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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sobre as afirmações de Stephen Hawking

Eriçou minha curiosidade, nessa semana que passou, o lançamento do novo livro de Stephen Hawking, no qual, entre outras coisas, ele dispensa Deus na origem do Universo. Em meio a citações do físico mais popular da atualidade dizendo que o "porque existe uma lei como a da gravidade, o universo pode e ira criar-se a sí mesmo do nada" (tirado DAQUI, tradução livre), acabei me deparando com muita gente jogando confete, muita gente metendo o pau e muita pouca gente que tinha -de fato- lido o livro do homem. A coisa toda me deixou com a pulga atrás da orelha...
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Do que estamos falando?
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Cá eu, não sei nem o que é 'Teoria M'. Também não lí o livro do homem, e seria sabio da minha parte, talvez, me abster de escrever um post longo e maçante sobre esse assunto, atacando a ciência que eu não entendo ou defendendo minha fé de suas garras (sejam lá quais forem, exatamente, essas garras). De fato, este post não tem essa intenção e nem existiria não fossem por duas coisas: A primeira delas é que, sem muita força, eu encontrei uma porrada de textos, filminhos e links bacanas acerca de toda a controvérsia que essa história levantou. A segunda é que um colega (um desses que a gente conhece pela net), pediu minha opinião a respeito dela. Acabei achando que isso tudo daria um post legal.
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Em primeiro lugar, tem esse filminho bacana, do físico teorico Sean Carroll (não confundir com o biologo Sean B. Carroll) trocando em miudos as afirmações de Hawking acerca do universo e de Deus (que eu tirei DAQUI). Acho que esse filminho é um bom começo para essa história toda:
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O universo, então, 'se cria sózinho'. A física moderna - Stephen Hawking nos informa - mostra que o universo, obedecendo suas próprias leis, pode (ou inevitavelmente ira) 'se criar a sí mesmo' e se desenvolver até o ponto que observamos hoje. Isso -segue o argumento- não deixa nenhum espaço para a 'intervenção divina'. Sean Carroll põe as cartas na mesa: você até pode acreditar em um deus, mas trata-se de um deus que não criou nada e simplesmente não interage com o universo. Trata-se, sem dúvida, de um deus que ninguém poderia remotamente confundir com, por exemplo, o Deus das religiões abraamicas.
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Minha opinião é:
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Baseado no modelo newtoniano mecanicista, Laplace afirmou que a hípotese de Deus era inutil. Com as bases (quem sabe, mais sólidas) da relatividade e física quantica, Hawking parece chegar às mesmas conclusões. Mas acho que aí justamente está o problema. Deus, segundo O entendo -se é que entendo- não é uma hipotese cientifica, Ele É uma pessoa. Assim, minha fé não é abalada pelo fato de que não existe nenhuma 'lacuna' no mundo natural na qual Deus pareça 'caber'. Se de fato, Hawking matou de uma vez por todas o 'deus das lacunas', acho que ele fez um favor à fé Cristã. O Deus que encontramos na Bíblia (seja a percepção que os judeus tinham de um Deus de poder no AT ou a percepção de Deus de Amor recebida pelos apostolos atráves de Jesus no NT) é de alguma forma distinto do Deus 'intelectualmente satisfatório' que aparece no final de uma linha argumentativa ao qual Tomás de Aquino dava ênfase.
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O universo 'funciona sózinho'. É claro que funciona! Ele não precisa de qualquer 'gambiarra sobrenatural' para funcionar. Eu acredito que a autonomia do universo está intimamente relacionada com Deus ter descrito sua criação como 'muito boa'. Não existe (ao que tudo parece indicar) nenhum canto escuro inexpugnável e inexplicável onde uma força sobrenatural deve ter atuado para que as coisas tenham seguido seu curso, O universo é capaz de se desenvolver sózinho.
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Ao mesmo tempo, não creio que a explicação de Hawking para a 'existencia de tudo' seja completa. Acredito profundamente que Deus está por detrás da elegancia dessa autonomia e que Ele a permita e a Sustente (Deus fez assim, e não deixou nenhuma "ponta solta"). É mais embasbacante para mim que o universo com regularidades tão 'simples' e 'elegantes' tenha a autonomia necessaria para se desenvolver desde seu principio, se organizar e, em algum (ns) cantinhos específicos, produzir vida e, na vida, a capacidade para evoluir às formas mais variaveis incluindo uma(s) capaz de reconhecer o seu próprio lugar no cosmos e buscar respostas acerca do sentido disso tudo. Longe de 'quebrar o encanto', a beleza que reconheço nesse processo todo alimenta de alguma forma a fé que professo, não com a certeza de uma hipótese corroborada, mas na percepção da beleza e da maravilha do cosmos. Trata-se de fé e não 'corroboração empirica', ainda assim, diante das próprias 'leis' que possibilitam a existência, seu desabrochar dinamico e vivo, considero minha opinião coerente.
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A Criação, eu creio, não possui pontas soltas que precisam ser remendadas de forma sobrenatural, não se trata tanto de que Deus 'não faz nada', mas antes, de que Deus faz tudo.
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Links, sites e opiniões interessantes
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Bem, essa é a minha opinião. Aliás, a resposta a cima foi exatamente o que escrevi, por email, ao camarada que perguntou minha opinião. Mas isso não é de forma alguma o final da discussão (muito pelo contrário, acho que pode até ser o começo).
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O blog da Scientific American também postou um texto bacana discutindo as afirmações de Hawking e a evidência de Deus.
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Ainda, o blog "Tubo de Ensaio" também postou (AQUI) sobre as afirmações e o livro do Stephen Hawking e prometeu se aprofundar no assunto em posts subsequentes. Marcio Campos nos explica que o 'nada' do qual, segundo Hawking, o universo inevitávelmente surge sózinho, não é bem 'nada', uma vez que necessita de regularidades físicas pré existentes. Ele escreve:
Quando os crentes dizem que Deus tirou o universo do nada, é nada mesmo. Se algo já existe, ou é, não estamos mais no nada ontológico. Um amigo, no Twitter, citou um exemplo tirado de um fórum ateísta: "cientistas já realizam uma creation ex nihilo, em laboratório, criando matéria do nada, apenas usando luz." Só esqueceram de avisar o sujeito que a luz existe, então não houve "criação a partir do nada". Da mesma forma, um amigo leitor do Tubo descreveu a situação nesses termos: se o que permite a criação "do nada" proposta por Hawking é a lei da gravidade, então não estamos no nada ontológico. Ainda que não existisse a matéria, nem a energia, existiria a lei e isso já é suficiente para não estarmos mais no nada. A única maneira de contornar o problema é não atribuir "ser" à lei. Mas isso simplesmente não faz sentido.
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Além disso, o blog também cita dois links, ESSE de um texto do Chicago Tribune, escrito pelo Pe. Robert Barron e ESSE de um artigo do Catholic Herald por Quentin de la Bedoyere. Vale a pena ler ambos.
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Por fim, o filmezinho abaixo (que eu também chupinhei do Tubo) apresenta uma conversa entre Alister McGrath e Jon Butterworth sobre o tal assunto:




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Bem, é isso. Apesar de as vezes achar toscas essas discussões, acho que nesse caso houve a oportunidade de explorar um pouco das fronteiras entre ciência e fé. Sei lá, me deu um pouco pra pensar.
Paz de Cristo


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Adicionado em 13/09/2010:

Acabei de ler, no BioLogos um texto do Karl Gibberson sobre as afirmações do Hawking. Ele foi públicado antes no The Huffington Post. Vale a pena ler: "Hawking’s Speculation: Everything Happens".

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Adicionado em 14/09/2010

Texto no site gringo da SciAm:

Cosmic Clowning: Stephen Hawking's "new" theory of everything is the same old CRAP

domingo, 22 de agosto de 2010

Meteorito

Tô pra lá da metade do livro ‘Milagres’ do C. S. Lewis.
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Muito bom sem dúvida, profundo e edificante, mas até aqui (e principalmente nos primeiros capítulos do livro) não pude deixar de franzir o cenho para algumas premissas e argumentos do autor. Nos capítulos subsequentes ele se aprofunda e a gente vê aqueles argumentos claros e cativantes que, volta e meia, servem como principio para reflexão, característicos do Lewis. Mas aquelas franzidas de cenho permanecem, um tanto indigestas. Isso não é de surpreender, claro. C.S. Lewis, do mesmo jeito que todo mundo, ás vezes falava besteira (de fato, o estranho seria encontrar um camarada que concordasse com tudo que o professor, estimado no meio Cristão, propusesse, sem criticas, ressalvas ou desenvolvimentos posteriores).

