso com a coisa toda, corri atrás de maiores informações e achei na rede um 'AQ TEST' (teste de quoeficiente de autismo). Você caro leitor pode preencher o teste também. A média do grupo controle é 16,4. 80% dos que tiram mais de 32 possuem algum diagnóstico de autismo (outros não). Minha pequena fez o teste e tirou 9, isso significa que ela é beeem menos 'autista' que a média da população (o que não é de se surpreender, primeiro por que ela é mulher e mulheres são afetadas menos por autismo, segundo por que ela é uma moçinha extremamente extrovertida e sociavel). Já eu tirei uma 'nota' um pouco a cima da média: 18. O que significa apenas que eu sou um cara um pouco mais introvertido e com um pouco menos de 'traquejo social' do que a média da população, o que eu também já sabia.
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É bom lembrar que esse teste é SUBJETIVO e de forma alguma estritamente cientifico, ele não vai te dar um diagnóstico, por isso não leve a coisa tanto a sério. Ainda assim, após a leitura do livro, me senti extremamente compelido em 'exercitar' esse módulo de percepão social na minha cabeça, e penso que isso é bom.
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Contei toda essa histórinha, primeiro, porque ela é bem interessante. E, em segundo lugar para exemplificar um pouco da compreensão do nosso cérebro que o livro mostra. Bacana né?
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Tenho mais para falar, mas o post está ficando longo. Esperem (algum dia), um post subsequente.
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Desculpem também pelo blog ter andado meio parado. O fim de ano foi meio complicado.
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Feliz natal a todos e um 2010 porreta
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E fiquem com a Paz de Cristo









quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

2 blogs que eu achei na última semana

1) O blog "Tubo de Ensáio" que parece tratar de ciência e vez por outra abordar sua relação com a fé. Fiquei surpreso com a série de posts em homenagem aos 150 anos do Origem das Espécies, em especial a entrevista com Karl Giberson. Além disso tem também um trecho do documentário "Did Darwin Kill God" (que você viu primeiro AQUI no Nó Cego), bem como uma breve resenha do livro "A Goleada de Darwin" de Sandro de Souza.

Aqui o link de todos os posts:

1)Semana especial: Darwin
2)A conciliação possível entre Cristianismo e Evolução
3)Karl Giberson, presidente da Fundação BioLogos: "Deus pode guiar a história natural trabalhando por meio das leis da natureza"
4)Darwin matou Deus?
5)O que impede as pessoas de aceitar a evolução?
6)Bola cheia, bola murcha, bola fora...

2) O Blog "Arrow through the Sun" de um bioquimico Cristão, parece ter artigo muito, muito interessantes incluindo um link para um site que ensina uma estratégia porreta para ganhar no "Banco Imobiliario".

Paz

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Podemos alimentar E salvar o Planeta?


Abaixo eu deixo com vocês uma tradução minha DESSE TEXTO da edição de Dezembro da Scientific American. Ele trata de assuntos que eu considero muito importantes e vejo que são muito pouco discutidos (em especial no meio Cristão): Preservação ambiental em relação à produção de alimentos e controle de natalidade.

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Realmente gostaria de escrever alguma coisa a respeito dos assuntos tratados no texto aqui no blog, mas como sou nem sempre público os textos que prometo que vou publicar, deixo para os leitores comentarem. Se tudo der certo emitirei dentro de breve minhas próprias reflexões sobre o assunto.
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"Nós estamos exaurindo os recursos de nosso lar e casa. Recentemente, no número 24 da revista Nature Johan Rockström e seus colegas propuseram 10 "fronteiras planetárias" para definir limites seguros para a atividade humana. (Scientific American faz parte do grupo de publicações Nature). Esses limites incluíram metas na emissão de gases do efeito estufa, perda de biodiversidade, a conversão global do solo em terreno para agricultura e outros 'mega-impactos' nos ecossistemas da terra. Ainda assim, a humanidade já transpassou diversas dessas fronteiras e esta a caminho de exceder a maioria das outras. O aumento da demanda por alimentos tem um grande papel nessas transgressões.
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A revolução verde, que fez a produção de grãos aumentarem exponencialmente, deu a humanidade algum espaço para respirar, mas a continuidade do aumento populacional e a demanda pela produção de carne estão exaurindo esse excedente na produção de alimentos. O pai da revolução verde, Normal Borlaug, que faleceu em Setembro aos 98, levantou exatamente esse argumento em 1970 quando ele aceitou o premio Nobel da Paz: "Não pode haver qualquer progresso permanente na batalha contra a fome até que os agentes que lutam pelo aumento da produção de alimentos e aqueles que lutam pelo controle populacional se unam em um esforço comum".

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Este 'esforço comum' tem sido, na melhor das hipóteses, inconsistente e muitas vezes em essência não-existente. Desde 1970 a população aumentou de 3,7 bilhões para 6,9 bilhões e continua a aumentar numa taxa de cerca de 80 milhões/ano. A produção de alimento per-capita tem tido declínio em algumas grandes regiões, em especial na África subsaariana. Na Índia o fato de a população ter dobrado absorveu quase todo o aumento na produção de grãos. Por outro lado, a produção alimentícia é responsável por um terço de toda a liberação dos gases do efeito estufa para a atmosfera, quando se leva em consideração combustível fóssil utilizado por tratores e outras máquinas na produção, preparo e transporte do alimento; o dióxido de carbono liberado pelo desmatamento da área a ser cultivada e pasto. O metano proveniente de arrozais e criação de gado; e a liberação de óxido nítrico pelo uso de fertilizantes.

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Através do desmatamento florestal, a produção de alimentos também é responsável por grande parte da perda de biodiversidade no planeta. Fertilizantes químicos causam deposições massivas de nitrogênio e fósforo, que são responsáveis pela destruição de estuários em centenas de sistemas hidrográficos e ameaçam as condições de equilíbrio dinâmico na 'química' dos oceanos. Cerca de 70% da utilização mundial de água é dirigida a produção de alimentos, o que implica em depleção de lençóis freáticos e consumo ecologicamente destrutivo de água que se estende na Califórnia, na planície Indo-Gangética, na Ásia Central e no norte da China.

