quinta-feira, 25 de junho de 2009

A pequena, O Corinthians, Tilllich e Mastral e o diálogo na fé Cristã. Ou “A História do Embuá Branco parte II”

Esse constitui o “outro post” do qual falei durante a “história do Embuá Branco”

Do pedaço daquilo que eu sou que se chama Corinthians, minha pequena nunca entendeu. Tantas vezes em seu colo verti lágrimas por conta do Corinthians [1], com tanta paixão que para ela deve ser como se eu estivesse chorando por causa d’alguma amante. Lá em seu colo. Procuro manter, sempre, bem claras minhas prioridades, suportando e curtindo o pedaço daquilo que eu sou que se chama Corinthians com o máximo de ‘religiosidade diletante’ e o minimo de fundamentálismo possível. Com o coração apertado mas isento de idolatria. Ainda assim, de forma velada, o mal entendido persiste (corro o risco de ser muito mal interpretado nesse post, por exemplo).

Ela não entende (tricolores as vezes não entendem). Sua incompreensão é tanta que quando seu time é derrotado sua reação é bem outra. Talvez por que eu seja um grande idiota, não é incomum entre corinthianos que beiram o retardamento mental (não se assustem, me mantenho razoavelmente civilizado).

De qualquer forma esses primeiros paragráfos foram escitos só para ilustrar uma diferença de pensamento intrinseca existente entre mim e a pequena (ah e pra fazer um pouco de “AUÊ” com meu Timão, fazia tempo não falava dele). Se a coisa toda ficasse por aí talvez a coisa toda fosse mais fácil, mas as diferenças vão mais além. Poderia salientar as diferenças entre Homem X Mulher; Esquerda X Direita; bairrista da zona Oeste X bairrista da zona Sul e tantas outras. No entanto, o que tem me tocado o coração quando falo com a pequena, bem como nas minhas andanças por aí são nossas diferenças em enxergar e mesmo viver a fé Cristã (já falei um pouco disso aqui).

Descrever e pontuar de forma exata nossas distinções seria meio “sacal”. Basta dizer que ultimamente, cada vez mais, apontamos o nariz para aspectos diferentes de nossa fé.

Eu sou um Cristão que às vezes hesito em me descrever como evangélico (e não sou o único), falo mais palavrões do que devia, ando meio anti-clerical, flerto sem medo com as mais diversas idéias teologicas. Acabei de ler um livro sobre pedagogia libertária e estou doidinho pra ler “Ortodoxia Generosa” e “Cristianismo Pagão”. Um “Nó Cego” exemplar. Se me deixarem passo o dia falando sobre Deus, biologia evolutiva e o Corinthians (interesses que deram origem a esse blog).

A pequena não hesita! É evangélica e acha importante que a mulherada use veú durante as celebrações. Acredita e defende com unhas e dentes a instituição igreja, não gosta que eu fale palavrão, mas deixa escapar um de vez em quando. Ela anda ouvindo muito Megadeth e lendo muito de um cara chamado “Daniel Mastral” que anda influenciando ela bastante. Se deixarem ela passa o dia falando de Deus, anjos, demônios, ministração, o Mastral e o Dave Mustaine.

Às vezes meu coração fica pesado, a pequena me ensina muito (MUITO) a respeito do que é seguir a Cristo, e caminhamos juntos. Sinto que temos seguido caminhos diferentes em relação a fé Cristã e, embora discorde dela lá e cá, não creio que nenhum de nós dois estejamos ' errados'. Vejo que se aprendermos a trocar idéias possamos ter uma vivência Cristã mais rica.

As vezes meu coração fica pesado e eu fico encafifado. Mas desde que comecei a escrever esse post (no domingo), recebi duas respostas em relação a isso! A primeira, mais importante, veio de São Paulo em sua Carta aos Corinthios:

“Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer” (1Corinthios 1, versículo batatinha).

Não sei bem o que tirar de tudo isso. Paulo pode, a primeira vista, parecer um bobão, mas quem lê o capítulo todo sabe que o homem não está falando de robozinhos ‘uni-partidários’, está falando de Cristo.