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A tal indigestão não veio em discodar do Lewis, mas naquela impressão engraçada de um mesmo ponto de vista abordado em seus aspectos distintos causando confusão. Não sei se o leitor já sofreu desse mal entendido, mas eu já (ok,ok, talvez eu seja meio retardado), e explico. Imagine duas pessoas discutindo um certo assunto e discordando veementemente entre sí. Até um certo momento em que ambas realmente “prestam atenção” no argumento uma da outra e percebem que, apesar deles verem e estarem abordando o assunto a partir de perspectivas totalmente diferentes, eles não discordam em nada (ou quase nada), acerca das conclusões a que estão chegando. Por conta do vocabulário, background, ilustrações ou exemplos distintos que as duas pessoas estão usando, há aparência de discórdia, mas colocado o argumento claramente na mesa, as diferenças somem ou se resumem a detalhes (é verdade que as vezes os detalhes são muito importantes). Bem... As vezes isso acontece comigo ok!

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Com o “Milagres”, talvez a solução do mal entendido tenha vindo exatamente com um poema escrito pelo próprio Lewis que jaz na primeira página do livro e que eu não havia visto até estar pra lá da metade do livro. O poema é bonito e toda essa introdução foi para dizer que vou transcreve-lo aqui. Para mim foi uma surpresa lê-lo, algo como “ahhh, então é isso? Bem, eu concordo com isso!!”. No geral ‘Milagres’ tá legal, tem argumentos sensacionais e também algumas coisas com as quais não concordo, não tô achando tão legal quanto ‘Problema do Sofrimento’ ou “Os Quatro Amores”, mas vale muito a pena ler.
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Vaí aí o poeminha.
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Meteorito
(C. S. Lewis)
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Entre colinas, um meteorito,
Com musgo a cobri-lo, imenso se guarda,
Os ventos e as chuvas com toques benditos
Da rocha os contornos, abrandam com calma.
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Assim pode a Terra tão fácil sorver
As cinzas das chamas do véu sideral,
E pode a visita lunar envolver,
Como ao nativo de um feudo real
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Nem é de estranhar que tais caminhantes,
No seio da Terra encontrem seu lar,
Pois cada partícula nela constante
Primeiro surgiu do espaço estelar.
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Tudo que é Terra já foi céu um dia;
Do sol do passado a Terra surgiu,
Ou de alguma estrela talvez erradia
Que perto demais do Sol explodiu.
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Se gotas tardias então inda caem,
Do espaço celeste neste chão criador
É que ainda aqui opera uma força do além,
A alegre torrente de chuva e esplendor
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Paz

domingo, 11 de abril de 2010

Qual era a rusga de Lutero com a 'transubstânciação'

Não faço isso geralmente, mas irei transcrever neste post uma pergunta que fiz e algumas respostas que obtive no YahooRespostas. Pode parecer meio bobo, mas achei as respostas transcritas abaixo muito instrutivas e completas e que merecem divulgação neste espaço. Veja a pergunta AQUI
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Minha questão:
Estou lendo "Do Cativeiro Babilônico da Igreja", e, pelo que pude entender do que Lutero fala acerca da doutrina da 'transubstanciação', me pareceu que ele não nega que o corpo de Cristo esteja presente na comunhão. Ele apenas não aceita o embasamento 'aristotélico' da tal doutrina, que separava a 'substância' do pão de seus 'acidentes'. Durante a administração do sacramento, segundo a doutrina, a substância do pão se tornaria o corpo de Cristo, enquanto os acidentes (forma, cheiro, gosto etc) se manteriam como sendo característicos do pão.
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Então, queria saber se eu viajei grandão, ou se é isso mesmo. Ou ainda se Lutero mais tarde mudou sua opinião.
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Resposta 1:



Meu caro Emiliano, Paz e Bem !
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Existem duas questões aqui, a primeira é que Lutero negava a Transubstanciação das espécies, que para nós [Católicos] é a presença real do Cristo nas espécies, alterando-lhes a substância , mas não a aparência. Ou seja, o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue de Jesus Cristo, embora na aparência continuem pão e vinho.
Santo Tomás de Aquino descreve isto bem no Hino que compos para a festa de Corpus Christi chamado " Adoro te devote", que traduzido do latim é assim:
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Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida,
Que verdadeiramente oculta-se sob estas aparências,
A Vós, meu coração submete-se todo por inteiro
Porque, vos contemplando, tudo desfalece.
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A vista, o tato, o gosto falham com relação a Vós
Mas, somente em vos ouvir em tudo creio.
Creio em tudo aquilo que disse o Filho de Deus,
Nada mais verdadeiro que esta Palavra de Verdade.
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Na cruz, estava oculta somente a vossa Divindade,
Mas aqui, oculta-se também a vossa Humanidade.
Eu, contudo, crendo e professando ambas,
Peço aquilo que pediu o ladrão arrependido.
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Não vejo, como Tomé, as vossas chagas
Entretanto, vos confesso meu Senhor e meu Deus
Faça que eu sempre creia mais em Vós,
Em vós esperar e vos amar.
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Ó Jesus, que velado agora vejo
Peço que se realize aquilo que tanto desejo
Que eu veja claramente vossa face revelada
Que eu seja feliz contemplando a vossa glória.
Amem
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Lutero acreditava na "Consubstanciação", ou seja, não acreditava na transformação das espécies em corpo e sangue do Cristo, embora acreditasse na presença real, que segundo ele, convivia com os acidentais.
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Mas Lutero não acreditava na Missa como renovação do sacrifício do Cristo, que se realiza exatamente na Eucaristia, e, além disto, os ministros luteranos não eram ( e continuam não sendo) , sacerdotes . Lutero não admitia o sacramento da Ordem, para ele o sacerdócio é universal, e não restrito a alguns que , como nós [Católicos] cremos, receberam o Espírito Santo na ordenação presbiteral o que os legitima para agir "in persona Christi", ou seja, agem como Cristo no ato da consagração, independentemente de seus pecados pessoais. Assim sendo, o pastor luterano não recebe o sacramento para poder agir na pessoa de Cristo na consagração das espécies. Porque sua autoridade não deriva da sucessão apostólica, que legitima o clero católico como herdeiros últimos dos primeiros, e que foram consagrados pelo Espírito Santo, e transmitiram a outros, e não a todos, a unção sacerdotal , que é derivada do sacerdócio real de Jesus.

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Um abraço
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RESPOSTA 2:
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Estimado Emiliano,

Muito interessante sua pergunta. Lutero defendeu a presença corporal de Cristo na Ceia do Senhor ou Santa Ceia.
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Em 1529, houve o chamado "Colóquio de Marburgo", na Alemanha, onde os protestantes alemães e os reformados suiços procuraram definir uma Confissão comum de Fé. Do lado alemão, os principais eram Lutero e Melanchthon. Do lado dos reformados, Zwinglio, de Zurich, Ecolampadio, de Basileia, e Bucer, de Estrasburgo (esta entre Alemanha e França). Conseguiu-se um Acordo entre 14 pontos de doutrina, não se conseguiu acordo sobre a Ceia do Senhor. Zwinglio defendia a intgerpretação simbolico-memorialista, Lutero, a interpretação realista. Conta-se que Lutero, no auge da discussão com Zwinglio, escreveu na mesa ou no quadro, em latim, a frase "Isto é o meu corpo". Nem o cordato Bucer conseguiu uma conciliação.
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João Calvino, reformador de Genebra, que adere à Reforma cerca de 1533 ou 34, depois da morte de Zwinglio em campo de batalha (1531) vai defender a presença espiritual de Cristo na Ceia do Senhor, interpretação essa que vai prevalecer nas igrejas reformadas da França, Holanda, Suiça e nas Igrejas presbiterianas.
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A interpretação de Lutero ficou conhecida como "consubstanciação", o corpo de Cristo está presente "em, sob e com o pão". Na verdade, alguém já havia proposto essa idéia antes de Lutero. Antes da influência de Aristóteles na Escolástica não se usava o termo transubstanciação. Assim, não se justifica que apenas essa idéia seja a continuidade da Igreja do primeiro milênio. Os ortodoxos, por exemplo, usam, por vezes, o termo transmutação, com um sentido não exatamente igual ao de transubstanciação. Ambrósio de Milão, que batizou Santo Agostinho, era realista, acreditava na presença corporal de Cristo nos elementos da Ceia. Seu posicionamento pode ser reivindicado por católicos, luteranos e ortodoxos!
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Bem, gostaria de lembrar que creio que comungamos o verdadeiro corpo e sangue de Cristo na Ceia ou Eucaristia. Trata-se de um mistério, além de nossa compreensão racional. Tomás de Aquino também se referiu Eucaristia mais ou menos nesses termos (ver o livro "Os sacramentos na Tradição Reformada", S. Paulo, Fonte Editorial, 2005).
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Quanto à questão da sucessão apostólica levantada pelo Frei Bento [RESPOSTA 1], gostaria de lembrar que a mesma foi mantida no luteranismo nos paises escandinavos, através de bispos, bem como em algumas outras regiões. Hoje a tendência no luteranismo é a adoção do regime episcopal. Nos EUA um acordo entre luteranos e anglicanos prevê o reconhecimento mútuo das ordenações e no caso de novas ordenações deve estar presente um bispo luterano ou anglicano.
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Um abraço a todos!

