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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Chamada para textos – revista eletrônica Espiritualidade Libertária n. 3 (1. sem. 2011)


A revista Espiritualidade Libertária está chegando à sua terceira edição. Ela teve inicio a partir dos dialogos e discussões que surgiram do grupo que se reunia (e ainda se reune) no centro cultural Vergueiro pra discutir, de forma sempre despretenciosa, assuntos acerca de espiritualidade e anarquia (para um breve balanço das tais reuniões clique AQUI). O dossiê temático da primeira edição foi "O pensamento de Jacques Ellul"; O tema da segunda edição foi "Gênero, sexualidade e religião". E o dossiê temático da presente edição é "Espiritualidade e Evolução Biológica" e, vocês já devem ter adivinhado, estou fazendo parte do corpo editorial!
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Já ouvi criticas de que o tema da revista foge um pouco do fóco que a públicação pretende ter, mas creio que a pluralidade dentro dos temas da revista reflete a pluralidade do próprio grupo de pessoas que têm se proposto a se sentar junto, conversar, discutir, planejar e agir e de vez em quando tomar uma cerveja junto. Além disso acho que essa revista pode contribuir de forma interessante para quem quer se posicionar nos relacionamentos, pontos de contato, atritos e brigas entre as ciências naturais e a religião. Minha vontade seria receber textos diversos de todo o tipo de gente conversando, discutindo e refletindo sobre as nossas descobertas acerca do mundo natural e em como isso influência em nossa Espiritualidade (ou falta dela) e visão de mundo.

Deêm uma olhada na chamada para texto AQUI


Convidamos vocês a participarem da nossa revista. Enviem seus textos até o dia 31 de maio de 2011 para o e-mail da revista. Neste número (n. 3 – 1. sem. 2011) teremos o dossiê: Espiritualidade & Evolução Biológica. No entanto, receberemos também textos para a seção livre. Vejam também o arquivo daChamada para textos com a Política Editorial da revista.

Para o dossiê Espiritualidade & Evolução Biológica, pedimos o envio de textos que busquem tanto um diálogo e interação entre o entendimento científico da realidade e a vivência espiritual, bem como a análise crítica de pontos de atrito nos quais o ponto de vista religioso e a análise científica parecem colidir. Em particular, o desenvolvimento, do movimento “Criacionista/Design-inteligente”, iniciado nos Estados Unidos, mas que tem se disseminado, particularmente no Brasil, no meio evangélico. Dado o espaço que tais grupos disseminando o Criacionismo/Design-Inteligente têm conseguido – uma matéria publicada em 2 de abril de 2010 na Folha de São Paulo (disponível na página:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u715507.shtml) revelou que 25% dos entrevistados acreditam que o ser humano foi criado a partir de um ato sobrenatural há menos de 10 mil anos –, seria interessante abordar seus argumentos e objetivos, bem como o contexto social e histórico em que tais idéias se desenvolveram e se mantêm.

É importante ainda, abordar pontos de contato e pontes, nas quais o conhecimento científico, bem como o conhecimento teológico e filosófico, possam se aliar no papel de desvendar mais acerca da realidade que nos cerca. E ainda a capacidade do conhecimento científico em moldar e alterar a nossa visão de mundo e, portanto, a nossa vivência espiritual. Nas palavras de Carl Sagan:

Será que tentar perceber de alguma maneira o universo revela uma certa falta de humildade? Creio que é verdade que a humildade é a única resposta adequada perante o universo, mas não uma humildade que nos impeça de procurar descobrir a natureza do universo que estamos a admirar. Se procurarmos essa natureza, então o amor pode ser inspirado pela verdade, em vez de se basear na ignorância ou na auto-ilusão. Se existe um Deus criador, será que Ele ou Ela ou Isso ou seja qual for o pronome apropriado preferiria uma espécie de cepo embrutecido que o adorasse sem nada compreender? Ou preferiria que os seus devotos admirassem o universo real em toda a sua complexidade? Quanto a mim, parece-me que a ciência é, pelo menos parcialmente, adoração informada. (Carl Sagan in The Varieties of Scientific Experience: A Personal View of the Search for God. Nova York: The Penguin Press, 2006)

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We invite you to join us and collaborate with our online magazine. The deadline to submit papers is 31st May. To do so, please email them to the e-mail addressof the magazine. In this issue (n.3 – 1st semester 2011) we will be having a dossier: Spirituality and Biological Evolution. However, submitted papers for the free section will be welcomed as well. For further information see also the editorial policy followed by the magazine in the Call for Papers.

On the third edition of Espiritualidade Libertária, for the dossier Spirituality and Biological Evolution, we invite you to submit papers that seek dialogue and interaction between the scientific understanding of reality and spirituality, as well as a critical analysis of points of conflict in which the religious and scientific points of view seem to collide. In particular the development of the “Creationist/Inteligent-Design” movement, which first developed in the U.S., but has been spreading particularly amongst evangelicals. Given the space that these groups have gotten lately – the newspaper Folha de São Paulo published in April 2nd, 2010 a poll that revealed that 25% of people interviewed believe that human being was created from a single supernatural act of creation about 10.000 years ago (see:http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u715507.shtml) –, it would be interesting to approach critically they arguments and goals, as well as the social and historical context in which these ideas have first developed and spreaded.

It is important still to approach bridges and points of contact, in which the scientific knowledge, as well as theological and phylosofical knowledge, may ally in revealing more about the reality that surround us. And also the role of science to guide and influence our world view and hence our spirituality, in the words of Carl Sagan:

Does trying to understand the universe at all betray a lack of humility? I believe it is true that humility is the only just response in a confrontation with the universe, but not a humility that prevents us from seeking the nature of the universe we are admiring. If we seek that nature, then love can be informed by truth instead of being based on ignorance or self-deception. If a Creator God exists, would He or She or It or whatever the appropriate pronoun is, prefer a kind of sodden blockhead who worships while understanding nothing? Or would He prefer His votaries to admire the real universe in all its intricacy? I would suggest that science is, at least in part, informed worship. (Carl Sagan in The Varieties of Scientific Experience: A Personal View of the Search for God. New York: The Penguin Press, 2006)


Aguardo muitos textos e espero um resultado legal

Paz de Cristo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Um natal evolucionário!

O blog está paradão, mas não está morto!
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E resolvi escrever uma coisinha no Natal!
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Um presentão de Natal que eu tenho ganhado é o "Advent of Evolutionary Christianity". Trata-se de um projeto do Reverendo Michael Dowd. Nunca lí nada do homem, mas já ouvi muitas criticas provenientes até mesmo de Cristãos evolucionistas mais conservadores, que o acusam de abraçar uma espécie de pan-teísmo à-la Carl Sagan.
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O projeto em sí é composto de entrevista feitas pelo próprio Dowd de grandes nomes no meio de ciência e fé durante todo o período do Advento. Entrevistas geniais incluem Denis Lamaroux, Brian McLaren, John Polkinghorne, Ken Miller, John F. Haught entre muitos, muitos outros.
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As entrevistas podem ser baixadas pela net AQUI. Já tive a oportunidade de ouvir algumas e achei GENIAL! Eu sinceramente recomendo, são conversas informais, que, para mim, tem sido extremamente tocantes e edificantes! Em particular as conversas com o Lamaroux e com o Brian McLaren.
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Realemente, não concordo com todas as opiniões do Dowd, mas as entrevistas são muito, muito legais! Vale a pena conferir!!