Não concordo com Mastral, a pequena não concorda com Tillich, mas isso não importa frente a Jesus Cristo! Integração não é sinonimo de invariabilidade estática [2]. É o compromisso de amar e de negar-se a sí mesmo que rege a vida de quem quer seguir a Cristo. Ser “de Paulo”, “de Apolo”, isso tudo não existe! Me lembra aquele trecho de Atos: E era um o coração e a alma da multidão dos que criam...” (Atos 4: trinta-e-poucos). Pode parecer facil, mas não é! É verdadeiramente difícil! Pois implica em diálogo em vez de debate e em ouvir, ser ouvido, falar e deixar falar. E eu ainda não consegui fazer direito (uma crentinice sem dúvida).

Me parece claro que buscar o Deus que não dá pra entender é muito mais valido do que entender o Deus que não dá pra buscar (pois é Ele quem busca e Ele que se apresenta). Abobrinhas, essas sempre vão existir e eu perco sono com elas (literalmente). Eu e a pequena lutamos para se entender e para fazer dessa comunidade chamada de “Cristianismo” uma coisa melhor. É assim que tenho tentado interagir como Cristão, onde quer que eu vá. A pequena continua me ensinando, e continuamos caminhando juntos, em Amor, em Fé e em Esperança.

Termino com a segunda opinião que recebi de um colega, essa mais ousada, mas que também ouviu os conselhos de Paulo. Embora não reflita necessariamente minhas opiniões, me deu um pouco pra pensar:

“Emiliano, o Teólogo protestante Paul Tillich irá conformar o evento Jesus Cristo como doador da História, des-alienando-O da cultura hebraíca que o pensou, e O situando no Meio da História, doador da História, o Símbolo perfeito do Pai que harmonizará as três dimensões do tempo e da história: passado, presente e futuro, e entre o tempo e a eternidade, entre o divino e o humano.

Em Jesus se realiza a Humanidade Essêncial e não a Existencial.

E esta conformação da História ao Evento Jesus Cristo, santifica todo o sentido simbólico de Sua humanidade, estendendo-O à toda Sua manifestação do divino, presente entre todas as culturas, em todas as dimensões temporais.

Se professamos Jesus Cristo como sentido das nossas vidas, haveremos de O conceder a todas as pessoas que são simbolizadas nele, e por Ele passam a ser divinas, porque de outro lado , Jesus seria o refém de um povo, o hebreu, o que não foi historicamente, ou refém de um Livro, o que contradiz o Seu sentido Simbólico de ser a Revelação de Deus.

E se cremos que Deus é tudo , então devemos ter a coragem de aceitar Sua totalidade nas várias crenças .

Você quer reduzir à pluralidade de Cristo nas várias manifestaçãoe do cristianismo, eu quero dar um passo além e ver Jesus Cristo em todas as manifestações onde o Homem busca sua ligação com o Divino.
Porque, ao contrário, meu caro amigo Emiliano, Jesus não seria Tudo em Todos como diz Paulo, seria um refém de nossas idiossincrasias , de nossos desejos de nos apropriarmos de um evento que envolveu tudo e todos, por ser Alfa e Omega, por ser o Principio e o Fim de todas as coisas e de seus sentidos.

Um passo corajoso, mas é assim que eu ando pensando a Teologia, no seu aspecto simbólico, que trata do divino que é o Ápice e não rés, do nosso chão e quadradinho.

Paz e Bem !”





é isso aí amig@s

Amo vocês

Paz de Cristo

[1] me vem a memória o dia dos namorados que caiu no dia seguinte a derrota do Timão para o Sport de Recife na Copa do Brasil de 2008. Mesmo que esse ano, com o Inter, a história se repita. É bom que o dia dos namorados já tenha passado a algum tempo...

[2] dúvida? Estude genética quantitativa.


3 comentários:

K-roll disse...