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Em resumo, a 'revolução verde' não negou os efeitos colaterais perigosos de uma população humana crescente, que estão fadados a aumentar à medida que a população mundial ira exceder 7 bilhões por volta de 2012, e previsões indicam que atingira 9 bilhões em 2046. O consumo de carne per capita também está aumentando. Carne bovina representa a maior ameaça, pois a criação de gado demanda até 16 Kg de ração para cada 1 Kg de carne consumida, além disso, eles emitem grandes quantidades de metano, e o fertilizante utilizado para o cultivo dos grãos utilizados como ração contribui muito para emissão de óxido nítrico.
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Produzir mais alimentos não é suficiente; O necessário simultaneamente estabilizar a população global e reduzir as conseqüências ecológicas da produção de alimentos - um desafio triplo. Uma redução rápida, voluntária na taxa de natalidade em países pobres, trazida por maior acesso ao planejamento familiar, menor taxa de morte infantil e educação sexual, poderia estabilizar a população em 8 bilhões em 2050.
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Auxilio financeiro a comunidades pobres com o intuito de resistir ao desflorestamento poderia salvar o habitat de muitas espécies. Plantio direto e outros métodos de plantio podem preservar o solo e a biodiversidade. Utilização mais eficiente de fertilizantes pode reduzir a liberação excessiva de nitrogênio e fósforo no ambiente. Um sistema de irrigação mais eficiente e variedades diferentes de sementes para plantio podem ser capazes de conservar água e reduzir outras pressões ecológicas. Ainda, uma dieta que contenha menos carne bovina poderia ajudar na conservação ambiental e ao mesmo tempo se provar mais saudável.
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Para a ocorrência de tais mudanças, serão necessários esforços tremendos tanto da iniciativa pública quanto privada e uma mobilização sem precedentes. Enquanto nos lembramos dos feitos de Borlaug, nós devemos redobrar nossos esforços em resposta aos seus avisos. A janela de oportunidade para que o desenvolvimento sustentável obtenha sussesso esta se fechando".

Paz de Cristo

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Isso é simplesmente dá hora!

1- Primeiro, uma histórinha breve que quero compartilhar com você sobre o genero de minhocas Osedax. Tive a oportunidade de ler acerca dessa gigantesca bizarrice da natureza tanto no site 'Wired Science' (AQUI), como no site da 'Science' (AQUI). (Tenho ainda que adimitir que estou chupinhando descaradamente este post DESSE BLOG)

Trata-se de um gênero espécies de minhoquinhas que vivem no fundo do oceano. Elas não tem boca nem anus e absorvem e excretam nutrientes a partir de uma simbiose com bactérias. Elas também vivem em colonias, geralmente como o macho diminuto vivendo dentro da fêmea! A coisa fica mais legal ainda, veja! Tudo que vive no fundo do oceano se alimenta de detritos (restos de animais marinhos e plankton que vão descendo para o fundo, coco peixe, essas coisas). Bem, as minhocas do genero Osedax se alimentam exclusivamente de ossos de baleias mortas!

Um estudo públicado recentemente na BMC Biology, analisou diversos genes na busca por esclarecer as relções filogenéticas dentro desse grupo. Os resultados foram bacanas, os pesquisadores descobriram, por exemplo que esse grupo existe a pelo menos 45 milhões de anos, mas os pesquisadores acreditam que ele possa ser ainda mais antigo e que essas minhóquinhas começaram a se diversificar no Cretáceo, comendo ossos de grandes répteis marinhos.

Bem... Eu achei a coisa toda fantastica! Deem uma olhada nos artigos

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2- Os tentilhões de Darwin continuam a contar histórias!Um casal de pesquisadores que está a decadas estudando os bichinhos conseguiram pegar um 'snapshot' do nascimento de uma nova espécie. VEJA AQUI! Em um artigo da PNAS (ESSE AQUI), os pesquisadores explicam essa história de especiação que, pelo que pude ver, envolve algumas gerações de isolamento reprodutivo e um novo padrão de canto. VEJA AQUI TAMBÉM.
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é isso aí... LEGAL né?

Paz de Cristo

terça-feira, 17 de novembro de 2009

150 anos de "A Origem das Espécies", uma celebração


Vai rolar aqui na USP uma série de palestras acerca da importância e influência da principal obra de Charles Darwin. Recomendo!

Para maiores informações deem uma olhada no site do IB-USP

Como não sou bom em fazer 'merchan' de nada, vou copiar o que está escrito no flyer (que achei provocante e com um 'exagero na medida certa'):

"A Origem das Espécies" de Charles Darwin não é apenas uma obra de importância científica. No decorrer do último século e meio, o livro tem tido um amplo impacto nas mais diversas esferas da sociedade moderna. Seu papel como marco paradigmático da civilização ocidental estende-se a todos os niveis de nossas vidas, seja cultural, social, político ou econômico. Na semana de seu aniversário de publicação, o instituto de Biocências, em parceria com o projeto VER CIÊNCIA, convida o público a participar de atividades que fornecerão uma visão mais abrangente do impacto da principal obra de Darwin. Nada mais justo que esta merecida celebração


O Instituto de Biociências da USP convida a todos para a comemoração dos: 150 anos de "A Origem das Espécies"
Data: 23 a 27 de novembro de 2009 das 17h30 às 19h no Anfiteatro Acadêmico da Administração do Instituto de Biociências da USP
Instituto de Biociências
Rua do Matão, trav. 14, nº 321, Cidade Universitária, São Paulo - SP, CEP: 05508-090

é isso aí

Paz de Cristo

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Saiu!

1) Após uma amigavel troca de emails, fui convidado a escrever um 'guest post', no blog "An Evangelical Dialoge on Evolution", pelo organizador do Blog, Steve Martin.