Paz

quarta-feira, 7 de abril de 2010

"Você é Católico ou Evangélico"?

Estava eu andando pela rua 12 de Outubro, na feliz tarefa de comprar 'tule' (um tecido excelente para fazer telas e que pode ajudar pra fazer viveiros para insetos). Fazia tempo que não passava por aquela muvuca e o passeio levava uma certa nostalgia. De subito fui abordado por uma senhora querendo ajuda para uma sociedade assistencial. Assim que me abordou, sem mais, perguntou: "Você é Católico ou Evangélico?", quase como se, a exemplo dos jogadores do Santos Futebol Clube, a senhora fosse decidir, baseado na minha profissão de fé, se eu era digno ou não de colaborar com a tal entidade assistencial.

Vou falar, é duro ser nó cego... Hesitei! Meu primeiro impulso foi empinar o nariz encher o peito e responder "Sou evangélico" (até para ver o que a senhora iria falar a seguir, pois a sociedade assistencial que ela estava divulgando era claramente uma instituição Católica). Mas pensei: "Caramba, vai pegar mal para os meus irmãos evangélicos serem relacionados com um sem noção como eu".

Aí pensei n'uma resposta mais honesta, abaixar a cabeça e falar "minha senhora... Eu sou Corinthians..."

Por fim, com a velhinha lá esperando minha resposta, pensei no que eu deveria estar fazendo nessa vida e no Que de Verdade eu me apoiava, a minha Rocha através de mim e apesar de mim.

Olhei a senhora nos olhos e respondi: "Eu sou Cristão..."

Acabei ajudando a sociedade assistêncial com o pouco que tinha no bolso e ainda ganhei um imã de geladeira!

Paz de Cristo

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1) Chupinhado desta pergunta no Y!R

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2)A tal sociedade assistencial é a:
Sociedade Assistencial para cegos nossa senhora da Guia

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Deus não dá “reset”

É o que eu penso! Deus não dá “reset”. Ele não desiste –embora já tenha pensado sériamente no caso – Ele não se entrega (dãh). Mas o impressionante mesmo é que Ele não nos entrega (ao diabo, ao “deus dará” ou o que seja).
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Talvez seja esse o significado mais profundo que eu encontrei no relato Bíblico do dilúvio, talvez seja esse o significado do Arco-Iris, a promessa de Deus que Ele nunca mais (nunca mais mesmo) vai dar “reset” na sua Criação.
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Sem dúvida, o fato de eu pensar assim esta no cerne de porque eu não engulo a doutrina Espirita do reencarnacionismo, bem como certas interpretações escatológicas.
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(PARENTESES: no meio evangélico, onde, para muita gente ‘apologética’ é meter o pau na crença (ou descrença) alheia – algumas vezes falando um bocado de groselha – a gente tem que ter cuidado pra falar de coisa que não concorda, principalmente quando –e é o meu caso – não se é expert naquilo que se está criticando. Este aqui se propõe a ser um texto sóbrio e respeitoso de alguém que reconhece que pode estar muito bem falando merda, e cujo principal objetivo não é meter o pau na crença de ninguém. Antes, trata-se de um reflexo do meu anseio para entender algumas coisas e, no meio das chuvas catastróficas que tem abalado minha cidade, poder, no fim de tarde, olhar para um arco-iris, sabendo que aquilo significa que Deus não vai dar “reset”. Mesmo nesta cidade que, se fosse um PC, mereceria muito bem ser “formatada” )
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Mas é o que me parece sim. A meu ver, acreditar em reencarnação equivale a acreditar que sua alma é “formatada” de geração em geração. Para começar, já faz um tempo que eu não acredito muito em 'alma', pelo menos não no conceito de "essência pessoal separada da matéria". Essa história da distinção entre corpo e alma/ material e espiritual é basicamente uma herança do pensamento pagão grego para o Cristianismo (que influenciou grandão caras como Paulo e principalmente Agostinho). Não vou me aprofundar muito no assunto para não acabar falando bobagem (se é que já não é tarde), basta dizer que se eu acredito em 'alma', isso para mim se traduz nos padrões sinapticos dos neuronios dos nossos cérebros que determinam quem nós somos e são determinados, em certa medida, pela nossa herança genética, pelas nossas experiências etc. Em suma: você não é dividido em hardware e software, você é uma coisa só, integrada. Você é você! Se eu acredito que você, eu e todo mundo possui uma saída USB * que se conecta ao Transcendente (ao Espirito de Deus) a resposta é sim, mas não acredito em alma ‘fantasminha’.
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E neste sentido, também não me parece coerente com o pouquinho que eu conheço de Deus que a alma ou espírito seja submetido a diversas ‘formatações’ e aquilo que se chama “Emiliano” seja perdido, formatado, jogado fora em prol de alguma forma ‘mais elevada’. Acredito que Deus, em Seu Amor incompreensível, se importe mesmo com o “Emiliano”. Sem dúvida Ele tem poder para me transformar, numa próxima reencarnação, em um importante e asseado empresário, paciente, solicito e torcedor d’algum time tricolor de torcida recatada, apesar de pouco expressiva. Seria uma ‘evolução’**, mas aí não seria o Emiliano, não seria eu. Eu teria sido ‘resetado’ em alguma coisa diferente, e Deus quer a mim, a você, a nós do nosso jeito.
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Mas isso não é tudo, penso que Deus tenha o mesmo apreço em relação a toda Sua Criação. E partindo daí, acho difícil entender algumas doutrinas Cristãs acerca do que vai acontecer ‘no fim’ (a tal da escatologia). Entendo NADA do assunto, apenas penso com os meus botões que, o projeto de Deus para a Criação (todo o Universo), também é um projeto de redenção, não de “reset” .
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Essa dúvida particular me pulou na cabeça quando eu estava conversando (quase brigando) com a minha pequena acerca do assunto. Ela estava falando da obra que ela está lendo: “Deixados Pra Trás”. Ela me conta que no último dos 13 livros, que fala sobre o milenio, os autores retratam uma Criação refeita por Deus após 12 livros de cataclismas apocalípticos. Criação essa, descrita como “mais abundante” do que a anterior.
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OK, talvez exista uma ou duas referências Bíblicas bonitinhas e incontestáveis para justificar essa interpretação dos autores, mas eu fiquei pensando: “Como é possível? Como pode?”. Fiquei pensando nesse milênio, cheio de florestas que cresceram do dia para noite, pomares, com leopardos, zebras, gnus e, até onde sabemos, tiranossauros e Achantostegas, convivendo pacificamente. Com uma diversidade ainda mais abundante e embasbacante que as 300.000 espécies de besouro que temos hoje (talvez com muitas mais recentemente ‘inventadas’).
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Pensei em tudo isso e voltei a perguntar: “Mas como assim?” Penso que dá mesma forma que eu, todo o resto da Criação tem uma história, uma herança única que da a ela sua beleza (e falo isso me referindo desde as formigas no jardim até às Luas de Saturno). Também nesse sentido, minha esperança não é a do “reset”, mas a da redenção, a do renovo.
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Como imaginar um barato desse? Esse renovo? Acho que isso é assunto para um outro post, mas tenho refletido sobre como o tamanho da Criação pode nos ajudar a ver um Deus ainda maior... talvez faça sentido a citação de Teilhard de Chardin: "incessantemente, ainda que imperceptivelmente, o mundo está constantemente a emergir um pouco mais acima do nada". Nesse sentido, nem aquilo que somos é um HD sendo constantemente formatado pela eternidade e colocado dentro de um PC diferente. E nem a Criação é um fusca velho, quebrado que algum dia ira se transformar, como que da noite pro dia, numa Ferrari, mas sim uma obra em andamento, na qual a Redenção e o Reino de Deus penetram e permeiam “incessantemente, ainda que imperceptivelmente”.
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Viajei grandão né.
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É isso aí
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Paz de Cristo

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*Foi nesse momento que, enquanto escrevia, eu percebi que a metáfora tinha ido longe demais... Já era tarde para voltar atrás, no entanto.
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**isso é discutível...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sobre aquelas coisas que podem pular na sua cabeça a qualquer hora, mas só pulam quando você esta orando...