Paz de Cristo

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Palestra com Francis Collins

The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief from The Veritas Forum on Vimeo.


Uma palestra muito interessante com o Francis Collins. Onde ele, além de estar usando uma gravata muito legal e muito nerd, fala sobre como ele encontrou sua fé e como isso se relaciona com sua carreira de cientista.

OK, é um filminho looongo, mas vale mesmo a pena assistir! é bem bacana.


Paz de Cristo


terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sobre as afirmações de Stephen Hawking

Eriçou minha curiosidade, nessa semana que passou, o lançamento do novo livro de Stephen Hawking, no qual, entre outras coisas, ele dispensa Deus na origem do Universo. Em meio a citações do físico mais popular da atualidade dizendo que o "porque existe uma lei como a da gravidade, o universo pode e ira criar-se a sí mesmo do nada" (tirado DAQUI, tradução livre), acabei me deparando com muita gente jogando confete, muita gente metendo o pau e muita pouca gente que tinha -de fato- lido o livro do homem. A coisa toda me deixou com a pulga atrás da orelha...
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Do que estamos falando?
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Cá eu, não sei nem o que é 'Teoria M'. Também não lí o livro do homem, e seria sabio da minha parte, talvez, me abster de escrever um post longo e maçante sobre esse assunto, atacando a ciência que eu não entendo ou defendendo minha fé de suas garras (sejam lá quais forem, exatamente, essas garras). De fato, este post não tem essa intenção e nem existiria não fossem por duas coisas: A primeira delas é que, sem muita força, eu encontrei uma porrada de textos, filminhos e links bacanas acerca de toda a controvérsia que essa história levantou. A segunda é que um colega (um desses que a gente conhece pela net), pediu minha opinião a respeito dela. Acabei achando que isso tudo daria um post legal.
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Em primeiro lugar, tem esse filminho bacana, do físico teorico Sean Carroll (não confundir com o biologo Sean B. Carroll) trocando em miudos as afirmações de Hawking acerca do universo e de Deus (que eu tirei DAQUI). Acho que esse filminho é um bom começo para essa história toda:
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O universo, então, 'se cria sózinho'. A física moderna - Stephen Hawking nos informa - mostra que o universo, obedecendo suas próprias leis, pode (ou inevitavelmente ira) 'se criar a sí mesmo' e se desenvolver até o ponto que observamos hoje. Isso -segue o argumento- não deixa nenhum espaço para a 'intervenção divina'. Sean Carroll põe as cartas na mesa: você até pode acreditar em um deus, mas trata-se de um deus que não criou nada e simplesmente não interage com o universo. Trata-se, sem dúvida, de um deus que ninguém poderia remotamente confundir com, por exemplo, o Deus das religiões abraamicas.
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Minha opinião é:
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Baseado no modelo newtoniano mecanicista, Laplace afirmou que a hípotese de Deus era inutil. Com as bases (quem sabe, mais sólidas) da relatividade e física quantica, Hawking parece chegar às mesmas conclusões. Mas acho que aí justamente está o problema. Deus, segundo O entendo -se é que entendo- não é uma hipotese cientifica, Ele É uma pessoa. Assim, minha fé não é abalada pelo fato de que não existe nenhuma 'lacuna' no mundo natural na qual Deus pareça 'caber'. Se de fato, Hawking matou de uma vez por todas o 'deus das lacunas', acho que ele fez um favor à fé Cristã. O Deus que encontramos na Bíblia (seja a percepção que os judeus tinham de um Deus de poder no AT ou a percepção de Deus de Amor recebida pelos apostolos atráves de Jesus no NT) é de alguma forma distinto do Deus 'intelectualmente satisfatório' que aparece no final de uma linha argumentativa ao qual Tomás de Aquino dava ênfase.
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O universo 'funciona sózinho'. É claro que funciona! Ele não precisa de qualquer 'gambiarra sobrenatural' para funcionar. Eu acredito que a autonomia do universo está intimamente relacionada com Deus ter descrito sua criação como 'muito boa'. Não existe (ao que tudo parece indicar) nenhum canto escuro inexpugnável e inexplicável onde uma força sobrenatural deve ter atuado para que as coisas tenham seguido seu curso, O universo é capaz de se desenvolver sózinho.
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Ao mesmo tempo, não creio que a explicação de Hawking para a 'existencia de tudo' seja completa. Acredito profundamente que Deus está por detrás da elegancia dessa autonomia e que Ele a permita e a Sustente (Deus fez assim, e não deixou nenhuma "ponta solta"). É mais embasbacante para mim que o universo com regularidades tão 'simples' e 'elegantes' tenha a autonomia necessaria para se desenvolver desde seu principio, se organizar e, em algum (ns) cantinhos específicos, produzir vida e, na vida, a capacidade para evoluir às formas mais variaveis incluindo uma(s) capaz de reconhecer o seu próprio lugar no cosmos e buscar respostas acerca do sentido disso tudo. Longe de 'quebrar o encanto', a beleza que reconheço nesse processo todo alimenta de alguma forma a fé que professo, não com a certeza de uma hipótese corroborada, mas na percepção da beleza e da maravilha do cosmos. Trata-se de fé e não 'corroboração empirica', ainda assim, diante das próprias 'leis' que possibilitam a existência, seu desabrochar dinamico e vivo, considero minha opinião coerente.
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A Criação, eu creio, não possui pontas soltas que precisam ser remendadas de forma sobrenatural, não se trata tanto de que Deus 'não faz nada', mas antes, de que Deus faz tudo.
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Links, sites e opiniões interessantes
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Bem, essa é a minha opinião. Aliás, a resposta a cima foi exatamente o que escrevi, por email, ao camarada que perguntou minha opinião. Mas isso não é de forma alguma o final da discussão (muito pelo contrário, acho que pode até ser o começo).
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O blog da Scientific American também postou um texto bacana discutindo as afirmações de Hawking e a evidência de Deus.
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Ainda, o blog "Tubo de Ensaio" também postou (AQUI) sobre as afirmações e o livro do Stephen Hawking e prometeu se aprofundar no assunto em posts subsequentes. Marcio Campos nos explica que o 'nada' do qual, segundo Hawking, o universo inevitávelmente surge sózinho, não é bem 'nada', uma vez que necessita de regularidades físicas pré existentes. Ele escreve:
Quando os crentes dizem que Deus tirou o universo do nada, é nada mesmo. Se algo já existe, ou é, não estamos mais no nada ontológico. Um amigo, no Twitter, citou um exemplo tirado de um fórum ateísta: "cientistas já realizam uma creation ex nihilo, em laboratório, criando matéria do nada, apenas usando luz." Só esqueceram de avisar o sujeito que a luz existe, então não houve "criação a partir do nada". Da mesma forma, um amigo leitor do Tubo descreveu a situação nesses termos: se o que permite a criação "do nada" proposta por Hawking é a lei da gravidade, então não estamos no nada ontológico. Ainda que não existisse a matéria, nem a energia, existiria a lei e isso já é suficiente para não estarmos mais no nada. A única maneira de contornar o problema é não atribuir "ser" à lei. Mas isso simplesmente não faz sentido.
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Além disso, o blog também cita dois links, ESSE de um texto do Chicago Tribune, escrito pelo Pe. Robert Barron e ESSE de um artigo do Catholic Herald por Quentin de la Bedoyere. Vale a pena ler ambos.
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Por fim, o filmezinho abaixo (que eu também chupinhei do Tubo) apresenta uma conversa entre Alister McGrath e Jon Butterworth sobre o tal assunto:




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Bem, é isso. Apesar de as vezes achar toscas essas discussões, acho que nesse caso houve a oportunidade de explorar um pouco das fronteiras entre ciência e fé. Sei lá, me deu um pouco pra pensar.
Paz de Cristo


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Adicionado em 13/09/2010:

Acabei de ler, no BioLogos um texto do Karl Gibberson sobre as afirmações do Hawking. Ele foi públicado antes no The Huffington Post. Vale a pena ler: "Hawking’s Speculation: Everything Happens".

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Adicionado em 14/09/2010

Texto no site gringo da SciAm:

Cosmic Clowning: Stephen Hawking's "new" theory of everything is the same old CRAP

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Cristianismo e Evolucionismo em 101 Perguntas e Respostas - por John F. Haght

Esse é o segundo livro que leio do Teologo Católico John F. Haught sobre a influência da ciência moderna, em particular a biologia evolutiva, sobre a teologia e vice-versa. O outro livro "Deus Após Darwin" é mais aprofundado em aspéctos teologicos enquanto que "Cristianismo e Evolucionismo em 101 Perguntas e Respostas" me parece mais introdutório, claro e -por ser organizado em forma de 'perguntas e respostas' bastante direto (e excessivamente resumido). Como acontece, não concordo 100% com as idéias do homem, mas recomendo as duas obras, penso que Haught nos ajuda a expandir nossa visão e, com auxilio da ciência moderna, ter uma visão maior do Deus Criador (ando pensando muito em como a ciência tem um papel em 'desprovincianizar' algumas de nossas concepções religiosas, o que pode nos ajudar a pensar [em] Deus um poquim melhor. Além disso, a própria ciência pode ser um jeito de dar Louvor ao Criador [LEIA AQUI]).
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De qualquer jeito, ainda estou na pergunta 63 (mais ou menos), mas já posso dizer que o livro é bacana e instigante. Para outras opiniões, tem um blog lusitano, 'Companhia dos Filosofos' que postou uma resenha acerca do livro (AQUI) - o livro, alias, foi traduzido por uma editora lusitana e está em portugues de portugal - Alem disso, postaram também uma resenha no site irmãos.com (AQUI).
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Resolvi também transcrever um pequeno trecho do livro (uma resposta particular que considerei bastante interessante). Aí vai:
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Como é que a evolução altera a nossa compreensão de Deus?
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Uma perspectiva evolucionista propõe, antes de mais, uma grande mudança na forma como localizamos a transcendência divina. Podemos hoje talvez afirmar que Deus não está apenas “lá em cima”, mas também “mais adiante”. De acordo com a formulação de Karl Rahner Deus é o Futuro Absoluto. A reflexão sobre o processo evolucionário tem ajudado a teologia a recuperar o profundo sentido bíblico de Deus como Aquele que Se relaciona com o mundo dando-lhe promessas ainda por realizar. Deus vem do futuro a este mundo ainda inacabado e cria-o de novo, a partir do futuro. Uma teologia da evolução pensa Deus e a promessa de Deus em termos da “futuridade” do ser, e não em termos de uma eterna e imóvel presença, a pairar “lá em cima”. Isto, porém, não é tanto uma mudança qualitativa na nossa compreensão de Deus, mas mais uma recuperação radical de intuições bíblicas esquecidas acerca da realidade última.
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Em segundo lugar, a epopeia da evolução expande a nossa compreensão de Deus, fazendo-nos tomar consciência de que o amor divino abraça o destino de todo cosmos. Assim, já não podemos legitimamente separar as nossas aspirações pessoais daquele que vier a ser o destino da criação inteira. Enquanto as religiões acreditavam num universo estático, talvez fosse compreensível que a esperança humana pudesse tomar a forma de vislumbrar um destino algo individualista num outro mundo, completamente diferente deste. Este “optimismo de retirada” , como o apelida Teilhard de Chardin, dominou a espiritualidade ocidental ao longo dos séculos. A evolução, no entanto, diz-nos que estamos ligados a um universo mais amplo e a uma grandiosa história de vida, num prolongado processo de “vir-a-ser”. O renovado sentido de “ser um” com o cosmos oferece à nossa esperança um horizonte verdadeiramente novo. A evolução dá às nossas vidas um sentido mais forte do que nunca de sermos participantes do processo em curso de uma história cósmica da criação.
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Finalmente, a evolução deu um acento novo àquilo que podemos chamar graça divina. A graça divina permite que possa haver um universo “contigente”, um universo que não é modelado por uma necessidade determinística. Num mundo assim, o acaso ou os acidentes podem ocorrer. A teologia não deveria ter-se surpreendido, deveria antes ter esperado que o mundo criado fosse aberto ao tipo de contingência e de aleatoridade que encontramos na evolução da vida. O próprio São Tomás de Aquino defendeu que um universo totalmente dominado pela necessidade não seria distinto de Deus. O mundo, para ser mundo, tem de ter elementos de não-necessidade ou de contingência. “Seria contrário à natureza da Providência e à perfeição do mundo”, disse São Tomás, “se nada acontecesse por acaso.”
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Apenas um cosmos independente poderia dialogar ou ter a verdadeira intimidade com Deus. Sob este ponto de vista, portanto, a epopeia da evolução é a história da independência e autonomia emergentes de um mundo que está a despertar na presença da graça de Deus. E a graça divina, como Karl Rhaner muitas vezes também sublinhou, torna o mundo mais autónomo, e não menos. Na presença de Deus, o universo não se dissolve no nada ou em Deus, mas torna-se antes um mundo distinto do seu Criador. A evolução, portanto, permite-nos sentir profundamente essa convicção primordial bíblica de que Deus é Amor gracioso e libertador.
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Paz de Cristo

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Saiu!