VEJA O POST AQUI

O post saiu hoje e faz parte de uma série de posts intitulada: "Evangelicals and Evolution: A Student Perspective". Trata-se da história e breve testemunho de diversos estudantes Cristãos, seus desafios na área acadêmica, seus contatos com a ciência evolutiva e outras coisas. A série esta muito interessante e contem histórias bonitas de pesquisadores e estudantes, e sua caminhada na busca por compreender e se aprofundar na fé que professam juntamente com a ciência que estudam. Achei o post anterior ao meu, muito legal! Tanto que mereceu uma menção no blog Science and the Sacred (leia AQUI).

É isso aí! Entrem lá e comentem! Sugiro que acompanhem toda a série, para mim pelo menos tem sido uma benção e espero que seja para muita gente! Acho importante contar histórias de pessoas que enfrentam o confronto entre fé e ciência com muita fé e ciência e o superam.

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editado (3-11-09) O blog "
Science and Religion: A View from an Evolutionary Creationist/Theistic Evolutionist" públicou, também, um breve comentário sobre o post no Evangelical Dialogue: VEJA AQUI.

2) Deem também uma boa olhada no blog "O Observador Antrópico" do Alex Altorfer. Uma fonte muito interessante e - o mais legal - em português!

é isso aí
Paz de Cristo

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Os Simpsons: episódio sobre Criacionismo


video

Acho que o episódio não está na integra. Mas é bem engraçado!!

Paz

sábado, 10 de outubro de 2009

Reflexões : Atrás do Monte Improvavel


Estavamos eu a Pequena e um amigo a caminho de um farto almoço no prédio da editora Abril para o qual haviamos sido convidados por um outro caro amigo. Na saida da USP, no meio do caminho, ví que haviam caido no chão alguns figos de uma figueira. Papo vai, papo vem acabei falando para o tal amigo, enquanto caminhavamos, acerca da intima relação que existem entre figueiras e as vespas que as polenizam. Em linhas gerais, figos que a gente come não são frutas, são flores – ou melhor, inflorescências. Os figos são polenizados quando vespas entram dentro deles (por aquele ‘buraquinho na bunda do figo’) e botam ali seus ovos. Os ovos mais tarde eclodem e logo, vespinhas com o corpo cheio de pólen estão voando por aí em busca de um novo figo para botar seus ovos (e de quebra fecundar algumas florzinhas de figo com o polén). Para cada espécie de figueira existe uma espécie respectiva de vespa.
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Meu amigo ficou com aquele olhar pensativo e, como resposta a minha breve (e incompleta) explicação, mandou a frase que resultou neste post: “Isso é muito de Deus”. Imediatamente luzes vermelhas se acenderam na minha cabeça, me veio o nó na garganta que só quem é verdadeiramente chato em relação a algum assunto sabe como se sente (aquela necessidade incontrolavel de fazer o seu ponto de vista se impor. É o que geralmente acontece com alguns Corinthianos quando contestam o campeonato mundial conquistado em 2000; com alguns fãs de metal progressivo quando alguem fala que o melhor album do Dream Theater é o Six Degrees of Inner Turbulence [e é mesmo]; ou quando duas pessoas começam a discutir acerca de assuntos como cotas, aborto ou heróis da Marvel). Enfim... O sangue me subiu a façe e eu estáva pronto e preparado para dar, ao meu amigo, uma detalhada explicação a respeito de todos os processos evolutivos que deram origem a essa estreita relação entre os figos e as vespas. Um processo incrivel de co-evolução a medida em que as flores das árvores ancestrais de figo se tornavam cada vez mais compactas e condensadas: primeiro como umbelas, depois como capitulos, depois com capitulos mais e mais fechadinhos até chegar no figo. E, simultaneamente as espécies de vespas se especializavam, mais e mais, em se reproduzir, se alimentar e de quebra polenizar, o figo. Ia ser moleza, uma vez que eu acabei de ler essa semana “Escalando o Monte Improvavel” e o Dawkins utiliza precisamente esse como o seu ultimo exemplo de como a evolução, a partir de seleção da variabilidade existente, proveniente de mutações genicas, pode produzir a complexidade tamanha que observamos na vida na terra.
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Já estava abrindo a boca para explicar para meu amigo, tin-tin por tin-tin toda a história. quando um pensamento me conteve. Repeti na minha cabeça a frase do meu colega: “Isso é muito de Deus”. Pausei um pouco para refletir. Ora, afinal de contas, ele estava certo! Eu pelo menos, como meu amigo, creio e estou pronto para testemunhar que há um Deus. Que esse Deus criou todo o nosso universo. Que Ele se relaciona com sua Criação, e que Se revelou a nós a partr de Jesus Cristo. E que esse Deus está intimamente relacionado com tudo que é figos e vespas nesse planetazinho. Essas coisas são, sem dúvida, “de Deus”.
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Então onde estáva o problema? Penso que ele estava implicito! Para o meu amigo, Deus estava atrás do monte improvavel (as complexas relações entre figos e vespas). E o fato de que para ele o monte improvavel parecia um “Monte impossivel” nos remeteria ao Deus Criador, cheio de cuidados e caprichos. Ele não via a suave escalada do lado detrás do monte improvavel. Precisamente a “trilha” que eu estava prestes a abrir a boca para explicar para ele que alí estava. Longe de ser um “monte impossivel”, tratava-se, no final das contas de um “monte extremamente possivel”. Atrás dele havia uma trilha suave, tranquila e pouco ingreme, que subia de forma gradativa até o topo.
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Acho que nunca havia sentido a tensão entre a ciência que eu estudo e a fé que professo de forma tão clara quanto ali, no caminho até o predio da editora Abril. O que, afinal de contas, estava atrás do “monte improvavel”? Deus, ou uma trilha?
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Dawkins deixa a resposta dele extremamente clara ao longo de cada um de seus livros: Existe uma trilha, sempre uma trilha para cada monte improvavel (os olhos dos vertebrados, o cérebro humano, o voô dos morcegos, o comportamento reprodutivo de aves e as teias de aranha. Cada um desses “montes” tem atrás de si uma escalada tranquila cheia de intermediarios e sem quaisquer passagens ingremes). Uma trilha, e nada mais.
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O meu amigo, por outro lado, vê os “montes” improvaveis como o prédio da Abril: grandes monumentos, jamais passiveis de serem erigidos pela martelação cega das próprias forças naturais. Atrás de cada um deles há Deus. E Deus está lá justamente porque não há trilha alguma.
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Discordo dos dois.
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Concordo com os dois: Concordo com Dawkins. É inegavel, há uma trilha atrás do monte improvável. A trilha pode ser mais ou menos ingreme, mas é sempre uma trilha que o jumentinho chamado “seleção natural” e cujas pernas tem a medida da “variabilidade genética da população” pode trilhar. Dentre os “montes improvaveis” que são os seres vivos e suas caracteristicas, nunca encontraram um que não contivesse uma trilha com uma encosta tão ingreme que os musculos do jumentinho não pudessem subir, nem um caminho por detras do monte com uma vala tão grande que as pernas do jumentinho fossem curtas para cruza-lo.
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Concordo também com meu amigo: “Isso é muito de Deus”. Não apenas concordo, como uso esse post para exaltar a singela sabedoria dessas palavras (esse meu amigo é um cara muito sabio. Do tipo que sem se ligar acaba ensinando toda sorte de coisa sobre a vida pra gente). A história das vespas e dos figos. A história de tudo que é inseto polenizando tudo que é flor, de tudo que é hymenoptera, de tudo que é planta. Não apenas o ciclo ecológico tão equilibrado e dinâmico, mas também a história própriamente dita, a história natural: o desenvolvimento gradual dessas mesmas relações ecológicas desde seu principio através de cada geração: “Isso é muito de Deus”.
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Voltamos a conversar mais tarde e meu amigo se lembrou das palavras do Chesterton, de que na verdade as tais regularidades e “leis da natureza” são causalidades tão incriveis e encantadora quanto aquelas dos contos de fada (a carruagem vira abobora a meia-noite, a princesa é desperatada apenas com o beijo do principe). E cada uma dessas regularidades se parece mais com mágica do que com leis cientificas áridas. Talvez a trilha atrás do monte possa parecer, a primeira vista, arida e vazia, mas para mim (e acho que meu amigo talvez fosse gostar desse modo de ver as coisas), ela se parece mais com uma estrada de tijolos dourados, cheia daquele maravilhamento de contos de fadas do qual a ciência é cheia, e não vazia.