Outro dia eu estava orando (sim, eu faço isso, e mais! Acredito que a coisa toda funcione). Uma das boas pedidas que me afastaram da 'aridez espiritual' que mencionei no ultimo post foi, sem dúvida a oração. Tive a oportunidade de ler, seguindo uma recomendação de um amigo, o livro "Oração" de Philip Yancey e me foi um bom 'boost' à oração (esse post não é sobre o tal livro, tem uma resenha dele AQUI).
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Enfim, estava orando acerca dos rumos da minha vida, do meu relacionamento com a minha pequena, com minha familia, minhas tretas, desavenças e talz. Abri meu coração, mostrei minha vontade pra Deus. No meio da coisa toda, pulou na minha cabeça uma idéia. Eu sugeri pra Ele se não seria uma boa se Jesus aparecesse diante de mim e de minha pequena, abençoasse nosso casamento (de preferencia dando o $$ para a entrada de um apartamento no butantã), se revelasse a algumas pessoas, desse uma grande bronca em outras.
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Orei de palhaço, eu bem sei. As coisas não funcionam desse jeito. Penso que de alguma forma a resolução de absolutamente todas as tretas e sofrimentos da vida meio que acabariam com seu proposito (eu não sei bem qualé o tal propósito, mas tenho aprendido a confiar em Deus).
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Não tenho problemas com oração. No livro do Yancey “Oração”, fico até constragido ao ler relatos de tanta gente que experimentou a silencio de Deus, que aguentou essa experiencia matando no peito feito teste de fé. Muitas de minhas orações são respondidas (pelo menos assim interpreto), e as orações palhaças não são exceção!
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Deus, que eu queria ver atendendo com trovões, responde num sussurro que, imagino, deve passar batido a maioria das vezes. E o sussurro sempre fala no meu coração.
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Peço pra Deus mudar as coisas lá em casa. Ele responde pra eu mudar meu coração
Peço pra Deus mudar meus relacionamentos. Ele responde pra eu mudar meu coração
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E é aí que complica. Por que aí você se liga e tem que admitir: “eu não consigo”. E penso que é aí que Deus começa a agir, é aí que as coisas começam a dar certo.
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O livro do Yancey fala de muita gente que não ora por que acha que é perda de tempo ou coisa assim, eu mesmo me pego protelando uma oração, esquecendo, me concentrando em coisas “mais importantes”. Mas não é por que a oração é ‘inutil’, é porque ela é dificil. Orar é tipo ‘discutir relação’ com Deus, e a gente não quer discutir relação. Numa relação a gente só quer a parte boa (cinema e beijihos), mas uma hora tem que discutir relação. E as vezes é um saco... Ainda assim, depois da discussão de relação, uma vez colocadas nas mãos de Deus (porque a gente não consegue), as coisas começam a se resolver –espero né... É isso

Paz de Cristo


sábado, 10 de outubro de 2009

Reflexões : Atrás do Monte Improvavel


Estavamos eu a Pequena e um amigo a caminho de um farto almoço no prédio da editora Abril para o qual haviamos sido convidados por um outro caro amigo. Na saida da USP, no meio do caminho, ví que haviam caido no chão alguns figos de uma figueira. Papo vai, papo vem acabei falando para o tal amigo, enquanto caminhavamos, acerca da intima relação que existem entre figueiras e as vespas que as polenizam. Em linhas gerais, figos que a gente come não são frutas, são flores – ou melhor, inflorescências. Os figos são polenizados quando vespas entram dentro deles (por aquele ‘buraquinho na bunda do figo’) e botam ali seus ovos. Os ovos mais tarde eclodem e logo, vespinhas com o corpo cheio de pólen estão voando por aí em busca de um novo figo para botar seus ovos (e de quebra fecundar algumas florzinhas de figo com o polén). Para cada espécie de figueira existe uma espécie respectiva de vespa.
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Meu amigo ficou com aquele olhar pensativo e, como resposta a minha breve (e incompleta) explicação, mandou a frase que resultou neste post: “Isso é muito de Deus”. Imediatamente luzes vermelhas se acenderam na minha cabeça, me veio o nó na garganta que só quem é verdadeiramente chato em relação a algum assunto sabe como se sente (aquela necessidade incontrolavel de fazer o seu ponto de vista se impor. É o que geralmente acontece com alguns Corinthianos quando contestam o campeonato mundial conquistado em 2000; com alguns fãs de metal progressivo quando alguem fala que o melhor album do Dream Theater é o Six Degrees of Inner Turbulence [e é mesmo]; ou quando duas pessoas começam a discutir acerca de assuntos como cotas, aborto ou heróis da Marvel). Enfim... O sangue me subiu a façe e eu estáva pronto e preparado para dar, ao meu amigo, uma detalhada explicação a respeito de todos os processos evolutivos que deram origem a essa estreita relação entre os figos e as vespas. Um processo incrivel de co-evolução a medida em que as flores das árvores ancestrais de figo se tornavam cada vez mais compactas e condensadas: primeiro como umbelas, depois como capitulos, depois com capitulos mais e mais fechadinhos até chegar no figo. E, simultaneamente as espécies de vespas se especializavam, mais e mais, em se reproduzir, se alimentar e de quebra polenizar, o figo. Ia ser moleza, uma vez que eu acabei de ler essa semana “Escalando o Monte Improvavel” e o Dawkins utiliza precisamente esse como o seu ultimo exemplo de como a evolução, a partir de seleção da variabilidade existente, proveniente de mutações genicas, pode produzir a complexidade tamanha que observamos na vida na terra.
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Já estava abrindo a boca para explicar para meu amigo, tin-tin por tin-tin toda a história. quando um pensamento me conteve. Repeti na minha cabeça a frase do meu colega: “Isso é muito de Deus”. Pausei um pouco para refletir. Ora, afinal de contas, ele estava certo! Eu pelo menos, como meu amigo, creio e estou pronto para testemunhar que há um Deus. Que esse Deus criou todo o nosso universo. Que Ele se relaciona com sua Criação, e que Se revelou a nós a partr de Jesus Cristo. E que esse Deus está intimamente relacionado com tudo que é figos e vespas nesse planetazinho. Essas coisas são, sem dúvida, “de Deus”.
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Então onde estáva o problema? Penso que ele estava implicito! Para o meu amigo, Deus estava atrás do monte improvavel (as complexas relações entre figos e vespas). E o fato de que para ele o monte improvavel parecia um “Monte impossivel” nos remeteria ao Deus Criador, cheio de cuidados e caprichos. Ele não via a suave escalada do lado detrás do monte improvavel. Precisamente a “trilha” que eu estava prestes a abrir a boca para explicar para ele que alí estava. Longe de ser um “monte impossivel”, tratava-se, no final das contas de um “monte extremamente possivel”. Atrás dele havia uma trilha suave, tranquila e pouco ingreme, que subia de forma gradativa até o topo.
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Acho que nunca havia sentido a tensão entre a ciência que eu estudo e a fé que professo de forma tão clara quanto ali, no caminho até o predio da editora Abril. O que, afinal de contas, estava atrás do “monte improvavel”? Deus, ou uma trilha?
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Dawkins deixa a resposta dele extremamente clara ao longo de cada um de seus livros: Existe uma trilha, sempre uma trilha para cada monte improvavel (os olhos dos vertebrados, o cérebro humano, o voô dos morcegos, o comportamento reprodutivo de aves e as teias de aranha. Cada um desses “montes” tem atrás de si uma escalada tranquila cheia de intermediarios e sem quaisquer passagens ingremes). Uma trilha, e nada mais.
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O meu amigo, por outro lado, vê os “montes” improvaveis como o prédio da Abril: grandes monumentos, jamais passiveis de serem erigidos pela martelação cega das próprias forças naturais. Atrás de cada um deles há Deus. E Deus está lá justamente porque não há trilha alguma.
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Discordo dos dois.
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Concordo com os dois: Concordo com Dawkins. É inegavel, há uma trilha atrás do monte improvável. A trilha pode ser mais ou menos ingreme, mas é sempre uma trilha que o jumentinho chamado “seleção natural” e cujas pernas tem a medida da “variabilidade genética da população” pode trilhar. Dentre os “montes improvaveis” que são os seres vivos e suas caracteristicas, nunca encontraram um que não contivesse uma trilha com uma encosta tão ingreme que os musculos do jumentinho não pudessem subir, nem um caminho por detras do monte com uma vala tão grande que as pernas do jumentinho fossem curtas para cruza-lo.
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Concordo também com meu amigo: “Isso é muito de Deus”. Não apenas concordo, como uso esse post para exaltar a singela sabedoria dessas palavras (esse meu amigo é um cara muito sabio. Do tipo que sem se ligar acaba ensinando toda sorte de coisa sobre a vida pra gente). A história das vespas e dos figos. A história de tudo que é inseto polenizando tudo que é flor, de tudo que é hymenoptera, de tudo que é planta. Não apenas o ciclo ecológico tão equilibrado e dinâmico, mas também a história própriamente dita, a história natural: o desenvolvimento gradual dessas mesmas relações ecológicas desde seu principio através de cada geração: “Isso é muito de Deus”.
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Voltamos a conversar mais tarde e meu amigo se lembrou das palavras do Chesterton, de que na verdade as tais regularidades e “leis da natureza” são causalidades tão incriveis e encantadora quanto aquelas dos contos de fada (a carruagem vira abobora a meia-noite, a princesa é desperatada apenas com o beijo do principe). E cada uma dessas regularidades se parece mais com mágica do que com leis cientificas áridas. Talvez a trilha atrás do monte possa parecer, a primeira vista, arida e vazia, mas para mim (e acho que meu amigo talvez fosse gostar desse modo de ver as coisas), ela se parece mais com uma estrada de tijolos dourados, cheia daquele maravilhamento de contos de fadas do qual a ciência é cheia, e não vazia.