1) Após uma amigavel troca de emails, fui convidado a escrever um 'guest post', no blog "An Evangelical Dialoge on Evolution", pelo organizador do Blog, Steve Martin.

VEJA O POST AQUI

O post saiu hoje e faz parte de uma série de posts intitulada: "Evangelicals and Evolution: A Student Perspective". Trata-se da história e breve testemunho de diversos estudantes Cristãos, seus desafios na área acadêmica, seus contatos com a ciência evolutiva e outras coisas. A série esta muito interessante e contem histórias bonitas de pesquisadores e estudantes, e sua caminhada na busca por compreender e se aprofundar na fé que professam juntamente com a ciência que estudam. Achei o post anterior ao meu, muito legal! Tanto que mereceu uma menção no blog Science and the Sacred (leia AQUI).

É isso aí! Entrem lá e comentem! Sugiro que acompanhem toda a série, para mim pelo menos tem sido uma benção e espero que seja para muita gente! Acho importante contar histórias de pessoas que enfrentam o confronto entre fé e ciência com muita fé e ciência e o superam.

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editado (3-11-09) O blog "
Science and Religion: A View from an Evolutionary Creationist/Theistic Evolutionist" públicou, também, um breve comentário sobre o post no Evangelical Dialogue: VEJA AQUI.

2) Deem também uma boa olhada no blog "O Observador Antrópico" do Alex Altorfer. Uma fonte muito interessante e - o mais legal - em português!

é isso aí
Paz de Cristo

sábado, 10 de outubro de 2009

Reflexões : Atrás do Monte Improvavel


Estavamos eu a Pequena e um amigo a caminho de um farto almoço no prédio da editora Abril para o qual haviamos sido convidados por um outro caro amigo. Na saida da USP, no meio do caminho, ví que haviam caido no chão alguns figos de uma figueira. Papo vai, papo vem acabei falando para o tal amigo, enquanto caminhavamos, acerca da intima relação que existem entre figueiras e as vespas que as polenizam. Em linhas gerais, figos que a gente come não são frutas, são flores – ou melhor, inflorescências. Os figos são polenizados quando vespas entram dentro deles (por aquele ‘buraquinho na bunda do figo’) e botam ali seus ovos. Os ovos mais tarde eclodem e logo, vespinhas com o corpo cheio de pólen estão voando por aí em busca de um novo figo para botar seus ovos (e de quebra fecundar algumas florzinhas de figo com o polén). Para cada espécie de figueira existe uma espécie respectiva de vespa.
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Meu amigo ficou com aquele olhar pensativo e, como resposta a minha breve (e incompleta) explicação, mandou a frase que resultou neste post: “Isso é muito de Deus”. Imediatamente luzes vermelhas se acenderam na minha cabeça, me veio o nó na garganta que só quem é verdadeiramente chato em relação a algum assunto sabe como se sente (aquela necessidade incontrolavel de fazer o seu ponto de vista se impor. É o que geralmente acontece com alguns Corinthianos quando contestam o campeonato mundial conquistado em 2000; com alguns fãs de metal progressivo quando alguem fala que o melhor album do Dream Theater é o Six Degrees of Inner Turbulence [e é mesmo]; ou quando duas pessoas começam a discutir acerca de assuntos como cotas, aborto ou heróis da Marvel). Enfim... O sangue me subiu a façe e eu estáva pronto e preparado para dar, ao meu amigo, uma detalhada explicação a respeito de todos os processos evolutivos que deram origem a essa estreita relação entre os figos e as vespas. Um processo incrivel de co-evolução a medida em que as flores das árvores ancestrais de figo se tornavam cada vez mais compactas e condensadas: primeiro como umbelas, depois como capitulos, depois com capitulos mais e mais fechadinhos até chegar no figo. E, simultaneamente as espécies de vespas se especializavam, mais e mais, em se reproduzir, se alimentar e de quebra polenizar, o figo. Ia ser moleza, uma vez que eu acabei de ler essa semana “Escalando o Monte Improvavel” e o Dawkins utiliza precisamente esse como o seu ultimo exemplo de como a evolução, a partir de seleção da variabilidade existente, proveniente de mutações genicas, pode produzir a complexidade tamanha que observamos na vida na terra.
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Já estava abrindo a boca para explicar para meu amigo, tin-tin por tin-tin toda a história. quando um pensamento me conteve. Repeti na minha cabeça a frase do meu colega: “Isso é muito de Deus”. Pausei um pouco para refletir. Ora, afinal de contas, ele estava certo! Eu pelo menos, como meu amigo, creio e estou pronto para testemunhar que há um Deus. Que esse Deus criou todo o nosso universo. Que Ele se relaciona com sua Criação, e que Se revelou a nós a partr de Jesus Cristo. E que esse Deus está intimamente relacionado com tudo que é figos e vespas nesse planetazinho. Essas coisas são, sem dúvida, “de Deus”.
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Então onde estáva o problema? Penso que ele estava implicito! Para o meu amigo, Deus estava atrás do monte improvavel (as complexas relações entre figos e vespas). E o fato de que para ele o monte improvavel parecia um “Monte impossivel” nos remeteria ao Deus Criador, cheio de cuidados e caprichos. Ele não via a suave escalada do lado detrás do monte improvavel. Precisamente a “trilha” que eu estava prestes a abrir a boca para explicar para ele que alí estava. Longe de ser um “monte impossivel”, tratava-se, no final das contas de um “monte extremamente possivel”. Atrás dele havia uma trilha suave, tranquila e pouco ingreme, que subia de forma gradativa até o topo.
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Acho que nunca havia sentido a tensão entre a ciência que eu estudo e a fé que professo de forma tão clara quanto ali, no caminho até o predio da editora Abril. O que, afinal de contas, estava atrás do “monte improvavel”? Deus, ou uma trilha?
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Dawkins deixa a resposta dele extremamente clara ao longo de cada um de seus livros: Existe uma trilha, sempre uma trilha para cada monte improvavel (os olhos dos vertebrados, o cérebro humano, o voô dos morcegos, o comportamento reprodutivo de aves e as teias de aranha. Cada um desses “montes” tem atrás de si uma escalada tranquila cheia de intermediarios e sem quaisquer passagens ingremes). Uma trilha, e nada mais.
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O meu amigo, por outro lado, vê os “montes” improvaveis como o prédio da Abril: grandes monumentos, jamais passiveis de serem erigidos pela martelação cega das próprias forças naturais. Atrás de cada um deles há Deus. E Deus está lá justamente porque não há trilha alguma.
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Discordo dos dois.
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Concordo com os dois: Concordo com Dawkins. É inegavel, há uma trilha atrás do monte improvável. A trilha pode ser mais ou menos ingreme, mas é sempre uma trilha que o jumentinho chamado “seleção natural” e cujas pernas tem a medida da “variabilidade genética da população” pode trilhar. Dentre os “montes improvaveis” que são os seres vivos e suas caracteristicas, nunca encontraram um que não contivesse uma trilha com uma encosta tão ingreme que os musculos do jumentinho não pudessem subir, nem um caminho por detras do monte com uma vala tão grande que as pernas do jumentinho fossem curtas para cruza-lo.
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Concordo também com meu amigo: “Isso é muito de Deus”. Não apenas concordo, como uso esse post para exaltar a singela sabedoria dessas palavras (esse meu amigo é um cara muito sabio. Do tipo que sem se ligar acaba ensinando toda sorte de coisa sobre a vida pra gente). A história das vespas e dos figos. A história de tudo que é inseto polenizando tudo que é flor, de tudo que é hymenoptera, de tudo que é planta. Não apenas o ciclo ecológico tão equilibrado e dinâmico, mas também a história própriamente dita, a história natural: o desenvolvimento gradual dessas mesmas relações ecológicas desde seu principio através de cada geração: “Isso é muito de Deus”.
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Voltamos a conversar mais tarde e meu amigo se lembrou das palavras do Chesterton, de que na verdade as tais regularidades e “leis da natureza” são causalidades tão incriveis e encantadora quanto aquelas dos contos de fada (a carruagem vira abobora a meia-noite, a princesa é desperatada apenas com o beijo do principe). E cada uma dessas regularidades se parece mais com mágica do que com leis cientificas áridas. Talvez a trilha atrás do monte possa parecer, a primeira vista, arida e vazia, mas para mim (e acho que meu amigo talvez fosse gostar desse modo de ver as coisas), ela se parece mais com uma estrada de tijolos dourados, cheia daquele maravilhamento de contos de fadas do qual a ciência é cheia, e não vazia.