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Paz de Cristo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Acho que cansei!

Se você acompanha esse blog e/ou me conhece talvez você ache que eu sou meio neurótico quando o assunto é evolução.
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Bem, nas ultimas semanas sofri uma overdose que teve fim ontem! Terminei de ler -quase simultaneamente, por coincidência - "Escalando o Monte Improvável" de Richard Dawkins; e terminei de ouvir "The Greatest Show on Earth", também do Dawkins, em audiobook (você já deve ter reparado que eu ouço muitos "audiobooks"! Só digo uma coisa: audioboks foram a solução para todos os meus problemas de transito!).
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Enfim... Estava ficando de saco cheio desse papo de evolução. E mais ainda da visão naturalista seca que Dawkins dá a coisa toda (mas falarei disso a seu devido tempo).
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Só que nos ultimos dias aconteceram coisas que fizeram reavivar meu gostinho pelo grande balé da matéria nesse universo emergindo naquilo que chamamos vida (sem dúvida um dos maiores shows que Deus imbuiu à sua Criação)
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1)O primeirio foi que eu fiquei sabendo que o filme "CREATION", que conta a vida e as tretas de Charles Darwin será lançado em breve. Parece uma bela duma produção e embora tenha encontrado dificuldades para ser lançado nos E.U.A. estou confiante que o filme aparece no Brasil mais cedo ou mais tarde. Aparentemente o filme mostra a repercussão da teoria de Darwin na sociedade inglesa do séc XVIII, além das próprias crises e conflitos espirituais do naturalista. Fique aí com o trailer, eu estou babando para ver!!
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2) A outra coisa é que temos dois "elos perdidos" a menos![1] Encontraram eles! No finzinho de setembro fiquei sabendo que encontraram na china um pequenino fossil de dinossauro com penas que resolve muitas das questões acerca da origem das aves de seus ancestrais diretos, os dinossauros terópodes. O Anchiornis huxleyi é um dinossaurozinho do inicio do Jurassico coberto de penas. O que eu achei mais bacana é que ele possuia penas com formato aerodinamico tanto nos membros anteriores quanto nos posteriores. O que pode nos dar uma dica bacana de como surgiu o voô nas aves. O Anchiornis huxleyi provavelmente usava suas penas para pular e planar de árvore em árvore nas florestas de 160 milhões de anos atrás. LEIA MAIS! AQUI e AQUI.



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E o outro, é o Ardipithecus ramidus, trata-se de mais um fóssil transicional na linhagem dos hominideos. Com mais ou menos 4,4 milhões de anos é o mais antigo até agora. O que eu achei um barato a respeito dele é que era um primata bipede, mas que, tudo indica, possuia uma excelente capacidade para subir em árvores. O escalador-de-árvores, bipede, peludo e de cabeça pequena (o cérebro dele era 1/3 do nosso), levanta algumas perguntas importantes sobre a evolução dos homínideos, mas eu não vou me atrever a escrever bobagens aqui não! Carl Zimmer escreveu um texto muito, muito legal sobre esse fóssil e eu recomendo muito para quem quiser mais informações AQUI. Deem uma olhada também em: I)O blog Cristianismo e Realidade públicou um post a respeito,II) o site da science.