Eu! Eu vou comentar!!!! Bom...primeiro de tudo eu tinha q comentar já q sou parte integrante do post! Tenho q dizer como 1ª ressalva que falta uma foto (linda!!) do Mustaine (lindooo!!!!)
Tenho q dizer q os livros do Mastral são bons sim e me edificaram! Não só a mim pois sei que edificaram a mtos outros tb. E antes que alguem me venha com o velho clichê de " vc lê o livro do fulanto mas não lê a biblia" Para vc q pensa assim a resposta é simples: Já li a bíblia toda e vou ler mais e mais!Quer conversar sobre?!

Eu e o ogro temos nossas diferenças sim...e nos damos bem com elas, aliás, acho que nos apaixonamos justamente por causa delas...mas quanto as divergências sobre teologia, isso nós não sabíamos qndo nos apaixonamos e essa foi uma diferença q surgiu com o tempo. E justamente por isso tivemos q ser maduros para nos aceitarmos e principalmente para não brigarmos. O ogro na verdade é um doce de pessoa e raramente se exalta a esse ponto. Eu...bom...eu já sou uma chata e teimosa e não para de metralhar argumentos até convencer minha vítima! Confesso q foi mto bom conversa e aprender com ele e ver que nem sempre estou certa e nem ele. E por isso acho q nos damos mto bem, pq nos aceitamos e de + a + são apenas idéias...E essas conversas são mto instigantes e acredito que elas nos fazem crescer mto como casal e espiritualmente tb. Somos templo um do outro e cada vez mais pastores um do outro.

Agora sobre esse fulano que escreveu um email pro Emi, descordo completamente!!! Nem vou comentar aqui pra não ficar chato....hahahahahha

Bjos meu xuxu!!! =)

Carlos disse...

Creio que crer é passivel de criarmos uma atmosfera que nos traz a uma zona de conforto. Ora bolas, nobre amigo corintiano, a fé ditas regras, queremos ou não.

Creio que você ja percebeu que eu, (Coxinha nas horas vagas) creio que cristianismo e religião são papos extremamente diferentes.

Mas voltando ao assunto fé, que queira ou não é o asunto sublimar de vosso texto é um assunto complexo... e a fé nobre amigo, não esta nos livros e nem na biblia, a fé esta no relaconamento sobrenatural entre você e Deus!

Ai que mora o religare, que alguns teimam em chamar de religião! Que se dane a Religião (afff) Deus pocura adoradores e não pseudos teologos que teimam em normatizar Deus!

Você cita em seu artigo alguns livros que norteiam a fé... ora, padronizar a fé? Teologia generosa? Teologia da libertação? Teologia da prosperidade? Teologia do galo doido? Teologia do timão?

Quem pode padronizar Deus colocando-o em uma mera e insiginificante teoria teologica? Não sou contra o estudo de Deus, mas eu não compreendo como eu, um zé mané comedor de queijo, arroz e feijão pode sistematizar o criador de tudo!

Eu nem consigo as vezes definir psicologicamente um ser humano quiça a Deus! Cara complicado...

Enfim... Seu blog é dos bons!!

Abraços do coxa!

Emiliano M disse...

Caro Coxa!

Desculpe amigo! Só agora, mais de 2 semanas depois, ví seu comentário!

Será que tem como eu ser alertado toda vez que pintar um novo comentário no blog? Bem... Enfim...

Se você leu o blog, viu que volta e meia eu caio e me perco na sindrome do 'pseudo-teologo comedor de queijo'. Desde que resolvi seguir a Cristo pra viver (ou vice-versa), Teologia é um assunto que me fascina.

Sei bem que colocar O Deus Criador em uma caixinha (seja ela qual for) é coisa de gente boçal. Ainda assim, creio que pensar sobre Deus e pensar Deus pode ser uma coisa bastante gratificante pra cabeça e coração! Acho que por isso eu tenho mergulhado em tantos livros, alguns dos quais fazem coro com a sua indignação frente a minha tentativa de 'sistematização' das coisas da fé.

Curti muito seu comentário Coxa! Vou guarda-lo comigo nos próximos posts no blog. Talvez ele seja um passo para saber administrar o tal dialogo (você que frequenta o Y!R sabe que farpas são, as vezes, inevitáveis)

Fica na Paz de Cristo amigo!

(e boa sorte para o Galo)