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Paz de Cristo

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Judgment Day: Inteligent Design on Trial

DocumentárioZÃO de 2 horas sobre o julgamento de Dover!

Muito, muito bacana!!



Paz de Cristo

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Filminho Parte 2: Alister Mcgrath


Alister McGrath fala sobre ateísmo, ciência e a fé Cristã que ele descobriu
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Paz de Cristo

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Fred Hereen: "Mostre me Deus" -- Será que é bacana?

Acabei de ficar sabendo AQUI que o Jornalista cientifico Fred Heeren lançou seu novo livro no Brasil: "Mostre me Deus". Aparentemente o autor veio até o Brasil para lançar o livro e até deu algumas palestras em agosto (caramba eu perdi!).

O livro parece tratar de astronomia e as origens do universo e sua relação com doutrinas e ensinamentos Cristãos. Não sei até que ponto o livro o livro entra nas questões relativas às ciências biologicas tidas, por muitos, como mais indigestas, mas, na minha opinião, mais interessantes e ricas. Mas, sem dúvida fiquei interessado!

Com tantas obras de apologetica Cristã que se revelam pseudo-cientificas e/ou anti-cientificas por aí, estou meio com o pé atrás a respeito desse lançamento, mas, pelas informações que encontrei acerca do livro, e pela olhadela que dei nos artigos publicados pelo seu autor, estou esperançoso de que essa obra possa, ao contrário de tantas outras com a mesma temática, construir pontes ao inves de destrui-las. Quando eu conseguir 50 pilas para comprar o livro e o tempo para lê-lo falo para vocês as minhas conclusões.

Por enquanto fiquem com esse instigante filminho:





Paz de Cristo

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Evolução, 'Boas Novas' e Integridade: Breve entrevista com Michael Dowd

Chupinhei DESSE SITE, essa breve entrevista com Michael Dowd, autor do livro "Thank God for Evolution".

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Essa é a primeira vez que eu paro para ouvir o Michael Dowd falando (já tinha ouvido falar dele). Ele tem umas idéias pra lá de interessantes que integram os ensinamentos do Evangélho a própria natureza humana e sua história biológica.

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Não concordo com tudo que ele diz não! Acho que o conhecimento da nossa natureza humana, da história da vida e como ela se desenvolve, são extremamente relevantes para nós hoje, e tem sim implicações na nossa religião (pelo simples motivo que tem implicações na nossa forma de ver o mundo). Achei muito, muito legal, por exemplo, o que ele fala sobre os instintos humanos e sobre os efeitos do aumento na concentração de testosterona de pessoas que 'aumentaram seu status'.

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Mas, particularmente vejo esses conhecimentos como complementares com aquilo que a fé Cristã tem dito acerca da vida e Espiritualidade humana. Dowd, ao contrário, fala de uma 'revolução' da nossa maneira de ver essas mesmas doutrinas Cristãs que eu, e muita gente, consideram importantes -e até centrais - para a fé.

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Ainda assim, vamos sentar e ver o que o homem tem pra dizer, já disse e repito que o filminho é interessante e pode ser a base para um dialogo bastante produtivo.

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Ah... E se alguém aí acha que não tem jeito de complementar fé com ciência, eu recomendo um devocionalzinho pra lá de bacana: "Um Cientista lê a Bíblia" de John Polkinghorne. Para mim tem sido inspirador.

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O filminho tem só uns 10 minutos:
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Paz de Cristo

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Darwin estava certo, até certo ponto


Tomei a liberdade de traduzir ESSE texto escrito por Simon Conway Morris. Gostei do texto e acho que vai valer o esforço hercúleo de traduzi-lo para os leitores do blog. Talvez a tradução fique ruim, difícil de entender ou mesmo errada em certos pontos. Peço desculpas de antemão por meu amadorismo como tradutor, espero não ter judiado do texto para além de qualquer possibilidade de sua compreensão. Agradecerei efusivamente dicas e correções dos leitores que puderem ler e comparar o texto original.


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Darwin estava certo, até certo ponto


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Quando físicos falam, não apenas de um ‘universo estranho’, mas de um universo mais estranho do que somos capazes de imaginar, eles articulam um sentimento de ‘negócios inacabados’, o qual a maior parte dos neo-darwinistas sequer pensam a respeito. Diz Simon Conway Morris.



Alguém poderia se perguntar o que Charles Darwin, ou seu tenaz aliado Thomas Henry Huxley, pensariam a respeito da recente invasão de posters dirigidos aquelas pessoas que não tem nada melhor para fazer do que ficar olhando as laterais dos ônibus. Tais pôsteres agora servem para informar todo mundo de que “Deus provavelmente não existe”. (no entanto, se você continuar olhando para as laterais dos ônibus é bem capaz que você leia precisamente a mensagem oposta).

Diante dos estandartes ateístas, Darwin, eu imagino, teria resmungado um pouco e, no seu jeito característico, passado o problema adiante, para seu leal companheiro, Huxley. Este, suspeito ainda, teria discretamente lamentado que essa gente pudesse levar esse tipo de coisa tão a sério, mas provavelmente também olharia para a coisa toda como mais uma oportunidade para aprofundar sua agenda secular.