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3)OK, eu começei esse post dizendo que estava cheio de evolução, mas gostaria de tecer ainda mais uma ou duas reflexões (que talvez poste nos próximos dias) que minhas leituras recentes fizeram florescer na minha cabeça. Espero que não sejam tanto sobre evolução, nem sobre ciência, nem sobre enjoadas e caducas "controvérsias". Mas sobre a vida, e como nós observamos a vida. Não vejo como alguém poderia se enjoar de falar sobre a vida e o perceber a vida, e acho que é esse um pouco do meu objetivo aqui. Mas o resto fica pra depois

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Paz de Cristo
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[1] -P.S Apesar da piadinha acerca de "elos perdidos", esse conceito é totalmente erroneo e não deveria ser utilizado. A idéia de que existem "elos-perdidos" únicos ligando uma espécie a outra é uma daquelas concepções erradas que faz tanta gente não entender direito o que é evolução. O que existem são fosseis transicionais -e em certo sentido, todos os fósseis são transicionais. Alguns no entanto revelam informações importantes acerca da história dos grupos de seres vivos na terra e sua história.

domingo, 20 de setembro de 2009

O Verbo

(Um trechinho do devocional "Um Cientista Lê a Bíblia" escrito por John Polkinghorne)



"No inicio era o Verbo, e o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava, no icicio, voltado para Deus. Tudo se fez por meio dele; e sem ele nada se fez do que foi feito. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória; glória essa que, Filho único cheio de graça e de verdade, ele tem da parte do Pai" (João 1, 1-4;14)



Estamos tão acostumados a escutar o famoso prólogo do Evangelho de João em serviços religiosos que, talvez, deixemos as expressões conhecidas fluirem sem atentarmos muito bem a elas. Vamos parar e refletir um minuto sobre uma delas: "O Verbo". Em português, esta é uma maneira um pouco estranha de falar, mas, no mundo antigo, teria feito sentido tanto para os gregos como para os hebreus.
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A palavra grega traduzida como "verbo", logos, tem um significado mais rico do que seu correspondente em português. Um de seus conceitos básicos é o da ordem, de forma que ela representa o padrão e a estrutura seguros do universo. Um cientista cheio de maravilhamento diante de uma das belas equações que descrevem este mundo matemático se rejubila no logos. Para a mente grega, "verbo", (ou "palavra") representa a harmonia do existir.
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Os hebreus pensavam diferente. Em sua lingua, os verbos têm o papel predominante; eram um povo que valorizava a ação e o movimento. O hebraico dabar traz esse sentido de atividade. É a palavra do Senhor que veio aos profetas em advertência e julgamento, a palavra do Senhor por meio da qual os céus foram feitos (Salmos 33:6). Na mente hebraica, "verbo" (ou "palavra") representava a atividade de Deus na Criação e na história.
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Estou certo de que João queria deliberadamente invocar esses dois significados na mente de seus primeiros leitores. Ele esta falando tanto da ordem divinamente ordenada do mundo como da atividade divina dentro dele. Aquele por meio do qual todas as coisas adquiriram existência é o Deus tando do ser como do vir-a-ser.
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Quando o famoso pensador do século IV, santo Agostinho, que fora muito influenciado pelas idéias de Platão e seus seguidores, leu o prólogo do Evangelho de João como parte de seu estudo do cristianismo, encontrou muitas coisas que já lhe eram conhecidas. Mas, então deparou-se com algo que o surpreendeu e para o qual Platão não o havia preparado: "o Verbo se fez carne e habitou entre nós".
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Aqui ele encontrou, e nós encontramos, a idéia essencial e notavel que está no centro do Cristianismo. Em nossa busca de entendimento, todos nós ansiamos por saber qual é a resposta final. Como é de fato a realidade mais profunda? Como é Deus? Estas parecem perguntas profundas demais para ser respondidas por nossa frágil mente humana. No entanto, Deus agiu no sentido de respondê-las para nós. Ele se fez conhecer da forma mais simples e acessível vivendo a vida dos homens em Jesus Cristo. Você quer saber como é de fato o Deus do ser e do vir-a-ser, Aquele que mantém a ordem do universo e cuja providência está em ação dentro da história dele? Se realmene quiser saber a resposta, olhe para Jesus Cristo, a forma viva e pessoal do Verbo de Deus.
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Paz de Cristo

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Uma boa Oração

"Deus Eterno, és a luz das mentes que te conhecem, a alegria dos corações que te amam e a força das vontades que te servem.
Concede-nos muito conhecer-te para sinceramente amar-te, e muito amar-te para sinceramente servir-te, a quem servir é liberdade perfeita"
(Agostinho de Hipona)



Paz de Cristo

Judgment Day: Inteligent Design on Trial

DocumentárioZÃO de 2 horas sobre o julgamento de Dover!

Muito, muito bacana!!



Paz de Cristo

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

II Encontro de Reflexão Sobre Miseria e Desigualdade


Já tive a oportunidade de ouvir tanto o Jung Mo Sung quanto o Milton Schwantes e acho que esse pode ser um programa muito bacana.

Paz de Cristo

sábado, 12 de setembro de 2009

A ciência é uma opinião?