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Paz de Cristo

domingo, 20 de setembro de 2009

O Verbo

(Um trechinho do devocional "Um Cientista Lê a Bíblia" escrito por John Polkinghorne)



"No inicio era o Verbo, e o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava, no icicio, voltado para Deus. Tudo se fez por meio dele; e sem ele nada se fez do que foi feito. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória; glória essa que, Filho único cheio de graça e de verdade, ele tem da parte do Pai" (João 1, 1-4;14)



Estamos tão acostumados a escutar o famoso prólogo do Evangelho de João em serviços religiosos que, talvez, deixemos as expressões conhecidas fluirem sem atentarmos muito bem a elas. Vamos parar e refletir um minuto sobre uma delas: "O Verbo". Em português, esta é uma maneira um pouco estranha de falar, mas, no mundo antigo, teria feito sentido tanto para os gregos como para os hebreus.
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A palavra grega traduzida como "verbo", logos, tem um significado mais rico do que seu correspondente em português. Um de seus conceitos básicos é o da ordem, de forma que ela representa o padrão e a estrutura seguros do universo. Um cientista cheio de maravilhamento diante de uma das belas equações que descrevem este mundo matemático se rejubila no logos. Para a mente grega, "verbo", (ou "palavra") representa a harmonia do existir.
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Os hebreus pensavam diferente. Em sua lingua, os verbos têm o papel predominante; eram um povo que valorizava a ação e o movimento. O hebraico dabar traz esse sentido de atividade. É a palavra do Senhor que veio aos profetas em advertência e julgamento, a palavra do Senhor por meio da qual os céus foram feitos (Salmos 33:6). Na mente hebraica, "verbo" (ou "palavra") representava a atividade de Deus na Criação e na história.
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Estou certo de que João queria deliberadamente invocar esses dois significados na mente de seus primeiros leitores. Ele esta falando tanto da ordem divinamente ordenada do mundo como da atividade divina dentro dele. Aquele por meio do qual todas as coisas adquiriram existência é o Deus tando do ser como do vir-a-ser.
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Quando o famoso pensador do século IV, santo Agostinho, que fora muito influenciado pelas idéias de Platão e seus seguidores, leu o prólogo do Evangelho de João como parte de seu estudo do cristianismo, encontrou muitas coisas que já lhe eram conhecidas. Mas, então deparou-se com algo que o surpreendeu e para o qual Platão não o havia preparado: "o Verbo se fez carne e habitou entre nós".
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Aqui ele encontrou, e nós encontramos, a idéia essencial e notavel que está no centro do Cristianismo. Em nossa busca de entendimento, todos nós ansiamos por saber qual é a resposta final. Como é de fato a realidade mais profunda? Como é Deus? Estas parecem perguntas profundas demais para ser respondidas por nossa frágil mente humana. No entanto, Deus agiu no sentido de respondê-las para nós. Ele se fez conhecer da forma mais simples e acessível vivendo a vida dos homens em Jesus Cristo. Você quer saber como é de fato o Deus do ser e do vir-a-ser, Aquele que mantém a ordem do universo e cuja providência está em ação dentro da história dele? Se realmene quiser saber a resposta, olhe para Jesus Cristo, a forma viva e pessoal do Verbo de Deus.
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Paz de Cristo

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O que é ser ‘evangélico’

Em meio as tentativas de tentar entender o funcionamento do Bluetooth do celular novo que a pequena me deu (eu amo ela, e adorei o presente... mas sim, eu ainda tenho sérias reservas quanto a tecnologia), acabei escrevendo, em forma de pergunta, um texto no Y!R. Achei que a coisa toda deu certo, e vou postar aqui no blog.
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O termo ‘evangélico’ me da frio na espinha.
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O termo ‘evangélico’ pra mim significa –de alguma forma - mais do que ‘Cristão’ (ie. membro da religião Cristã). Significa um camarada que vive a vida segundo o Evangélho. Mas... Sem brincadeira, vocês já imaginaram o que é isso?
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Pra mim, ser evangélico é quase como ser punk. É se afastar do mundo, mostrando–se diferente do mundo e agindo no mundo. Turbilhonando, se revoltando, causando divisão, amando, pirando a cabeça das pessoas, fazendo pensar, fazendo amar, fazendo Gritar por Paz e justiça e igualdade.
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Pra mim ser Evangélico é se angustiar e se entristecer de tudo com tudo que é injustiça e desigualdade do mundo. É sentir nojo de tudo no mundo que não se parece com o Reino de Deus. É se afastar de tudo que se chama religião e amar de forma religiosa. Aguentando chingamento no transito e tapa na cara.
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Pra mim ser Evangélico é quando você se entristece quando percebe em si mesmo erro e pecado. É ter o coração apertado por tudo aquilo que você pode vir a ser e fazer de bom. Ser evangélico é bater no peito chorando ao se ver como pecador e de forma quase auto-destrutiva, arrancar mãos, olhos e pernas se estas lhes fazem pecar. É virar a costas e não olhar pra trás para seguir a Cristo.
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Ser Evangélico também é ter Esperança. E ver Esperança numa vida onde ninguém mais vê. É aplacar toda dor e desespero dizendo, pregando e mostrando que tudo pode ser feito novo. Tudo pode começar de novo. Cristo ressussitou e mesmo a morte foi derrotada. Ser evangélico é não desistir.Por muito tempo eu me perguntei se devia ou não me rotular como ‘evangélico’. Muita gente (e eu também), quando pensa em ‘evangélico’ imagina uma pessoa com comportamento quase que diametralmente oposto ao que eu descrevi a cima (uma caricatura farisaica, tacanha e proselitista).
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Mas acho que não penso mais assim. Se eu não me rotulo Evangélico hoje não é por um preconceito bobo. É simplesmente por não me sentir digno do titulo. Talvez um dia a força e maturidade me sejam dadas para abraçar o evangelho de forma tão crua e visceral. E meu coração anseia por esse dia. Mas por enquanto eu fico sendo só Cristão (1) mesmo, e deixo o titulo de evangélico para aqueles homens e mulheres com uma caminhada mais árdua, bela e cheia de frutos que a minha.
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(1)O termo Cristão significa, originalmente, ‘pequeno Cristo’ e, se tomado ao pé da letra pressupõe entrega, paixão e devoção ainda maiores do que aquelas que o termo ‘evangélico’ implica. Como já disse, ao me referir a ‘ser Cristão’ quero dizer apenas ‘membro da religião Cristã’, se me perguntassem, eu diria que esse já é um excelente começo.
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A propósito, lendo agora vejo que o texto inteiro é uma mentira, eu não parei de me denominar 'evangélico' para aqueles que perguntam sobre a minha crença.
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A Paz de Cristo

quarta-feira, 15 de julho de 2009

'Começar de novo'

Fuçando as gavetas e cantos escuros da selva que é o meu quarto acabei me deparando com uma porção de 'boletins' que eu recebia ao participar dos cultos da primeira igreja evangélica que frequente assiduamente, e onde fui batizado, a Igreja Batista Esperança. Um deles me chamou a atenção...
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Parece que fazem séculos que deixei de frequentar a IBE, ao sentar e refletir sobre aqueles tempos da pra ter uma idéia de o quanto cresci de lá pra cá, não sei se na exata direção que o Pastor Sérgio tinha em mente, mas sem dúvida não sem a ajuda dele. De fato, de lá pra cá as coisas mudaram na minha cabeça e coração ainda assim, lembrando do lugar e das pessoas (O Wagnão, a Bruna [como tocava piano essa menina], o Ben, o Weslei, e tantos outros) . Enfim minha passagem por lá foi como um relampago que caiu uns 3 séculos atrás, mas alguma coisa daquilo ficou guardada comigo e acho que minha caminhada Cristã deve ira ficar sempre atrelada àqueles primeiros dias.
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Pra minha surpresa, o 'boletim' não era do século XVIII, mas de Abril de 2008! O que me fez pensar em mais uma porção de coisas! Em primeiro lugar no pouquissimo tempo que faz desde que eu decidi levar essa 'vida de crente' ('me converter', 'nascer de novo', chame do que quiser. acho que hoje eu definiria a coisa toda como: 'comprometer a vida a seguir a Jesus Cristo'). Em segundo, na velocidade e rumos da minha 'caminhada espiritual'. Acho que daqui a uns anos quando eu olhar para trás vou me lembrar desse periodo da minha vida como extremamente 'Veloz e Furioso'. Claro que minhas tretas e vitórias - e 'mais que vitórias' - espirituais tem a ver com essa 'velocidade e furia'. Mas penso que o próprio periodo de vida pelo qual estou passando, bem como tretas 'seculares' (se é que é licito fazer a distinção) também tenham papel preponderante nisso tudo.
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Bom é ver que as coisas importantes permanecem. Cristo permanece, aqui e lá, no meio da Zona Sul, sendo Senhor.
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O breve texto do pastor acabou falando comigo, por isso vou transcrever ele aqui. Meio "crente demais pro meu gosto"? Bem... sim. Mas eu continuo não dando a minima pra rótulos. Aí abaixo temos o que o Pastor Sergio pensa sobre 'começar de novo'. E eu achei importante. Me fez pensar que a vida Cristã é um 'começar de novo' todos os dias...