E o que há de novo? Darwinismo atingiu um ponto próximo a saturação e, entre seus devotos costumeiros existe pouca dúvida de que ele servira de base, convenientemente, para toda sorte de trocas de elogios e tapinhas nas costas entre defensores do ateísmo. No entanto, talvez agora não seja a hora de nos regozijarmos tanto naquilo que Darwin acertou – e, no que concerne em demonstrar a realidade da evolução, e que ela ocorre através de processos naturais não há o que discutir - mas sim na sua herança, em termos de ‘negócios inacabados’. Penso que é curioso ver como alguns aceitam a evolução como uma explicação total que abrange todo o universo, mesmo a despeito dos protestos, as vezes nada gentis, daqueles que a tratam como uma religião. Não se preocupe, a ciência evolutiva está certamente incompleta. De fato, a compreensão do funcionamento de um processo, nesse caso, seleção natural e adaptação, não acarreta, necessariamente, na aquisição de poderes preditivos acerca do que pode (ou deve) ser o resultado do processo, nesse caso, evolutivo. Também não é lógico presumir que simplesmente porque somos resultados de processos evolutivos – e nós claramente somos – isso possa vir a explicar nossa capacidade de compreender o mundo. Muito pelo contrário.

Mas espere um instante; todo mundo sabe que evolução não é previsível! Sim, temos uma biosfera rica e vibrante para adimirar, mas nenhum produto-final é mais provável (ou improvável) que outro qualquer. A sapiência cientifica explica com sua ladainha característica: mutações ao acaso, extinções em massa catastróficas e outros ‘mega-desastres’, micróbios super virulentos, tudo isso assegura certa linearidade na ‘caminhada do bêbado’, em comparação ao incessante turbulência observada na história da vida. Então não é de surpreender que quase todos os neo-darwinistas insistem que os resultados do processo – e isso incluí você e eu – são uma casualidade fortuita. Sendo assim, não será surpreendente se, por exemplo, alguém encontrar seres vivos em algum planeta distante com a capacidade de voar, mas certamente que não serão pássaros. Talvez possa ser dito que todos os sistemas vivos se desenvolvam com base em uma organização celular, mas quem ousaria prever o surgimento dos cogumelos? No entanto as evidências apontam para uma direção diametralmente oposta a esta descrita a cima! Pássaros evoluíram pelo menos duas vezes, talvez até quatro vezes. O mesmo ocorre com os cogumelos. Ambos estão entre os exemplos menos familiares de convergência evolutiva.

Convergência? Em termos simples é a explicação de como, começando de pontos de partida distintos, organismos ‘navegam’ para a mesma solução biológica. Um exemplo clássico é o olho humano em comparação aos olhos dos cefalópodes; são incrivelmente similares, e ainda assim, evoluíram independentemente. Mas não vamos nos concentrar apenas nos olhos dos polvos. Desde moléculas até sistemas sociais, a convergência está em toda parte. Esqueça também a idéia de que em biologia evolutiva quase tudo é possível, e que, em geral, trata-se de um enorme amontoado de adequações sub-ótimas. Na verdade, paradoxalmente a enorme prevalência de convergências indica fortemente que as escolhas são bem mais limitadas, mas que quando elas de fato emergem o produto é soberbo. Você sabia que olhos podem detectar apenas um fóton e nossos narizes capazes de reconhecer (‘cheirar’) uma única molécula? A evolução atingiu o limite do que é possível no planeta Terra. Em particular as portas de nossa percepção podem ser estendidas apenas através da metodologia cientifica, permitindo um grande panorama partindo no Big Bang e chegando ao DNA.

No entanto como o se deu o caminho desde um até o outro? A forma com que a complexidade emergiu e é sustentada, mesmo na quase miraculosa fábrica química que nós chamamos de ‘célula’, ainda é um tanto enigmática. Auto-organização, com certeza está envolvida, mas um dos quebra-cabeças da evolução é a ampla versatilidade de muitas moléculas, sendo utilizadas numa miríade de diferentes capacidades. De fato, hoje é legitimo falar a respeito de uma lógica se aplicando à Biologia. Com certeza, um termo que possa ser ouvido saindo da boca de muitos neo-darwinistas. Mesmo assim, a evolução evidentemente segue regras mais fundamentais. Elas são cientificas, certamente, mas são regras que transcendem darwinismo. O QUE?! Darwinismo não é uma explicação total? Por que deveria ser? Ele é, afinal de contas, apenas um mecanismo, mas se a evolução é previsível, se ela de fato possui uma lógica, então evidentemente está sendo governada por princípios mais profundos. Se você parar pra pensar o mesmo ocorre com todas as outras ciências; por que o Darwinismo deveria ser uma excessão?

Mas tem mais! Como podemos explicar a mente? Darwin se dedicou a pensar a respeito. Poderia ele confiar em seus pensamentos mais do que naqueles provenientes de um cão? Ou pior, talvez houvesse bem ali um ponto (juntamente com a origem da vida) que a sua teoria universal chegasse a uma limitação*? Sob um certo ponto de vista a primeira possibilidade, a hipotese do ‘au-au’, é mais interessante. Porque afinal de contas, ser um produto da evolução não da nenhuma garantia de que tudo aquilo que nós percebemos como racionalidade. E de fato aquilo que ciência e matemática aplicam com sucesso avassalador, tem em sua base pouco mais do que mero capricho. No entanto, se o universo é, de fato, o produto de uma Mente racional e a evolução é simplesmente o mecanismo para a busca que, levando ao sentimento e à consciencia permita que possamos descobrir a arquitetura fundamental do universo – um argumento intuido por muitos matematicos quando eles falam a respeito da eficacia impressionante das ferramentas matematicas – nesse caso, as coisas não apenas começam a fazer muito mais sentido, mas elas se tornam também muito mais interessantes. Adeus niilismo pessimista e sua fria afirmação de que tudo é sem sentido. É claro, Darwin nos disse como poderiamos chegar lá e através de qual mecanismo, mas não nos disse o por que este ocorre em primeiro lugar, e nem como somos de fato capazes de compreende-lo.

Para reiterar: Quando físicos falam, não apenas de um ‘universo estranho’, mas de um universo mais estranho do que somos capazes de imaginar, eles articulam um sentimento de ‘negócios inacabados’, o qual a maior parte dos neo-darwinistas sequer pensam a respeito. É claro, nossos cerebros são produto da evolução, mas alguém seriamente cre que a própria consciencia seja material? Bem, sim, alguns levantam precisamente esse argumento, mas as suas explicações parecem não ter se estabelecido. Nos estamos, de fato, lidando com assuntos inacabados. O funeral de Deus? Eu não creio. Por favor junte-se a mim ao lado do caixão marcado com a inscrição ‘ateismo’. Eu temo que haverão poucas pessoas de luto.