Faz algumas semanas tive uma discussão com um colega uspiano a respeito do valor da ciência. Segundo ele o desenvolvimento e andamento da ciência não dependia dos dados e informações conseguidas do mundo natural através de observação e experimentação, tanto quanto dependia da lábia e argumentação dos pesquisadores (com ou sem os tais dados). Para esse meu colega, o fato de que o conhecimento cientifico não é, nunca absoluto e que teorias hoje vigentes, amanha serão descartadas corrobora a idéia de que a ciência é, meramente, uma opinião sobre o funcionamento do mundo natural, tão boa quanto qualquer outra.
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Bem verdade, o conhecimento cientifico não é absoluto. O que hoje é consenso no meio cientifico, amanha pode muito bem ser descartado e/ou jogado no lixo. Também é verdade que, por mais que o cientista queira, ele não pode se desvencilhar totalmente da sua pesquisa. De um jeito ou de outro suas opiniões semrpe acabam aparecendo nas entrelinhas dos artigos que ele publica e palestras que apresenta. Tudo isso é verdade sim.
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Agora, eu particularmente acho muito esquizita essa história de a ciência ser só uma opinião que depende da lábia do pesquisador mais do que dos dados. 100% dos pesquisadores que eu conheço se dedicam muito mais a observação e experimentação da natureza do que em ter aulas de oratória e retórica! Se a ciência depende da coerencia do argumento e não da observação da natureza, isso não faria daquelas pobres almas que passam dia e noite nos labroratório sem contato com o mundo exterior, fazendo PCR, cultura de células, eletroforeses e etc, meio idiotas? Eles não deveriam estar aprendendo dialetica retórica e oratória? Pra que perder tanto tempo tentando padronizar uma metodologia, pipetando de forma repetitiva, vã e desesperadora para estimar a atividade de alguma enzima ou outra? O próprio fato de que naturalistas raramente são socialmente -habeis e são estereotipados como sociopatas, antisociais sem o menor tato em ocasiões sociais deveria dar uma pista de que a capacidade argumentativa é secundaria em relação a experimentação e observação.
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Pode até parecer coerente para o pessoal “de humanas”, mas quem trabalha “na bancada” sabe muito bem: aí tem coisa! (não quero ofender o pessoal “de humanas”, muito pelo contrário! Quem me conhece melhor sabe o quanto eu invejo vocês e o quanto não me dou bem com o trabalho “na bancada”. Sou um grande inimigo da bitolação que róla em alguns cursos e a falta de dialogo com pessoas que pensam diferente, por isso quando falo do “pessoal de humanas”, não falo pejorativamente. Repito que invejo vocês e aprendo constantemente e muito com o jeito “humanas” de pensar).
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Particularmente, eu não entro em aviões que voam a mais de 10.000m de altitude, não me submeto a cirurgias cardiacas, não tomo drogas com efeitos colaterais potencialmente graves, baseado em meras opiniões! Se a ciência é baseada em retória e boa argumentação e não é um jeito de explicar como a natureza funciona, então um camarada tem que ser MUITO corajoso antes de tomar antibioticos, embarcar em um avião, automovel ou mesmo elevador! Alguem poderia me acusar de ter “muita fé” na metodologia cientifica, mas é ironico que são as pessoas que duvidam, duvidam e duvidam do metodo cientifico que parecem agir por fé!
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A ciência se baseia sim, em primeiro lugar em observação e experimentação. Ela não é absoluta, mas ela tem um valor maior do que uma opinião!
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Exemplo: tenho um tio que não acredita que cigarros causam cancer! Ele cita, de novo e de novo o exemplo de uma tia-avó distante que fumava, por dia, 3 maços de Malboro vermelho sem filtro, e morreu, aos 86 anos atropelada por um caminhão de lixo. Ele, a seguir, contrapõe esse exemplo ao de um outro parente distante que só comia comida macróbiotica, era celibatário e nunca ingeriu uma gota de álcool e nunca pos um cigarro na boca. E morreu aos 32 de cancer fulminante nos pulmões!
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Tais exemplos são interessantes (e meio bizarros). No entanto, estatisticamente, tratam-se de pontos fora da reta! A partir da metodologia cientifica posso virar para o meu tio e dizer que ele esta ERRADO! Não se trata de que ele tem uma opinião e eu outra e que ambas são igualmente válidas. Estudos feitos com as substancias quimicas liberadas pelo cigarro, analise estatistica da ocorrencia de cancer em fumantes, e muitos outros estudos mostram claramente que ele esta errado. O poder da ciência consiste justamente em dizer coisas a respeito do mundo natural! Talvez amanha a historia toda mude e a gente descubra que não são as substancias contidas no cigarro que causam cancer, que talvez a coisa toda seja bem diferente - o conhecimento cientifico não é absoluto nem dogmatico... nem um pouquinho - ainda assim, a relação entre o tabagismo e o cancer vai pedir por uma explicação. Particularmente, creio que o universo é Criação de um Deus bom e perfeito e nessa condição apresenta regularidades e ordem em um nível que nós humanos podemos perceber e descobrir. Nesse sentido, a ciência é uma benção de Deus e pode – como de fato ela faz – nos levar a um melhor entendimento acerca do mundo natural, a despeito de suas limitações (e existem montes de limitações). Não se trata, em primeiro lugar, de uma opinião que toma emprestado observações do mundo natural, mas uma metodologia que tenta explicar o mundo natural.
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OK! Então por que teorias estão sempre sendo revisadas, alteradas, por que o que era valido até ontem, hoje está errado? Se a ciência se baseia, em primeiro lugar, no mundo natural, e o mundo natural não se altera, então por que a ciência esta sempre se alterando? Ótima pergunta! Foi exatamente a pergunta que meu colega me fez na fila do bandejão. Infelizmente essa história de perceber regularidades no mundo em que vivemos não é assim tão fácil, e ao longo dos anos nós, apesar de sermos muito bons nisso, viemos trombando com sérias dificuldades. Por isso, na medida em que aprendemos mais a respeito do mundo temos, constantemente que rever aquilo que já sabemos. Se alguém for depender apenas de seu senso comum, vai achar, a principio, a idéia de que a terra é plana bastante sensata. Observações mais detalhadas e essa mesma pessoa chegara a conclusão de que a terra tem uma curvatura. Mais tecnologia, satelites e aparelhos de medida e essa pessoa vai descobrir que a terra tem um formato eliptico.
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É assim que a ciência avança, não sem seus entraves, mas sempre partindo da observação e experimentação e não de opiniões prévias, gostos e desgostos. Eu já falei a cima que os gostos, desgostos e opiniões do pesquisador acabam fazendo a diferença. Não há como se livrar deles. Em temas controversos é comum que as opiniões se dividam e as “provas” não sejam conclusivas. Nesses casos a tendencia é que cada um puxe a sardinha para o seu lado. Em outras partes no entanto, as provas são, de fato conclusivas. Consensos cientificos não são conseguidos com retórica e argumentação, mas com observação e experimentação e é assim, em ultima analise que tretas cientificas são solucionadas, e é também por isso que, embora a empreitada de fato avance, ela esta constantemente sendo alterada, revista e corrigida.
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Prevejo um ou outro comentário a esse post, falando –e com razão- acerca das limitações da metodologia cientifica. Eu e o Silas (do intelecto voador, não o Silas do Disturbios Sociais) volta e meia falamos sobre isso e, da mesma forma que o Silas, esse amigo com o qual eu discuti acerca da metodologia cientifica, também tem formação em psicologia. Eu posso apenas imaginar (sópra citar m exemplo), o tamanho das tretas que surgem quando se tenta, cientificamente, transformar a própria mente humana em objeto! Nesse caso as limitações são claras e eu não vou defender a metodologia cientifica como todo-poderosa frente a essas –e muitas, muitas outras - limitações, ela não é. No entanto, para explicações acerca do mundo natural, orbita dos planetas, fisiologia digestiva de insetos, ontogenia, reações de combustão, a charge é bem clara: "Science: It works bitches". Minha opinião particular é bem menos ofensiva e tem muito a ver com minha visão de mundo: "Ciência: funciona, graças a Deus".
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Paz de Cristo

