Filminho excelente refutando alguns argumentos do Adauto Lourenço. Muito bom!
Tirado DAQUI.
Paz de Cristo
Filminho excelente refutando alguns argumentos do Adauto Lourenço. Muito bom!
Tirado DAQUI.
Paz de Cristo
Hoje na lanchonete do ICB tive a infelicidade de deitar os olhos num informativo (parecido com um jornalzinho) de divulgação gratuita: “STOP A Destruição do Mundo”. Ainda não sei que grupo está por detrás da coisa toda, mas acho que seria legal que eu tirasse algumas linhas do meu blog para falar mal do jornalzinho. Eu explico o porquê.
O jornal aparentemente faz um belo esforço para divulgar uma ‘nova idéia de medicina’ de que todas as enfermidades sofridas pelo ser humano (inclusive cáries e gripe-suina) têm origens nos desequilíbrios internos de cada pessoa.
Eles explicam que toda essa história (descrita como uma ‘teoria errônea’) de que micróbios causam doenças, ganhou força nas idéias materialistas de Augusto Comte. Um paradigma reducionista físico, segundo eles, facilitou a ampla disseminação e aceitação das tais idéias ‘errôneas’ de Pasteur.
A coisa toda vai além. Segundo a publicação, essa idéia de Pasteur ‘estancou todo o desenvolvimento da humanidade, que colocou a causa de todos os problemas de saúde em uma etiologia mentirosa que nada tem a ver com a realidade’.
Bem, Pasteur parecia ser um cara legal, porque ele mentiria dessa forma? O STOP responde! “A idéia de Pasteur foi criada erroneamente para vender medicamentos”.
O que realmente ocorre para gerar doenças, segundo o STOP, é : “1) Por causa dos maus sentimentoe e idéias, as células são deformadas.; 2)Em seguida, os microzimas (partículas) se transformam em vírus e bactérias.; 3)Provando que as doenças vêm do interior e não de fora como dizia Pasteur.”
Meu comentário:
Logicamente, fatores psicológicos e psicossomáticos tem muito a ver com a saúde do individuo. Mas ao dizer que eles são a única e principal causa. E que doenças não tem nada a ver com microorganismos externos, os caras do STOP trocam toneladas de evidências empíricas provadas e comprovadas (vacinas, só pra citar um exemplo), por uma hipótese ‘esquisita’ para o desenvolvimento de doenças.
Você já tinha ouvido falar da tal hipótese das microzimas? Bem... Nem eu. Falando cientificamente, isso não interessa. Caso a hipótese seja valida e possa ser comprovada, pesquisadores na área de microbiologia e medicina podem estar na beira de uma verdadeira revolução cientifica. No entanto, não ouço falar de muitos artigos sobre ‘microzimas’ sendo publicados em revistas cientificas. E o aparente silêncio do meio cientifico a cerca da hipótese mostrada no jornalzinho ‘STOP’ nos aponta que, provavelmente, ela é, de fato, uma idéia tão idiota quanto parece.
Os defensores das microzimas teriam, é claro, uma defesa na ponta da língua: “O meio cientifico está contaminado por uma visão materialista dogmática, eles se recusam a ver os dados de outra forma! Ademais os lucros das vendas de remédios são um grande incentivo para que eles se calem a respeito da ‘teoria rival’ das microzimas”. Infelizmente, essa defesa da uma idéia totalmente errada de como a ciência atua e funciona - e de que pesquisadores ganham dinheiro* - De fato, quem conseguir experimentalmente demonstrar as tais microzimas; que elas, a partir de stress mental se transformam e causam enfermidades, tem muito, muito a ganhar na carreira cientifica (estou falando de prêmios nobel), todo cientista na área medica daria um braço para conseguir tal experimento (caso ele seja –fosse- possível). Ainda mais se fosse de forma tão cabal e elegante quanto a que Pasteur comprovou a existência de microorganismos.
Talvez você já tenha sacado onde quero chegar. Particularmente não me daria ao trabalho de escrever algumas linhas no meu blog acerca de um informativo que eu não sei de onde veio e que - tudo indica – não vai pra lugar nenhum. Mas o STOP é particularmente didático em mostrar exatamente a ‘receita de bolo’ para criar e divulgar uma pseudociência. Não é difícil identificar todos os seus elementos no jornalzinho: As afirmações de que o meio cientifico, enviesado e/ou mal intencionado, propaga idéias errôneas e busca adequar o conhecimento cientifico a uma ‘agenda’. Esse ‘viés cientifico’, segundo eles, acaba causando a hipótese ‘alternativa’ a ser ignorada. Os defensores da ‘hipótese alternativa’ são então vistos como os ‘verdadeiramente revolucionarios’ lutando contra o dogmatismo cientifico enferrujado. E, finalmente, sob escrutínio, se percebe que essa tal ‘hipótese alternativa’ é baseada em dados obscuros e questionáveis e ignora um montão de trabalhos científicos comprovados e fatos empiricamente corroborados.
Não sei pra vocês, mas para mim isso tudo soa particularmente familiar...
Quando o assunto é “como funciona a natureza”, a melhor tática ainda é buscar na própria criação as resposta. E a maneira menos tosca de se fazer isso, me parece, é o método cientifico, mesmo com suas limitações. A parte mais bacana é que esse método abre os braços para tudo que é questionamento e critica e se propõe a discutir e testar as mais diferentes idéias. O STOP nos mostra que passar por cima daquilo que nós podemos (graças a Deus) descobrir/espremer da natureza a cerca de como ela funciona, pode ficar parecendo meio ridículo, e até chegar a ser danoso e/ou perigoso (fico imaginando se alguém para de tomar vacina ou escovar os dentes por causa desse informativo irresponsável que atribuí a ocorrência de varíola e caries ao estado de espírito do paciente).
No final das contas, acho que podemos aprender alguma coisa com "STOP A DESTRUIÇÃO DO MUNDO"
Paz de Cristo
*OK, essa piadinha veio de um biólogo, pós-graduando que trabalha com ciência básica no Brasil, por isso é exagerada e despropositada... Desconsiderem...