sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Depois de semanas olhando para a tela branca, um "sifú" me faz ressurgir a inpiração

ITALO NOGUEIRADA
SUCURSAL DO RIO
(retirado do caderno "Dinheiro da Folha de S. Paulo de 5 de dezembro de 2008)
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"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o mercado financeiro, ao pedir ajuda ao "Estado que eles negaram durante 20 anos", age como um "adolescente" após sofrer uma "diarréia". Ele se comparou a dom Quixote, o sonhador personagem de Miguel de Cervantes, por pregar o consumo durante a crise.
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Em um discurso de 45 minutos repleto de metáforas, Lula ilustrou sua "campanha" pelo consumo com a história de um paciente."Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? "Você tem um problema, mas a medicina já avançou demais. Vamos dar tal remédio e você vai se recuperar". Ou você diria: "Meu, sifu" [corruptela da expressão vulgar "se fodeu']".
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Na transcrição do discurso no site da Presidência, a frase foi reproduzida desta maneira: "Meu, (inaudível)".
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Lula falou da crise no lançamento do Fundo Setorial do Audiovisual, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio. Em tom ora irônico, ora revoltado, o presidente comparou a relação entre Estado e mercado à de pai e filho.
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"Era preciso vender todas as empresas do Estado, mandar muito funcionário embora, aumentar tempo do trabalhador no trabalho, porque se aposenta com pouco tempo, e daí afora. O Estado não vale nada, só gasta. (...) Filho de 16 a 21 anos não precisa de pai nem mãe. Eles são onipotentes. Querem sair quando quiserem. Querem todo o dinheiro da gente e, por mais que a gente dê, acha que é pouco. Ou seja, o Estado é careta, não sabe de nada, não é moderno, não gosta de funk, rap... Filho, quando tem dor de barriga, gripe, não tem dinheiro, volta para casa. O que aconteceu com o famoso mercado onipotente? Quando o mercado tem uma diarréia, quem eles chamaram para salvá-lo? O Estado que eles negaram durante 20 anos."
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Ao incentivar o consumo na crise, Lula disse que trabalhadores serão demitidos se pararem de comprar. "Você tem o trabalhador da fábrica, que está ouvindo falar em crise. Ele fala: "Não vou comprar um carro porque posso perder meu emprego. Se eu perder o emprego, eu estou ferrado". Precisa alguém dizer que ele vai perder o emprego exatamente por não comprar. (...) Às vezes eu me sinto como o dom Quixote, sozinho tentando pregar um otimismo de uma coisa muito prática, que é fazer a economia girar."
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Meu Comentário:
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Em primeiro lugar: Adorei o "sifú"!

Infelizmente não gosto nada das soluções até agora apresentadas para a crise... Mais infeliz ainda é que, como não manjo do assunto, não consigo propor uma alternativa.

Continuar consumindo, consumindo, consumindo, claramente não é a solução. Não podemos esquecer que o Brasil tem uma treta muito grande com a sustentabilidade ambiental. Pelo que tenho ouvido e lido (sem qualquer aprofundamento), o governo realmente não tem dado a devida importância a esse problema. A despeito do que dizem as noticias, acho que preservação ambiental aqui no Brasil ainda é muito "coisa pra ingles ver". Na hora do "vamos ver" o que acontece é que desmatador é anistiado, e áreas de preservação permanente viram, magicamente, áreas de preservação "facultativas".

O ministério da agricultura também só quer fazer crescer a produção sem utilizar os recursos de forma inteligente (porque afinal, recursos tem de sóbra! Pra que ficar regulando?)

Bem, posso ter viajado, mas as relações entre economia e sustentabilidade são o assunto "da moda" (ou eram, até a tal crise se instalar). É engraçado, como esses assuntos de suma importancia entram e saem "de moda". O barbudo (e eu tenho que falar: gosto muito do barbudo), não mencionou sustentabilidade no seu discurso né?

Mas voltando ao ponto: para ser sustentável tem que se consumir menos. Consumir menos significa crescer menos. E aí? Cá eu pergunto: Crescer prá que? Crescer prá onde?

Não ter medo de consumir pode ajudar agora na crise, mas eu fico besta com todo esse progresso e desenvolvimento malucos (tem uma música do Bad Religion chamada "Progress" que meio que ilustra o que eu sinto).

A solução, eu comecei o texto dizendo que não tenho, mas tenho esperança de que um viver Cristão, aliado a um viver consciente, possam ser um bom começo!

E é isso que eu tenho a dizer, uma enorme "chuva no molhado" que apresenta como solução teorica "Atos 2" e espera ansiosamente uma solução prática (eu nunca fui um cara muito prático nem pragático).

Mas eu repito, um viver Cristão e consciente, creio eu, ajudam muito. E um viver Cristão consciente é, por definição, um viver generoso (pra burro) e um viver não consumista (anti-consumista, na minha humilde e radical opinião).


... Agora, o "sifú" foi legal

Paz de Cristo

Um comentário:

karoll disse...
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