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

E você, já está perdendo o sono?

Desculpe caro leitor! Não gosto de provocações on-line, muito menos acerca de futebol, mas ontem no supermercado tive a oportunidade de ouvir uma conversa que eu resolvi comentar. Não levem o comentário mais a sério do que o que seria sensato - o que meio que quer dizer: não levem o comentário a sério.

Aconteceu em um supermercado na Praça Panamericana. Eu estava comprando alguns mantimentos que mamãe havia pedido, e não pude deixar de ouvir o dialogo entre um senhor levando um carrinho de compras e o atendente que ficava atráso do balcão de frios. O senhor estava falando em um tom bem alto:

" - Onde já se viu! Ganharam três jogos e já estão chamando a gente de freguês! Já se esqueceram que ficaram sete [sic] anos sem ganhar da gente!"
" - É verdade!"- o atendente educado apenas concordava com tudo que o senhor com o carrinho de compras falava.
" - Mas eles vão ver!" - continuou o senhor - "Ah sim! No dia 27 eles vão ver o que é bom!"

Fiquei intrigado ao ouvir a conversa! Que história era essa de dia 27? Cheguei em casa e fiz uma busca no google que confirmou minhas suspeitas: "DOM, 27/09/2009 - "brasileirão 2009 - 26ª rodada 16h:00 São Paulo x Corinthians".

Não quero contar vantagem, e nem tecer comentários sobre o classico que vai acontecer daqui a umas 4 rodadas (!!). Muito pelo contrário, acho que o São Paulo, em melhor fase e com chances maiores ao titulo, tenha um certo favoritismo em relação ao Corinthians. O que me impressionou foi a antecipação e ansiedade nos olhos daquele moço. "Eles vão ver, no dia 27!" foi o que ele disse e seus olhos brilharam. fiquei imaginando quantos torcedores já não tem marcados em suas respectivas agendinhas a data o confronto dos respectivos times com o Sport Clube Corinthians Paulista. E o pensamento me faz sorrir ironicamente diante do sono perdido e unhas roidas por causa do time que eles mesmo insistem em denegrir.

Para não faltar com a verdade, confesso que espero com uma exaltação um pouco maior por alguns confrontos do Timão. Em especial Gremio, Flamengo e Palmeiras, times que venceram o Corinthians no primeiro turno do brasileirão (não que eu faça a menor idéia do dia e/ou rodada que tais confrontos irão acontecer)... Ah sim, e também já marquei no calendário o dia 27 de setembro!

Vai Corinthians

Fiquem na Paz

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Filminho Parte 2: Alister Mcgrath


Alister McGrath fala sobre ateísmo, ciência e a fé Cristã que ele descobriu
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Paz de Cristo

Filminho Parte 1: Douglas Futuyma

Video com Douglas Futuyma, com legendas em alguma lingua estranha....

II. Evrim, Bilim ve Eğitim Sempozyumu - D. J. Futuyma from Universite Konseyleri on Vimeo.




Paz de Cristo

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Fred Hereen: "Mostre me Deus" -- Será que é bacana?

Acabei de ficar sabendo AQUI que o Jornalista cientifico Fred Heeren lançou seu novo livro no Brasil: "Mostre me Deus". Aparentemente o autor veio até o Brasil para lançar o livro e até deu algumas palestras em agosto (caramba eu perdi!).

O livro parece tratar de astronomia e as origens do universo e sua relação com doutrinas e ensinamentos Cristãos. Não sei até que ponto o livro o livro entra nas questões relativas às ciências biologicas tidas, por muitos, como mais indigestas, mas, na minha opinião, mais interessantes e ricas. Mas, sem dúvida fiquei interessado!

Com tantas obras de apologetica Cristã que se revelam pseudo-cientificas e/ou anti-cientificas por aí, estou meio com o pé atrás a respeito desse lançamento, mas, pelas informações que encontrei acerca do livro, e pela olhadela que dei nos artigos publicados pelo seu autor, estou esperançoso de que essa obra possa, ao contrário de tantas outras com a mesma temática, construir pontes ao inves de destrui-las. Quando eu conseguir 50 pilas para comprar o livro e o tempo para lê-lo falo para vocês as minhas conclusões.

Por enquanto fiquem com esse instigante filminho:



video

Paz de Cristo

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Evolução, 'Boas Novas' e Integridade: Breve entrevista com Michael Dowd

Chupinhei DESSE SITE, essa breve entrevista com Michael Dowd, autor do livro "Thank God for Evolution".

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Essa é a primeira vez que eu paro para ouvir o Michael Dowd falando (já tinha ouvido falar dele). Ele tem umas idéias pra lá de interessantes que integram os ensinamentos do Evangélho a própria natureza humana e sua história biológica.

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Não concordo com tudo que ele diz não! Acho que o conhecimento da nossa natureza humana, da história da vida e como ela se desenvolve, são extremamente relevantes para nós hoje, e tem sim implicações na nossa religião (pelo simples motivo que tem implicações na nossa forma de ver o mundo). Achei muito, muito legal, por exemplo, o que ele fala sobre os instintos humanos e sobre os efeitos do aumento na concentração de testosterona de pessoas que 'aumentaram seu status'.