Simon Conway Morris



*A versão original traz escrito:”... theory ran into the buffers”. Não faço idéia do que seja “run into the buffers”, tive que inferir o significado.



Paz de Cristo



quinta-feira, 18 de junho de 2009

Filminho: Palestra com Eugenie C. Scott sobre o histórico da suposta controvérsia entre criacionismo e evolução darwiniana

Este é um filme muito interessante! Trata se de uma de uma série palestras abordando o tema "Ciência e Religião". Esta em particular foi ministrada pela Dra. Eugenie C. Scott, diretora executica da NCSE. Ela da um histórico a respeito dos atritos recorrentes entre evolução e religião (em especial a fé Cristã, com enfase no fundamentalismo norte-americano). Muito, muito LEGAL!!



TIRADO DAQUI
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Ontem a noite tive sérios problemas em visualizar esse video aqui no blog! Se alguém não conseguir assistir, por favor avise! O video pode ser assistido no 'google videos'
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Eu chupinhei ele do site Irtiqa. É um blog dedicado a postar comentários e noticias relativos a interação entre fé e religião. Aparentemente (e curiosamente) eles dão enfase ao mundo e cultura islamica ('Irtiqa' significa 'evolução' em urdu). Particularmente, após uma breve olhadela, achei o site bastante interessante.
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Isso me fez pensar na gritante escassez de sites (e outras fontes) em português dedicadas a apresentar um dialogo produtivo entre a ciência moderna (e me refiro aqui à evolução) e a fé em um Deus pessoal.
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Bem, é isso aí amiguinh@s
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Fiquem com a Paz de Cristo
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Amo vocês

sábado, 13 de junho de 2009

Mente, matéria, naturalismo e uma visão completa de mundo. Uma reflexão.

"Mais doloroso é o silêncio absoluto de todas as nossas investigações científicas para com nossas questões referentes ao significado e escopo de todo espetaculo. Quanto maior a atenção com que o observamos, mais despropositado e tolo nos parecera. O espetáculo em andamento obviamente adiquire um significado apenas com relação à mente que on contempla. Mas o que a ciência nos diz sobre esse relacionamento é patentemente absurdo: como se a mente só tivesse sido produzida por esse mesmo espetáculo a que está ora assistindo e que perecera com ele quando o Sol finalmente esfriar e a Terra tiver se transformado nem deserto de gelo e neve" (Erwin Schrödinger, Mente e Matéria).
Recomendo a leitura dos ensaios do ganhador do premio nobel do inicio do século. Em particular "O que é Vida?" é geralmente descrito como "seminal". Em "Mente e Matéria" Schrödinger diversas vezes acaba viajando na maionese, o que não deixa de ser interessante, muito embora eu não concorde com todas as viagens do homem.
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Acho ainda que esse ensaio da decada de 1950 pode dar algumas dicas de como abordar o dialogo entre fé e ciência. Em particular o paragrafo que transcrevi a cima.
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De fato, o problema está posto: o materialismo metodológico nos mostra, quanto mais o utilizamos como lupa para destrinchar o mundo a nossa volta, mais encontramos um mundo sem sentido ou próposito. A propria consciência, que nos permite 'assistir ao espetáculo' e dar lhe algum valor é, ela mesma, fruto do desenrolar do espetaculo e ira embora, junto com tudo mais, ao se fecharem as cortinas.
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Ainda não terminei de ler o livro, mas ao ler esse paragrafo, uma pausa para reflexão foi necessária. A patente (ou aparente) inimizade entre o pensamento racional analítico e o pensamento místico se escalonou ao longo do século XX (como mostra a obra de Bertrand Russel: "Science and Religion"). E até o presente momento não foi resolvido! Ontem mesmo o caderno MAIS da Folha de São Paulo, numa matéria a respeito dos 400 anos da invenção do Telescópio por Galileu, que a "Igreja ainda está tentando entender a ciência".
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Longe de dar a afirmação um ar pessimista, acho isso ótimo! É ótimo que a fé Cristã reconheça que ainda não sabe direito entender a ciência e que busque o entendimento dessa que, na minha opinião, é uma baita benção de Deus! De fato, não sabemos onde traçar as fronteiras que "limitam" a ciência e deixam espaço para a nossa fé. Pior ainda! A ciência por vezes ignora todas as fronteiras e permeia, cada vez mais, todos os aspectos da nossa vida e respostas dos próprios cientistas nos parecem, no minimo insatisfatórias. E não vou entrar aqui nas opiniões dos auto-intitulados inimigos da fé a respeito do assunto, vou apenas transcrever mais um paragrafo de "Mente e Matéria", que segue ao que abriu esse post (a cima):