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Começar de novo
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"Cessou, pois, a obra da Casa de Deus, a qual estava em Jerusalém" (Esdras 4:24)
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Você já começou a fazer algo muito bom e depois de um tempo desanimou e parou?
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Talvez você tenha começado a ler a Bíblia todos os dias e depois parou; Talvez você tenha separado um tempo para orar mas depois parou; Você pode ter começado a devolver ao Senhor parte daquilo que Ele lhe dá, mas depois parou; Ou talvez você tenha começado a evangelizar seus parentes, amigos, vizinhos e depois de um tempo também parou; Ou você começou a se abster de bebida, cigarro ou qualquer outro vício e depois parou; Talvez por um tempo você começou a ser um melhor marido ou uma melhor esposa ou um melhor filho e depois parou...
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Seja lá o que for, lembremo-nos que Deus é quem efetua em nós tanto o querer como o realizar (Filipensses 2: 13). Ele preparou as boas obras para que andassemos nelas (Efesios 2:10), contudo o inimigo das nossas almas vai nos tentar, vai querer nos levar ao desânimo. Satanás usa de várias artimanhas para nos impedir de realizar a obra do Senhor.
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O povo de Israel depois de voltar do cativeiro começou a grande obra de restauração do templo, porém, pessoas se infiltraram em suas vidas e começaram a promover o desânimo e grande oposição, o resultado foi o que lemos no texto acima: "A obra parou". Contudo, Deus também usa pessoas para nos incentivar a voltar e no caso dos judeus, Deus usou dois servos para reanimar o povo e a obra voltou a ser realizada(Esdras 5: 1-2).
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Se você estava envolvido em um projeto que era para a glória de Deus e parou saiba que houve algum agente externo que provocou tal desanimo, porém, o próprio Deus te incentiva neste dia ao afirmar que nosso trabalho (boas obras) nunca serão em vão (I Corintíos 15: 58).
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Não importa quantas vezes você parou no meio do caminho, o que importa é começar de novo, por isso faça deste dia um marco em sua vida. (Pastor Sérgio)

Paz de Cristo

segunda-feira, 13 de julho de 2009

'Democracia Cultural' por Frei Betto

Texto públicado na edição da revista "Caros Amigos" em Julho de 2009. Sei lá vou posta-lo. Se você está lendo é porque eu acabei postando. Me fez pensar um pouco.

"O homem e a mulher são os únicos seres vivos que se contrapõem a natureza. Os demais são todos determinados pela natureza. Esse distanciamento humano frente ao mundo natural faz a realidade revestir-se de simbolismo e produz a emergência transcendental do imaginário.
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Voltada sobre si mesma, a consciência humana sabe que sabe, enquanto os animais sabem, mas ignoram a reflexão. Através do simbolo e do significado, o ser humano se relaciona com a natureza, consigo mesmo, com os semelhantes e com Deus.
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Nasce a cultura. A vida social ganha contornos definidos e explicações categóricas. Do domínio das forças arbítrarias da natureza chega-se às armas que permitem a imosição de um grupo cultural sobre outro. Porém, cultura é identidade e, portanto, resistência. Mesmo assim, a absolutização dos sistemas ideológicos oferece o paraíso, induzindo o dominado a sentir-se excluído por não pensar pela cabeça alheia.
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No Brasil colônia, os métodos de catequese Cristã introduziam entre os indigenas o vírus da desagregação e, hoje, os donos dos garimpos, das madereiras e o governo perguntam perplexos por que os povos indigenas precisam de tanta terra se nada produzem. Os pentecostais atacam os ubandistas e certos setores da igreja Cristã olham com solene desprezo o Candomblé.
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A queda dos governos dos países socialistas no Leste Europeu assinala, não o fim do socialismo, como propaga a midia capitalista, mas sim da absolutização dos sistemas ideológicos. Desabam, com a herança estalinista, todas as estratégias de hegemonização da cultura, e da própria idéia de "evolução cultural". Não há culturas superiores, há culturas distintas. Agonizam as versões totalizadoras em todos os terrenos da produção de sentido - político, economico e religioso.
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Quem pretender ignorar o sinal dos tempos tera de apelar para o autoritarismo para infundir temor. A mais de 500 anos da chegada de Colombo às Americas - uma invasão genocida que alguns chamam de 'encontro de culturas' - convém relembrar esses conceitos antropológicos. E agora a democracia impregna também a cultura. Cada homem e mulher, grupo étnico ou racial, descobre que pode ser produto do próprio sentido da sua vida. O díficil é respeitar isso como valor, sobretudo nós, Cristãos, que ainda não sabemos distinguir Jesus Cristo do arcabouço judaico e greco-romano que o reveste e tanto favorece o euro-centrismo eclesiástico.
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Felizmente o próprio Jesus nos ensina a diferença entre imposição e revelação. Impõe-se pervertendo a natureza do poder (Mateus 23:1-12). Mas revelação significa "tirar o véu": ser capaz de captar os fragmentos culturais de cada povo e reconhecer as primicias evangélicas alí contidas como afirmou o Concilio Vaticano II.
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Aliás, Deus não fala latim. Prefere a linguagem do amor e da justiça. E esse dialeto toda cultura incorpora e entende." (Frei Betto)



Paz de Cristo

domingo, 5 de julho de 2009

Por um Cristianismo menos Pagão

"Em Jesus temos um Homem que recusava render-se diante das pressões da conformidade religiosa. Um Homem que pregava uma revolução. Um Homem que não tolerava a hipocrisia. Um Homem que não tinha medo de provocar aqueles que suprimiram o evangelho libertador que Ele trouxera para libertar os homens. Um Homem que não se importava em despertar a cólera de seus inimigos, levando-os a preparar-se para a luta.

Onde pretendo chegar? Nisso: Jesus veio não apenas como Messias, Ungido de Deus, para libertar seu Povo das ataduras da queda.

Ele veio não apenas como Salvador, pagando uma dívida que não era dEle para quitar os pecados da humanidade.

Ele veio não apenas como Profeta, consolando aflitos e afligindo acomodados.

Ele veio não apenas como Sacerdote, representando o homem perante Deus e representando Deus perante o homem.

Ele veio não apenas como Rei triunfante sobre toda autoridade, principado e poder.

Ele também veio como Revolucionário, rompendo o velho odre com o intuito de introduzir o novo."

(Frank Viola, Cristianismo Pagão).

Alguns posts atrás mencionei minha vontade de ler o livro Cristianismo Pagão de Frank Viola. Bem, eu lí e o livro me deu um pouco para pensar e um pouco para orar.