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Mas, particularmente vejo esses conhecimentos como complementares com aquilo que a fé Cristã tem dito acerca da vida e Espiritualidade humana. Dowd, ao contrário, fala de uma 'revolução' da nossa maneira de ver essas mesmas doutrinas Cristãs que eu, e muita gente, consideram importantes -e até centrais - para a fé.

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Ainda assim, vamos sentar e ver o que o homem tem pra dizer, já disse e repito que o filminho é interessante e pode ser a base para um dialogo bastante produtivo.

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Ah... E se alguém aí acha que não tem jeito de complementar fé com ciência, eu recomendo um devocionalzinho pra lá de bacana: "Um Cientista lê a Bíblia" de John Polkinghorne. Para mim tem sido inspirador.

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O filminho tem só uns 10 minutos:
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Paz de Cristo

domingo, 23 de agosto de 2009

Mais sobre insetos


Já faz tempo quero escrever um pouquinho sobre meu apreço pelos prolificos animaizinhos conhecidos como insetos. Muitos perguntam com ironia: "por que Deus criou os pernilongos? Ou as moscas?" Mais do que justificar esses animais que parecem tão pouco interessados em serem justificados de sua chatisse. E que permanecem sendo irritantes justamente pelo fato de serem eles (e não os leões e os ursos) as verdadeiras feras indomaveis da natureza. As vezes penso em escrever um texto para tentar ensinar as pessoas a aprecia-los, mesmo os mais irritantes e nojentos.

Olhem eles mais de perto, são magnificas máquinas de sobrevivência, e são vitais para a sobrevivencia de tudo que é ecossistema na terra como o conhecemos.

Minhas reflexões vão ter que esperar um pouco, mas gostaria deixar com os leitores esse trecho do livro "A Criação" de E. O Wilson, no qual ele fala um pouquinho da importancia dos insetos. E explica, de forma terrível a apocaliptica, o que aconteceria se os insetos sumissem, de um dia para o outro da face da terra.




“Merecem mais respeito essas coisinhas minusculas que governam o mundo. A diversidade dos insetos é a maior já documentada entra todos os organismos: em 2006, o número total de espécies classificadas era de 900 mil. O número verdadeiro, somando as espécies já conhecidas e as que ainda estão por conhecer, pode ultrapassar 10 milhões. A biomassa dos insetos é imensa: cerca de 1 milhão de trilhões de insetos estão vivos a qualquer momento. Só as formigas, que talvez totalizem 10 mil trilhões, pesam aproximadamente o mesmo que todos os 6,5 bilhões de seres humanos. Embora essas estimativas ainda sejam rudimentares (falando generosamente), não há dúvida de que os insetos estão no alto da cadeia animal em volume físico total. Seus rivais na biomassa são os copepodes (minúsculos crustáceos marinhos), os ácaros (pequeninos artrópodes semelhantes a aranhas) e, bem no ápice, os incríveis vermes nematóides, cujas vastas populações, provavelmente representando milhões de espécies, constituem 4/5 de todos os animais da terra. Será que alguém acredita que essas pequeninas criaturas existem apenas para preencher espaço?

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As pessoas precisam dos insetos para sobreviver, mas os insetos não precisam de nós. Se toda a humanidade desaparecesse amanha, não teríamos, é provável, a extinção de uma única espécie de inseto, exceto 3 formas de piolhos que se aninham na cabeça e no corpo humanos. Mesmo assim, continuaria a existir o piolho-dos-gorilas, uma espécie bem próxima do parasita humano, que permaneceria disponível para perpetuar pelo menos algo próximo da antiga linhagem. Dentro de 2 ou 3 séculos, se o ser humano já tivesse desaparecido, os ecossistemas do mundo iriam se regenerar, voltando ao rico estado de quase equilíbrio existente a cerca de 10mil anos atrás – menos, é claro, as muitas espécies que levamos a extinção.

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No entanto, se os insetos desaparecessem, o meio ambiente terrestre logo iria entrar em colapso e mergulhar no caos. Imaginem os vários estágios desse cataclismo, tal como iria se desenrolar nas primeiras décadas:

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A maioria das plantas que dão flores – as angiospermas - , privados de seus insetos polinizadores, para de se reproduzir.

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Entre elas, a maioria das espécies de plantas herbáceas decresce até a extinção. Os arbustos e as árvores polinizados por insetos sobrevivem mais alguns anos, ou em alguns casos raros, até séculos.

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A grande maioria dos pássaros e outros vertebrados terrestres, privados da sua alimentação especializada de folhas, frutos e insetos, segue as plantas e caí na extinção.

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Desprovido de insetos, o solo não é revolvido, o que acelera o declínio das plants, uma vez que são os insetos – e não as minhocas, como em geral se pensa – os principais encarregados de remexer e renovar o solo.

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Populações de fungos e bactérias explodem e prosseguem no auge durante alguns anos, enquanto metabolizam o material das plantas e animais mortos, que vai se acumulando.

Os tipos de relva polinizados pelo vento e um punhado de espécies de samambaias e coníferas se alastram pela maior parte das áreas deflorestadas e depois conhecem algum declínio, a medida que o solo se deteriora.

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A espécie humana sobrevive, mas volta a viver de grãos polinizados pelo vento e de pesca marinha. Porém, com a fome generalizda durante as primeiras décadas, as populações humanas decaem para uma pequena fração de seus níveis anteriores. As guerras pelos controle de recursos cada vez mais escassos, o sofrimento, o declínio tumultuado para um barbarismo da idade das trevas seriam sem precedentes na história humana.

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Apegando-se a sobrevivência em um mundo devastado, e aprisionados em uma verdadeira idade das trevas do ponto de vista ecológico, os sobreviventes iriam rezar implorando a volta das plantas e dos insetos." (E. O Wilson).


Paz de Cristo