"Gostaria de mencionar rapidamente o notório ateismo da ciência que vem, é claro, sob o mesmo cabeçalho. A ciência está semrpe sendo criticada, mas tão injustamente. Nenhum deus pessoal pode fazer parte de um modelo de mundo que se tornou acessivel à custa de remover dele tudo o que é pessoal. Quando se tem a experiência da presença de Deus, sabemos que é um evento tão real quanto uma percepção imediata dos sentidos ou como a da própria personalidade. Como elas, Deus deve estár ausente na imagem do espaço-tempo. Não encontro Deus em nenhum lugar do espaço nem do tempo - é isso o que um naturalista honesto lhes dirá. Por isso, ele incorre na reprovação daqueles em cujo catecismo está escrito: 'Deus é espirito'. " (Erwin Schrödinger, Mente e Matéria).
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Esse afastamento completo de Deus da nossa imagem do mundo natural ofende aquele que tem fé. Parece contrastar e entrar em conflito com o Deus cujo Espirito desde o principio pairava sobre as águas, o Deus Criador de milagres e proezas que as Escrituras relatam. Ainda assim, acho que Schrödinger dá uma bola dentro. Penso ser muita pretensão achar que o Deus que antes de tudo é Amor -um Deus que é Espirito- vá ser revelado a nós por nossos próprios esforços em desvendar a natureza. A ciência permeia tudo e isso não deve ser temido. Antes, como eu já falei, é uma grande benção que possamos entender mais e mais a respeito do mundo que nos cerca! Não precisamos mais de idolos para fazer proliferar nossas colheitas ou nos livrar de pestes e doenças.
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Ao mesmo tempo temos de nos perguntar até que ponto essa 'lavagem' de tudo pela impessoalidade cientifica nos leva de fato para a verdade. Ao livrar o mundo de seus demônios a ciência também livra o mundo de seus anjos, nos exuma de milagres tanto quanto de maldições e destrói as 'impurezas' de nossos próprios sentimentos da interpretação do mundo ('aquela coincidencia que aconteceu naquela manhã em que sua vida mudou foi SÓ uma coincidência e NÃO um sinal do Divino').
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Aparentemente crentes e descrentes se degladiam com isso à uns 400 anos e não sou eu quem vai esgotar o assunto. Mas gostaria sim de argumentar que, embora seja uma benção, a ciência não é completa nem nos da uma visão completa do mundo! O fato de, ao nos debruçarmos sobre a imagem cientifica de mundo, a coisa toda nos parecer despropositada e sem sentido não significa que não exista um sentido. Antes, significa que a ciência tem limitações. Não as fronteiras que alguns, desesperadamente, tentam impor a ela artificialmente, mas antes, fronteiras que ela mesmo traça. De fato, creio em um mundo guardado por anjos e assombrado por demônios onde as coincidências podem ser muito mais do que coincidências. Onde, as vezes, aquela conversa no busão que mudou teu jeito de ver as coisas foi mais que só uma daquelas conversas de busão. Minha pequena me disse ontem a noite que, em alemão, eles tem só uma palavra para fé e esperança[1]. Vivo com esperança e creio que isso peça, necessariamente por fé.
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Quem leu o texto do Alvin Platinga cujo link eu já passei, pode ver uma dessas fronteiras da impessoalidade científica. Schrödinger nos fez atentar para o absurdo de ter uma mente que é um fruto cego do próprio desenrolar do universo que ela própria é capaz de contemplar. Platinga nos faz nos perguntarmos porque deveriamos confiar SOMENTE nessa imagem mental que temos de mundo quando esta foi moldada pelos mais 'primitivos' impulsos: comer, fugir, lutar e acasalar. Para Platinga, quem possui fé em um próposito e sentido maior, apoia sobre a fé a crença de que a própria visão de mundo reflete, de alguma forma, a realidade das coisas. Mas para ele, o naturalismo cientificista dá um tiro no pé ao depender para obtenção do conhecimento apenas da ciência. A mesma ciência que nos aponta que nossa mente é fruto de um processo cego que visa apenas a própria permanência.
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Eu já disse: a primeira vez que lí o argumento franzi o cenho com cara de cético pensando: "baita argumento meia boca!". Mas depois me coloquei a refletir no que encontramos no mundo natural. Quanto nosso comportamento e visão de mundo dependem de nossos instintos e quanto deles são herdaveis e portantos sujeitos a forças evolutivas? Não sei dar a resposta para essas perguntas, mas penso que tal resposta seja suficiente para nos fazer duvidar da própria imagem de mundo que construimos em nossas mentes, mesmo a impessoalidade cientifica. O ácido da evolução talvez tenha corroido o próprio recipiente de filosofia naturalista no qual ele foi colocado por alguns. E aí, de duas uma: ou o ácido não é tão ácido assim, ou talvez ele precise de um novo recipiente.
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O "notório ateísmo da ciência" é, na minha opinião, uma limitação de um modelo no qual o Amor e o Deus que é Espirito não figuram. Particularmente ainda me incomodo ao ver ele permeando tudo, mas cada vez mais entendo que uma visão de mundo completa vá muito além disso.
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Quando nossa escolha é entre apreciar o jardim como um imbrincado amontoado de atomos de carbono, hidrôgenio e oxigênio frio e distante. E aprecia-lo de forma pessoal sentindo o calor do sol e o cheiro das flores, achando aquilo tudo belo ou bucólico, frio ou triste. Penso que a segunda forma é bem mais satisfatória, mesmo que a primeira possa nos trazer insights preciosos que não devem ser descartados. Penso também que da segunda forma sempre havera espaço para as tais fadas[2] e que isso é bom
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é isso aí amiguinh@s

Amo vocês

Fiquem na Paz de Cristo



[1] Hoffnung seria esta palavra. A palavra Glauben não seria a tradução literal de "fé", mas antes de "crença" ou "acreditar". Tenho que conferir isso em um dicionário.

[2] refêrencia a frase de Douglas Adams: "Não basta apreciar a beleza de um jardim, sem ter que imaginar que há fadas nele?"... Mas vocês já sabiam disso, certo?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Updates e até logo!

Queridos, acho que esse vai ser o ultimo posto por um tempo! Não vou ter tempo algum no mês de junho (comecei uma matéria fantástica a respeito de genética quantitativa e evolução morfologica, mas que infelizmente vai me tomar todo o tempo e cerebro que eu tiver dsponivel).

No entanto, não quero ir sem compartilhar algumas coisas com vocês:

1) Leiam o artigo do Alvin Platinga "Evolution vs Naturalism". Confesso que a principio achei todo o argumento dele a respeito de evolução e naturalismo serem conflitantes a ponto de se excluirem mutuamente, meio cheio de firulas filosóficas. No entanto, me peguei pensando a respeito dele, e a coisa toda tem se tornado cada vez mais interessante.


2)O primeiro debate 'pós-darwin' a cerca de teleologia, design, e essas coisas, não se deu numa batalha acirrada entre um ateu extremista vociferante, e um Cristão fundamentalista tentando impor suas interpretações Bíblicas particulares. Antes, foi uma troca amigavel de correspondência entre dois naturalistas: um criado na igreja anglicana, e o outro, um evangélico convicto presbiteriano. Me refiro a Charles Darwin e Asa Gray. O principal motivo de discórdia entre esses dois senhores não foi uma interpretação 'literalista' da Bíblia, nem a autoridade das Escrituras. Também não foi a segunda lei da termodinâmica nem a historicidade da pessoa de Adão. O principal motivo de discórdia entre esses dois distintos cavalheiros foi um antigo enigma que tem assombrado e estimulado todas as pessoas de fé por um bom tempo já: a teodicéia, o problema do sofrimento!

Asa Gray foi um dos primeiros naturalistas a ficar sabendo da teoria de Darwin e um dos primeiros a incentiva-lo a publica-la. Foi também um Cristão porreta! Achei alguns artigos bacanas a respeito dele:

O primeiro, tirado do site da American Scientific Affiliation, discute a troca de correspondencia entre Darwin e Asa Gray.

Charles Darwin and Asa Gray Discuss Teleology and Design

O segundo contém, em pdf, palestras de Asa Gray a respeito de ciencias naturais e religião (ainda não li, não sei exatamente qual é a do homem, mas estou curioso).

AQUI O LINK

3) Este ano marca o aniversário de 400 anos da astronomia por telescópio! PARABÉNS A Galileu e sua patota pela sua publicaçãode seu tratado Sidereus Nuncius! E uma salva de vaias para o pessoal boboca da inquisição que forçou o homem a apresentar o manuscrito pra passar por uma censura antes da publicação. Aparentemente, algumas informações 'contrárias às Sagradas Escrituras' quase ficaram de fora do tratado, como por exemplo a existência de luas em Jupiter (???)

PARABÉNS

é isso ai amiguinh@s.
Até logo!

Amo vocês

Fiquem com a Paz de Cristo