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O autor aponta, sistematicamente as práticas do Cristianismo moderno (com enfase nas denominações protestantes), que tem origem não na Bíblia, mas em ritos e filosofias pagãs. O que foi surpreendente para mim é que muitas dessas práticas estão profundamente enraizadas na forma como se pensa em igreja hoje. A organização liturgica das celebrações é um bom exemplo. O próprio sermão/estudo/pregação que consiste no cerne do culto protestante segue muito mais moldes da oratória e retórica de filosofos gregos do que moldes bíblicos.
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Bem, como solução para o problema o autor propõe uma revolução, um retorno a um Cristianismo verdadeiramente neo-testamentario firmado na liderança soberana de Cristo sobre o seu corpo, uma alternativa interessante, sem dúvida.
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Não concordei com todos os pontos e argumentos do autor, ainda assim o livro é BASTANTE provocativo, faz o cerebro e o coração fervilharem e levanta algumas perguntas importantes. Um ponto positivo que pude observar é que algumas igrejas protestantes parecem ter 'sacado' o problema (ou parte dele), e vejo por aí muitos Cristãos e igrejas inserindo em sua doutrina e liturgia, aspectos mais condizentes com o novo testamento sem 'incinerar' 200 de história da Igreja Cristã (que, pela Graça de Deus, possui diversas 'bolas dentro' e não apenas 'bolas fora'). Eu por exemplo, não pretendo abandonar a igreja da qual sou membro e, de forma revolta, fundar uma nova comunidade Cristã no fundo do meu quintal. Ainda assim, repito, o livro me deu muito o que pensar e espero que me ajude a refletir e crescer na fé.
Não se contentem com meu breve comentário, leiam a coisa toda AQUI: "CRISTIANISMO PAGÃO" (versão traduzida por Railton de Souza Guedes)
é isso aí amig@s
A Paz de Cristo




quinta-feira, 25 de junho de 2009

A pequena, O Corinthians, Tilllich e Mastral e o diálogo na fé Cristã. Ou “A História do Embuá Branco parte II”

Esse constitui o “outro post” do qual falei durante a “história do Embuá Branco”

Do pedaço daquilo que eu sou que se chama Corinthians, minha pequena nunca entendeu. Tantas vezes em seu colo verti lágrimas por conta do Corinthians [1], com tanta paixão que para ela deve ser como se eu estivesse chorando por causa d’alguma amante. Lá em seu colo. Procuro manter, sempre, bem claras minhas prioridades, suportando e curtindo o pedaço daquilo que eu sou que se chama Corinthians com o máximo de ‘religiosidade diletante’ e o minimo de fundamentálismo possível. Com o coração apertado mas isento de idolatria. Ainda assim, de forma velada, o mal entendido persiste (corro o risco de ser muito mal interpretado nesse post, por exemplo).

Ela não entende (tricolores as vezes não entendem). Sua incompreensão é tanta que quando seu time é derrotado sua reação é bem outra. Talvez por que eu seja um grande idiota, não é incomum entre corinthianos que beiram o retardamento mental (não se assustem, me mantenho razoavelmente civilizado).

De qualquer forma esses primeiros paragráfos foram escitos só para ilustrar uma diferença de pensamento intrinseca existente entre mim e a pequena (ah e pra fazer um pouco de “AUÊ” com meu Timão, fazia tempo não falava dele). Se a coisa toda ficasse por aí talvez a coisa toda fosse mais fácil, mas as diferenças vão mais além. Poderia salientar as diferenças entre Homem X Mulher; Esquerda X Direita; bairrista da zona Oeste X bairrista da zona Sul e tantas outras. No entanto, o que tem me tocado o coração quando falo com a pequena, bem como nas minhas andanças por aí são nossas diferenças em enxergar e mesmo viver a fé Cristã (já falei um pouco disso aqui).

Descrever e pontuar de forma exata nossas distinções seria meio “sacal”. Basta dizer que ultimamente, cada vez mais, apontamos o nariz para aspectos diferentes de nossa fé.

Eu sou um Cristão que às vezes hesito em me descrever como evangélico (e não sou o único), falo mais palavrões do que devia, ando meio anti-clerical, flerto sem medo com as mais diversas idéias teologicas. Acabei de ler um livro sobre pedagogia libertária e estou doidinho pra ler “Ortodoxia Generosa” e “Cristianismo Pagão”. Um “Nó Cego” exemplar. Se me deixarem passo o dia falando sobre Deus, biologia evolutiva e o Corinthians (interesses que deram origem a esse blog).

A pequena não hesita! É evangélica e acha importante que a mulherada use veú durante as celebrações. Acredita e defende com unhas e dentes a instituição igreja, não gosta que eu fale palavrão, mas deixa escapar um de vez em quando. Ela anda ouvindo muito Megadeth e lendo muito de um cara chamado “Daniel Mastral” que anda influenciando ela bastante. Se deixarem ela passa o dia falando de Deus, anjos, demônios, ministração, o Mastral e o Dave Mustaine.

Às vezes meu coração fica pesado, a pequena me ensina muito (MUITO) a respeito do que é seguir a Cristo, e caminhamos juntos. Sinto que temos seguido caminhos diferentes em relação a fé Cristã e, embora discorde dela lá e cá, não creio que nenhum de nós dois estejamos ' errados'. Vejo que se aprendermos a trocar idéias possamos ter uma vivência Cristã mais rica.

As vezes meu coração fica pesado e eu fico encafifado. Mas desde que comecei a escrever esse post (no domingo), recebi duas respostas em relação a isso! A primeira, mais importante, veio de São Paulo em sua Carta aos Corinthios:

“Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer” (1Corinthios 1, versículo batatinha).

Não sei bem o que tirar de tudo isso. Paulo pode, a primeira vista, parecer um bobão, mas quem lê o capítulo todo sabe que o homem não está falando de robozinhos ‘uni-partidários’, está falando de Cristo.

Não concordo com Mastral, a pequena não concorda com Tillich, mas isso não importa frente a Jesus Cristo! Integração não é sinonimo de invariabilidade estática [2]. É o compromisso de amar e de negar-se a sí mesmo que rege a vida de quem quer seguir a Cristo. Ser “de Paulo”, “de Apolo”, isso tudo não existe! Me lembra aquele trecho de Atos: E era um o coração e a alma da multidão dos que criam...” (Atos 4: trinta-e-poucos). Pode parecer facil, mas não é! É verdadeiramente difícil! Pois implica em diálogo em vez de debate e em ouvir, ser ouvido, falar e deixar falar. E eu ainda não consegui fazer direito (uma crentinice sem dúvida).

Me parece claro que buscar o Deus que não dá pra entender é muito mais valido do que entender o Deus que não dá pra buscar (pois é Ele quem busca e Ele que se apresenta). Abobrinhas, essas sempre vão existir e eu perco sono com elas (literalmente). Eu e a pequena lutamos para se entender e para fazer dessa comunidade chamada de “Cristianismo” uma coisa melhor. É assim que tenho tentado interagir como Cristão, onde quer que eu vá. A pequena continua me ensinando, e continuamos caminhando juntos, em Amor, em Fé e em Esperança.

Termino com a segunda opinião que recebi de um colega, essa mais ousada, mas que também ouviu os conselhos de Paulo. Embora não reflita necessariamente minhas opiniões, me deu um pouco pra pensar:

“Emiliano, o Teólogo protestante Paul Tillich irá conformar o evento Jesus Cristo como doador da História, des-alienando-O da cultura hebraíca que o pensou, e O situando no Meio da História, doador da História, o Símbolo perfeito do Pai que harmonizará as três dimensões do tempo e da história: passado, presente e futuro, e entre o tempo e a eternidade, entre o divino e o humano.

Em Jesus se realiza a Humanidade Essêncial e não a Existencial.

E esta conformação da História ao Evento Jesus Cristo, santifica todo o sentido simbólico de Sua humanidade, estendendo-O à toda Sua manifestação do divino, presente entre todas as culturas, em todas as dimensões temporais.

Se professamos Jesus Cristo como sentido das nossas vidas, haveremos de O conceder a todas as pessoas que são simbolizadas nele, e por Ele passam a ser divinas, porque de outro lado , Jesus seria o refém de um povo, o hebreu, o que não foi historicamente, ou refém de um Livro, o que contradiz o Seu sentido Simbólico de ser a Revelação de Deus.

E se cremos que Deus é tudo , então devemos ter a coragem de aceitar Sua totalidade nas várias crenças .

Você quer reduzir à pluralidade de Cristo nas várias manifestaçãoe do cristianismo, eu quero dar um passo além e ver Jesus Cristo em todas as manifestações onde o Homem busca sua ligação com o Divino.
Porque, ao contrário, meu caro amigo Emiliano, Jesus não seria Tudo em Todos como diz Paulo, seria um refém de nossas idiossincrasias , de nossos desejos de nos apropriarmos de um evento que envolveu tudo e todos, por ser Alfa e Omega, por ser o Principio e o Fim de todas as coisas e de seus sentidos.

Um passo corajoso, mas é assim que eu ando pensando a Teologia, no seu aspecto simbólico, que trata do divino que é o Ápice e não rés, do nosso chão e quadradinho.

Paz e Bem !”





é isso aí amig@s

Amo vocês

Paz de Cristo

[1] me vem a memória o dia dos namorados que caiu no dia seguinte a derrota do Timão para o Sport de Recife na Copa do Brasil de 2008. Mesmo que esse ano, com o Inter, a história se repita. É bom que o dia dos namorados já tenha passado a algum tempo...

[2] dúvida? Estude genética quantitativa.


sábado, 13 de junho de 2009

Mente, matéria, naturalismo e uma visão completa de mundo. Uma reflexão.

"Mais doloroso é o silêncio absoluto de todas as nossas investigações científicas para com nossas questões referentes ao significado e escopo de todo espetaculo. Quanto maior a atenção com que o observamos, mais despropositado e tolo nos parecera. O espetáculo em andamento obviamente adiquire um significado apenas com relação à mente que on contempla. Mas o que a ciência nos diz sobre esse relacionamento é patentemente absurdo: como se a mente só tivesse sido produzida por esse mesmo espetáculo a que está ora assistindo e que perecera com ele quando o Sol finalmente esfriar e a Terra tiver se transformado nem deserto de gelo e neve" (Erwin Schrödinger, Mente e Matéria).
Recomendo a leitura dos ensaios do ganhador do premio nobel do inicio do século. Em particular "O que é Vida?" é geralmente descrito como "seminal". Em "Mente e Matéria" Schrödinger diversas vezes acaba viajando na maionese, o que não deixa de ser interessante, muito embora eu não concorde com todas as viagens do homem.
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Acho ainda que esse ensaio da decada de 1950 pode dar algumas dicas de como abordar o dialogo entre fé e ciência. Em particular o paragrafo que transcrevi a cima.
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De fato, o problema está posto: o materialismo metodológico nos mostra, quanto mais o utilizamos como lupa para destrinchar o mundo a nossa volta, mais encontramos um mundo sem sentido ou próposito. A propria consciência, que nos permite 'assistir ao espetáculo' e dar lhe algum valor é, ela mesma, fruto do desenrolar do espetaculo e ira embora, junto com tudo mais, ao se fecharem as cortinas.
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Ainda não terminei de ler o livro, mas ao ler esse paragrafo, uma pausa para reflexão foi necessária. A patente (ou aparente) inimizade entre o pensamento racional analítico e o pensamento místico se escalonou ao longo do século XX (como mostra a obra de Bertrand Russel: "Science and Religion"). E até o presente momento não foi resolvido! Ontem mesmo o caderno MAIS da Folha de São Paulo, numa matéria a respeito dos 400 anos da invenção do Telescópio por Galileu, que a "Igreja ainda está tentando entender a ciência".
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Longe de dar a afirmação um ar pessimista, acho isso ótimo! É ótimo que a fé Cristã reconheça que ainda não sabe direito entender a ciência e que busque o entendimento dessa que, na minha opinião, é uma baita benção de Deus! De fato, não sabemos onde traçar as fronteiras que "limitam" a ciência e deixam espaço para a nossa fé. Pior ainda! A ciência por vezes ignora todas as fronteiras e permeia, cada vez mais, todos os aspectos da nossa vida e respostas dos próprios cientistas nos parecem, no minimo insatisfatórias. E não vou entrar aqui nas opiniões dos auto-intitulados inimigos da fé a respeito do assunto, vou apenas transcrever mais um paragrafo de "Mente e Matéria", que segue ao que abriu esse post (a cima):

"Gostaria de mencionar rapidamente o notório ateismo da ciência que vem, é claro, sob o mesmo cabeçalho. A ciência está semrpe sendo criticada, mas tão injustamente. Nenhum deus pessoal pode fazer parte de um modelo de mundo que se tornou acessivel à custa de remover dele tudo o que é pessoal. Quando se tem a experiência da presença de Deus, sabemos que é um evento tão real quanto uma percepção imediata dos sentidos ou como a da própria personalidade. Como elas, Deus deve estár ausente na imagem do espaço-tempo. Não encontro Deus em nenhum lugar do espaço nem do tempo - é isso o que um naturalista honesto lhes dirá. Por isso, ele incorre na reprovação daqueles em cujo catecismo está escrito: 'Deus é espirito'. " (Erwin Schrödinger, Mente e Matéria).
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Esse afastamento completo de Deus da nossa imagem do mundo natural ofende aquele que tem fé. Parece contrastar e entrar em conflito com o Deus cujo Espirito desde o principio pairava sobre as águas, o Deus Criador de milagres e proezas que as Escrituras relatam. Ainda assim, acho que Schrödinger dá uma bola dentro. Penso ser muita pretensão achar que o Deus que antes de tudo é Amor -um Deus que é Espirito- vá ser revelado a nós por nossos próprios esforços em desvendar a natureza. A ciência permeia tudo e isso não deve ser temido. Antes, como eu já falei, é uma grande benção que possamos entender mais e mais a respeito do mundo que nos cerca! Não precisamos mais de idolos para fazer proliferar nossas colheitas ou nos livrar de pestes e doenças.
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Ao mesmo tempo temos de nos perguntar até que ponto essa 'lavagem' de tudo pela impessoalidade cientifica nos leva de fato para a verdade. Ao livrar o mundo de seus demônios a ciência também livra o mundo de seus anjos, nos exuma de milagres tanto quanto de maldições e destrói as 'impurezas' de nossos próprios sentimentos da interpretação do mundo ('aquela coincidencia que aconteceu naquela manhã em que sua vida mudou foi SÓ uma coincidência e NÃO um sinal do Divino').
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Aparentemente crentes e descrentes se degladiam com isso à uns 400 anos e não sou eu quem vai esgotar o assunto. Mas gostaria sim de argumentar que, embora seja uma benção, a ciência não é completa nem nos da uma visão completa do mundo! O fato de, ao nos debruçarmos sobre a imagem cientifica de mundo, a coisa toda nos parecer despropositada e sem sentido não significa que não exista um sentido. Antes, significa que a ciência tem limitações. Não as fronteiras que alguns, desesperadamente, tentam impor a ela artificialmente, mas antes, fronteiras que ela mesmo traça. De fato, creio em um mundo guardado por anjos e assombrado por demônios onde as coincidências podem ser muito mais do que coincidências. Onde, as vezes, aquela conversa no busão que mudou teu jeito de ver as coisas foi mais que só uma daquelas conversas de busão. Minha pequena me disse ontem a noite que, em alemão, eles tem só uma palavra para fé e esperança[1]. Vivo com esperança e creio que isso peça, necessariamente por fé.
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Quem leu o texto do Alvin Platinga cujo link eu já passei, pode ver uma dessas fronteiras da impessoalidade científica. Schrödinger nos fez atentar para o absurdo de ter uma mente que é um fruto cego do próprio desenrolar do universo que ela própria é capaz de contemplar. Platinga nos faz nos perguntarmos porque deveriamos confiar SOMENTE nessa imagem mental que temos de mundo quando esta foi moldada pelos mais 'primitivos' impulsos: comer, fugir, lutar e acasalar. Para Platinga, quem possui fé em um próposito e sentido maior, apoia sobre a fé a crença de que a própria visão de mundo reflete, de alguma forma, a realidade das coisas. Mas para ele, o naturalismo cientificista dá um tiro no pé ao depender para obtenção do conhecimento apenas da ciência. A mesma ciência que nos aponta que nossa mente é fruto de um processo cego que visa apenas a própria permanência.
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Eu já disse: a primeira vez que lí o argumento franzi o cenho com cara de cético pensando: "baita argumento meia boca!". Mas depois me coloquei a refletir no que encontramos no mundo natural. Quanto nosso comportamento e visão de mundo dependem de nossos instintos e quanto deles são herdaveis e portantos sujeitos a forças evolutivas? Não sei dar a resposta para essas perguntas, mas penso que tal resposta seja suficiente para nos fazer duvidar da própria imagem de mundo que construimos em nossas mentes, mesmo a impessoalidade cientifica. O ácido da evolução talvez tenha corroido o próprio recipiente de filosofia naturalista no qual ele foi colocado por alguns. E aí, de duas uma: ou o ácido não é tão ácido assim, ou talvez ele precise de um novo recipiente.
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O "notório ateísmo da ciência" é, na minha opinião, uma limitação de um modelo no qual o Amor e o Deus que é Espirito não figuram. Particularmente ainda me incomodo ao ver ele permeando tudo, mas cada vez mais entendo que uma visão de mundo completa vá muito além disso.
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Quando nossa escolha é entre apreciar o jardim como um imbrincado amontoado de atomos de carbono, hidrôgenio e oxigênio frio e distante. E aprecia-lo de forma pessoal sentindo o calor do sol e o cheiro das flores, achando aquilo tudo belo ou bucólico, frio ou triste. Penso que a segunda forma é bem mais satisfatória, mesmo que a primeira possa nos trazer insights preciosos que não devem ser descartados. Penso também que da segunda forma sempre havera espaço para as tais fadas[2] e que isso é bom
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é isso aí amiguinh@s

Amo vocês

Fiquem na Paz de Cristo



[1] Hoffnung seria esta palavra. A palavra Glauben não seria a tradução literal de "fé", mas antes de "crença" ou "acreditar". Tenho que conferir isso em um dicionário.

[2] refêrencia a frase de Douglas Adams: "Não basta apreciar a beleza de um jardim, sem ter que imaginar que há fadas nele?"... Mas vocês já sabiam disso, certo?